A seleção uruguaia vive momentos decisivos. Na última semana, a Associação Uruguaia de Futebol se reuniu para definir os rumos de seu contrato de fornecimento de material esportivo. O acordo com a Puma se encerra no último dia de 2016 e a Celeste recebeu duas propostas para o seu próximo ciclo. A empresa alemã oferece US$ 5 milhões pelos próximos sete anos. Contudo, a Nike entrou forte na briga, em negociação iniciada pelos próprios jogadores (em especial, Diego Godín e Luis Suárez), e promete pagar US$ 24 milhões pelos mesmos sete anos. Decisão fácil de tomar, não? Nem tanto assim. Porque o poder permanece junto aos clubes, que temem os efeitos que a mudança poderá trazer.

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O entrave se centra na Tenfield, empresa dona dos direitos de transmissão do Campeonato Uruguaio. A companhia do contestadíssimo Paco Casal, também um dos principais agentes de jogadores do país, serviu de intermediária no antigo acordo com a Puma. E os clubes, responsáveis pelos 19 votos na escolha, temem que a torneira feche caso a Nike seja escolhida. Com a chegada da marca americana, US$ 100 mil serão distribuídos anualmente a cada clube da primeira divisão e de maneira global na segundona. O problema é que a Tenfield costuma agir como uma “tutora”, adiantando verbas e ajudando a sanar dívidas – nada muito diferente do que acontece com a Rede Globo no Brasil. Uma relação de necessidade que torna o futebol uruguaio imóvel.

Depois de encontro na última sexta, os clubes decidiram se reunir mais uma vez nesta terça, para que estudem melhor os benefícios que a Nike oferece. Enquanto isso, nesta segunda, Diego Godín assumiu seu papel como capitão da seleção uruguaia. O zagueiro publicou uma carta na qual ressaltou os interesses dos jogadores, com conteúdo ratificado também por Luis Suárez. Vale dizer, no entanto, que 19 dos 23 uruguaios convocados para os jogos contra Argentina e Paraguai nas Eliminatórias são patrocinados pela marca americana. Abaixo, o texto publicado por Godín em suas redes sociais:

Faz anos que o elenco da seleção luta para reestruturar e profissionalizar a relação de imagem com a federação, coisa que atualmente estamos tratando com seu executivo, e muito especialmente por democratizar todas suas estruturas, algo que já é urgente. Se isso acontece, a federação poderá servir com muito mais eficácia as necessidades do futebol em nosso país e pode manejar seus recursos com independência e potencializá-los. Só assim se livrará do jogo de interesses alheios e não seguirá vendendo seu rico patrimônio a baixo preço de necessidade.

Em horas decisivas para o futebol uruguaio, só exigimos que haja dignidade, transparência e respeito pelas pessoas, pelos jogadores e muito especialmente pelos valores democráticos que sempre identificaram nosso país, nossa gente.

Estamos a favor do futebol uruguaio e não estamos contra nada, salvo aqueles que querem atacar o futebol uruguaio. Demos e seguiremos dando tudo pela Celeste dentro de campo e queremos contribuir com um futebol melhor fora dela. Esse será o nosso melhor legado, nossa melhor herança para as gerações futuras, que certamente nos darão mais êxitos.

Vamos para cima, Uruguai!

Chamada Trivela FC 640X63