Alireza Beiranvand foi um dos grandes personagens da Copa do Mundo. O goleiro do Irã se destacou durante a fase de grupos, principalmente ao defender um pênalti de Cristiano Ronaldo no emocionante jogo contra Portugal. No entanto, sua própria história de vida bastava – a quem, entre outros tantos detalhes, chegou a fugir de casa e a dormir nas ruas de Teerã em busca do sonho de se tornar jogador. O Mundial já era uma realização imensa ao arqueiro. E nesta terça-feira, ele se consagrou um pouco mais. Não ter conseguido uma transferência depois do torneio não foi problema. Nas semifinais da Liga dos Campeões da Ásia, ele se tornou o grande responsável pela classificação do Persepolis à decisão. Pela primeira vez em sua história, o tradicionalíssimo clube iraniano poderá disputar a taça continental.

Dono de 11 títulos nacionais, o Persepolis não repetia o mesmo sucesso além das fronteiras. Os alvirrubros até conquistaram a Recopa Asiática em 1991, mas sustentavam um incômodo histórico de quedas nas semifinais da Liga dos Campeões da Ásia. Terminaram na terceira ou na quarta colocação quatro vezes entre 1997 e 2001, eliminados por adversários da Coreia do Sul, da China e do Japão. Nem mesmo a presença de ícones como Karim Bagheri, Mehdi Mahdavikia e Ali Karimi eram suficientes. E para colocar mais pressão, os rivais do Esteghlal já somavam duas taças na Champions, enquanto o PAS Teerã tinha uma.

Depois desse período marcante, o Persepolis se tornou figurante na Liga dos Campeões da Ásia. Voltou a chamar atenção somente em 2017, quando eliminou os catarianos Lekhwiya e os sauditas do Al Ahli, antes da queda diante do Al Hilal novamente nas semifinais. Já nesta edição, a ascensão se tornou maior. Na fase de grupos, os persas lideraram sua chave. Depois, passaram por Al-Jazira e Al-Duhail, até o confronto com o Al-Sadd nas semifinais. Os alvirrubros foram os responsáveis por frustrar a equipe de Xavi e Gabi.

O Persepolis começou a fazer história no Catar. Cobrando pênalti, Ali Alipour garantiu a vitória por 1 a 0 na ida. Já nesta terça, diante de 81 mil no Estádio Azadi, bastaria aos alvirrubros segurarem a vantagem. Os catarianos até saíram na frente, com Baghdad Bounedjah, mas Siamak Nemati igualou aos persas na segunda etapa. Já o grande lance aconteceu a quatro minutos do fim. Após lançamento na área, o baixinho Xavi apareceu para cabecear à queima-roupa. Beiranvand fez uma defesa monumental, com a ponta dos dedos, que evitou a vitória e a classificação dos visitantes. Terminou bastante festejado por sua fanática torcida, além de receber os elogios dos técnicos.

Na decisão, o Persepolis aguarda o vencedor do duelo entre Kashima Antlers e Suwon Bluewings. Os japoneses venceram a ida por 3 a 2, enquanto a volta acontece nesta quarta, na Coreia do Sul. Oportunidade de ouro para um dos clubes de maior torcida da Ásia, enfim, ressaltar sua grandeza com o título mais importante do continente. Contar com um goleiro da categoria de Beiranvand certamente é um diferencial aos persas.

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