Monaco e Nice compõem um dos clássicos mais importantes do sul da França, o chamado Derby de la Côte d’Azur. A rivalidade pode não ser tão ferrenha, mas possui sua relevância para o futebol local, especialmente depois dos períodos vitoriosos compartilhados pelos vizinhos nas décadas de 1950 e 1960. Nos últimos anos, os dois clubes do Mediterrâneo voltaram a ter grandes ambições na Ligue 1. E que esta temporada seja atípica, com os alvirrubros lutando contra o rebaixamento e os rubro-negros vivendo sua recuperação, o duelo desta quarta-feira guardou um elemento especial: também foi um “Dérbi do Arsenal” ou “Dérbi dos Bleus”, com o encontro de Thierry Henry e Patrick Vieira à beira do campo no Estádio Louis II. O empate por 1 a 1, porém, não beneficiou nenhum deles.

Havia muita expectativa antes do jogo. O jornal L’Equipe ilustrou sua capa com os antigos companheiros, chamando-os de “filhos de Wenger”. Além disso, o assunto se tornou inescapável nas coletivas de imprensa. Prevaleceu o respeito, mas com uma pitada de provocação. “Ele é meu amigo e um cara que eu admiro. Não apenas como jogador, mas como homem, e o jogo não muda isso. Mas é um Monaco contra Nice e essa é a coisa mais importante. Por alguns minutos, não iremos gostar um do outro”, declarou Henry, brincando com o ex-volante.

Vieira, por sua vez, revelou que não faz tanto tempo que os dois se viram: “Nós nos encontramos em Londres durante as festas de fim de ano e tomamos um café. Discutimos muitas coisas. Será nosso primeiro duelo como técnicos, um momento comovente. Vivemos muitas coisas juntos, mas esqueceremos tudo isso no jogo. É uma sensação estranha. Começamos nossas carreiras por aqui, ele no Monaco e eu no Cannes. Essa é a situação que nos empolga. Nunca imaginei que isso poderia acontecer, em um dérbi”.

Na entrada em campo, Henry e Vieira caminharam lado a lado conversando, em cena um tanto quanto incomum. Além disso, na cerimônia tradicional da Ligue 1, em que os treinadores se cumprimentam, os dois se abraçaram e aparentemente trocaram uma bela provocação entre amigos. Dentro de campo, de qualquer maneira, as duas equipes se empenharam pela vitória. E, considerando as vantagens desperdiçadas por ambos os clubes, o empate ficou de bom tamanho. Enquanto o Monaco jogou um tempo inteiro com um a mais, o Nice perdeu um pênalti no fim.

O clássico, válido ainda pelo primeiro turno e adiado por causa dos protestos na França, não pôde contar com os reforços da janela de inverno. Desta maneira, Cesc Fàbregas e as demais novidades do Monaco assistiram ao embate nas tribunas do Louis II. Mesmo jogando fora de casa, o Nice finalizou durante o primeiro tempo e saiu em vantagem. Aos 30 minutos, após uma bola roubada no meio-campo, Allan Saint-Maximin saiu em disparada e estufou as redes. O problema é que, nos acréscimos, Ihsan Sacko deu uma solada na lateral do campo e, com auxílio do VAR, recebeu o vermelho direto.

Com um a mais, o Monaco voltou ao segundo tempo pressionando. Logo aos cinco minutos, Benoit Badiashile empatou com um gol de cabeça, validado graças à tecnologia na linha do gol. Apesar das dificuldades, as Águias poderiam ter vencido. Aos 31, os visitantes ganharam um pênalti, mas Diego Benaglio defendeu o chute forte de Saint-Maximin. E como o jogo permaneceu aberto, aos 39, Radamel Falcao García daria um susto, em arremate que o goleiro Walter Benítez desviou com a ponta dos dedos e bateu na trave. Não alteraria o placar, todavia.

O Monaco permanece em uma situação claudicante na Ligue 1. É o penúltimo colocado, com 15 pontos. Está a dois pontos de atingir a zona dos playoffs e a três de deixar o Z-3. O Nice, por sua vez, ascende na tabela. Depois do mau início da campanha, encontrou o seu rumo e sonha com as competições continentais. Aparece em sexto, a três pontos da vaga na Liga Europa e a sete da Champions. Vieira, mais experiente como técnico do que Henry, pode registrar um feito razoável em sua primeira temporada no futebol europeu.