Dependendo da idade, o palmeirense tem como referência César Maluco, Evair, Paulo Nunes, Oséas ou até mesmo Vágner Love, Alex Mineiro, Hernán Barcos e Alan Kardec para a posição de centroavante. Em diferentes níveis, foram jogadores que assumiram a responsabilidade de fazer os gols do time e não decepcionaram. Essa missão, atualmente, está nas costas de Henrique e ele a vem cumprindo muito bem, apesar de nem sempre falar a mesma língua que a bola.

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Foi assim neste sábado, no empate decepcionante e inesperado do Palmeiras com o Corinthians por 1 a 1. A decepção, acredite se quiser, ficou por conta do clube que ainda briga contra o rebaixamento, porque vencia até os acréscimos. A surpresa foi para o lado alvinegro, sempre com dificuldades quando enfrenta equipes da zona inferior da tabela, independente de ser o maior rival ou não. No Pacaembu, Henrique teve a presença de espírito para abrir o placar, mas também estragou jogadas, tomou decisões erradas e sofreu as críticas da hoje cigana Turma do Amendoim, à espera do Allianz Parque ficar pronto para se alojar.

É que Henrique não consegue criar as situações, apenas defini-las. Fosse um roteirista, pediria para um colega desenhar toda a trama e chegaria apenas na hora do desfecho. Nem sempre a história atingiria o clímax e seria digna de Oscar, mas ele nunca pararia de tentar. Como dizem que 90% do sucesso se baseia simplesmente na insistência, ele chegou a 15 gols no Campeonato Brasileiro, dois a mais que Fred e Barcos, e corre o risco de se transformar no primeiro artilheiro da história do Palmeiras na competição nacional desde 1971, quando o torneio começou a ser disputado nos padrões atuais. Considerando Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa, a única vez que o Palmeiras teve o maior goleador foi no Robertão de 1967, com César Maluco (15 gols).

A fase é boa, e muito crédito tem que ser dado a Dorival Junior. Não apenas por ter melhorado os resultados da equipe do Palmeiras, mas também porque foi com ele que Henrique deslanchou a marcar. Atuou em todas as 13 partidas sob o comando do sobrinho do ex-volante Dudu, 12 como titular, e fez oito dos seus 15 tentos. E se engana quem pensa que a maioria das vezes em que colocou a bola na rede foi a partir da marca do cal: converteu apenas quatro pênaltis no Brasileirão.

Se dá para creditar muitos pontos que o Palmeiras perdeu à ausência de Fernando Prass e às hesitações dos seus substitutos, também é justo dizer que a situação do clube continuaria crítica não fosse por causa de Henrique. Os gols que faz não são tão difíceis? Alguns não devem ser mesmo, mas ele costuma estar no lugar certo para fazê-los. Pode não ser o atacante que o tetra brasileiro e campeão da Libertadores merece, e com o qual a sua torcida sonha, mas é o que está resolvendo as coisas e impedindo a estreia da terceira edição do filme do rebaixamento.