Leonardo Burián entrou para a história do Colón nesta quinta-feira. O goleiro se tornou o grande responsável por levar os santafesinos à decisão da Copa Sul-Americana. Durante o tempo normal, ele realizou duas grandes defesas para conter o Atlético Mineiro e evitar uma situação pior diante da pressão no Mineirão. Já na disputa por pênaltis, o uruguaio de 35 anos se consagrou de vez. Pegou os pênaltis de Réver e Cazares, para garantir a virada na marca da cal e confirmar a classificação dos sabaleros. Na comemoração, o veterano desabou, e não apenas pelo heroísmo dentro de campo.

Burián passou por um drama particular há pouco mais de um mês. O goleiro perdeu seu irmão mais velho, vítima dos ferimentos provocados por um acidente de automóvel no início de agosto. William Daniel, de 46 anos, bateu com o carro em um caminhão no final de julho e faleceu cerca de uma semana depois – às vésperas da preparação ao jogo de ida contra o Zulia, nas quartas de final da Sul-Americana. O arqueiro foi dispensado da viagem à Venezuela e retornou ao gol durante a vitória por 4 a 0 em Santa Fé.

Nesta quinta-feira, Burián não segurou as lágrimas. O momento emotivo aconteceu em longo abraço com Pulga Rodríguez – que, além de ser outro herói da noite, também perdeu seu pai às vésperas do primeiro jogo contra o Atlético Mineiro. Os dois protagonistas do Colón compartilharam  o choro. Terão uma razão a mais para buscar a taça contra o Independiente del Valle, na decisão marcada para Assunção.

“É uma alegria enorme conquistar a classificação. Sofremos muito hoje, foi uma partida muito complicada. Teremos alguns dias para poder desfrutar essa vitória, tanto nós quanto o restante do clube. É um orgulho tremendo defender o gol dessa instituição e desse grupo de leões”, declarou Burián, na saída de campo. “Creio que o primeiro tempo teve os 30 minutos mais longos da minha carreira. Caíam bolas de todos os lados. Mas era de se esperar. Já nos pênaltis, eu me lembrava de memória as cobranças de todos. Passei sete horas assistindo aos vídeos. Esse é o trabalho da comissão técnica, que faz um esforço enorme”.

Formado pelo Nacional de Montevidéu, Burián teve uma passagem expressiva pelo clube. Conquistou três títulos do Campeonato Uruguaio, embora tenha se mantido como reserva na maior parte do tempo. Também passou por Bella Vista, Tolima, Montevideo Wanderers, Jaguares de Chiapas e Godoy Cruz, antes de assinar com o Colón em 2018. Pouco mais de um ano no clube valeu para que se tornasse um ídolo à torcida. E, em retribuição, os sabaleros também auxiliam o arqueiro a lidar com seu luto.