Em 2011, Alex Ferguson completou 25 anos no comando do Manchester United, e o feito, é claro, foi exaltado no mundo inteiro. A prova disso é que o segundo na “fila” entre os principais clubes europeus é Arsène Wenger, com 16 anos, e o terceiro é Thomas Schaaf, que está há 13 anos no Werder Bremen no comando técnico. Somado todo o tempo em que está com os Verdes, no entanto, Schaaf está muito à frente do escocês: ao todo, são 40 anos na equipe, marca que por si só é significativa, ainda mais se considerarmos que ele tem apenas 50 anos de idade.

Essa história se inicia em 1972, quando Schaaf, aos 11 anos, chegou ao Werder Bremen vindo do Union Bremen, clube amador da cidade. Era só mais um menino que tentava a sorte nas categorias de base do clube, que naquela década frequentava as posições de baixo da tabela da Bundesliga. A estreia nos profissionais aconteceu em 1978, e os Verdes foram rebaixados para a segunda divisão em 1979/80, o que poderia deixa-lo marcado ou fazer com que ele mudasse de clube. Não foi, porém, o que aconteceu.

Schaaf ficou, se estabeleceu como zagueiro e foi vice-campeão alemão em 1982/83, 1984/85 e 1985/86. A cereja do bolo veio com o título da Bundesliga em 1987/88 ao lado de ídolos do clube como Norbert Meier, Miroslav Votava e Günter Hermann, todos com passagem pela seleção alemã. O hoje técnico do Werder Bremen sempre foi reconhecido como um zagueiro correto, sem ser excepcional, e jamais teve chances no Nationalelf.

Nos anos 90, as glórias foram ainda maiores, com a conquista da Copa da Alemanha em 1990/91 e 1993/94. A grande temporada, no entanto, foi a de 1992/93, quando os Verdes ganharam a Recopa vencendo o Monaco na final e faturaram o título da Bundesliga. Naquele momento, Schaaf já vivia uma fase descendente na carreira, convivendo com lesões e já fora do time titular.

A carreira como técnico teve início quando ele ainda era jogador, em 1987/88, e comandou o time sub-17. Na temporada seguinte, já foi promovido ao sub-19, onde ficou até 1995, quando foi para o Werder Bremen II. Em 1999, finalmente assumiu o time principal, no qual conquistou a Bundesliga em 2003/04 – ano em que Aílton foi o artilheiro com 28 gols marcados -, três Copas da Alemanha e uma Copa da Liga. Mais do que isso, conquistou o respeito dos torcedores e, mesmo quando o clube foi mal, jamais teve seu cargo seriamente ameaçado.

Recentemente, Schaaf renovou contrato com os Verdes até 2014. Se cumprir o acordo, ficará 15 anos no comando do time principal, superando o recorde histórico de Otto Rehhagel, que foi técnico do Werder Bremen entre 1981 e 1995, período em que o clube cresceu e se firmou na disputa pelo posto de segunda força do futebol alemão, atrás do Bayern Munique. Ainda que no momento essa posição esteja mais ao alcance de Borussia Dortmund e Schalke 04 e o clube tenha lutado pelo campeonato poucas vezes com Schaaf no comando, todos reconhecem o bom trabalho do técnico diante das dificuldades financeiras.

Bundesliga: Campeão em 2003/04

Quando Schaaf assumiu o Werder Bremen, o clube ficava nas posições intermediárias da Bundesliga, e assim foi entre 1999/00 e 2002/03, as quatro primeiras temporadas dele como técnico. No ano seguinte, porém, os frutos do trabalho começaram a aparecer e o título da Bundesliga foi conquistado. Na ocasião, brilharam jogadores como o atacante brasileiro Aílton, já citado no texto, a dupla de volantes formada por Fabian Ernst e Frank Baumann, além do meia francês Johan Micoud, tratado durante boa parte da carreira como um possível substituto de Zidane na seleção francesa. Micoud não vingou como o esperado, é verdade, mas fez a diferença naquele time durante um bom tempo.

A campanha do título foi excelente: 22 vitórias, 8 empates e apenas 4 derrotas, com 79 gols marcados e 38 sofridos.  Além da conquista, os Verdes também beliscaram dois vice-campeonatos e três terceiros lugares com Schaaf no banco de reservas. No total, o técnico já comandou o Werder Bremen em 425 partidas na Bundesliga, com 210 vitórias, 89 empates e 126 derrotas.

Entre os jogadores que não foram campeões, destaca-se Miroslav Klose, trazido por Schaaf do Kaiserslautern para a disputa da Liga dos Campeões em 2004/05 por módicos € 5 milhões e revendido ao Bayern Munique em 2007 por um valor não divulgado, mas provavelmente bem maior. Diego, trazido do Porto por € 6 milhões em 2006, foi revendido por € 24 milhões para a Juventus três temporadas depois. Além, é claro de Mesut Özil, comprado por € 4,3 milhões e revendido por € 15 milhões ao Real Madrid (o valor poderia ser ainda maior, mas o meia só tinha um ano de contrato).

Contra o técnico, é fácil jogar na cara que ele também gastou uma boa grana com Carlos Alberto (€ 8,5 milhões, a maior contratação da história do clube), e se enganou. Mas ele não foi o único. Outro clube verde tentou com afinco ser enganado, mas desistiu na última hora nesta semana. Isso sem falar em São Paulo, Botafogo, Grêmio, Vasco e Bahia. Há também a acusação de que Schaaf não acerta a defesa e até procede. Algo irrelevante, porém, diante de tudo o que ele construiu dentro do clube nas últimas quatro décadas.