A conquista da Champions League representa um marco à carreira de Jordan Henderson. O meio-campista atravessou suas provações ao longo de sua história com o Liverpool, mas se consagrou como uma grande liderança na equipe de Jürgen Klopp. A importância do capitão no título continental se refletia também em uma temporada fantástica em 2019/20, possivelmente o melhor no time que sobrava na Premier League. E o ‘herdeiro de Steven Gerrard’ declarou como também foi influenciado por Roy Keane, simbólico capitão do Manchester United. Os conselhos do irlandês, inclusive, ecoaram nas semifinais da Champions contra o Barcelona.

Keane iniciou sua carreira como treinador no Sunderland, entre 2006 e 2008. Entre os seus pupilos, estava justamente Henderson, formado pela base dos Black Cats. Segundo o então comandante, o meio-campista nunca deveria trocar a camisa com um adversário por admiração, para não enchê-lo de confiança. Assim, mais de uma década depois, o inglês evitou trocar sua camisa com Lionel Messi após os 3 a 0 para o Barcelona, na ida dentro do Camp Nou.

“Se eu pensei em pedir a camisa dele? Não. Eu nunca faria isso. Roy Keane me disse, quando eu estava no Sunderland, que pedir a camisa de alguém é um sinal de admiração. Mas acabei voltando para casa com a camisa de Suárez. Ele é um bom rapaz e me deu como um gesto de amizade, pelos tempos em que jogamos no Liverpool”, contou Henderson, em conversa com Jamie Carragher no podcast do ex-zagueiro.

Henderson não negou a maneira como ficou impressionado com a atuação de Messi naquela partida, sobretudo pela forma como o camisa 10 se movimentava em campo. O craque balançou as redes duas vezes naquela noite, com destaque à sua cobrança de falta magistral para vencer Alisson e mandar a bola no ângulo.

“Você não pensa consigo mesmo ‘ai, meu Deus, é ele’, mas não há dúvidas de que Messi joga de maneira diferente de quando você o vê na televisão. Ele é muito rápido em campo. Pensando naquele gol da falta, até agora não consigo acreditar que ele marcou. Eu realmente pensei que ele fosse bater a falta curta, não que ia mandar direto. Eu já disse quão bom acho que o Alisson é, mas o Messi colocou a bola num canto em que ele não poderia proteger. A batida, a velocidade, a precisão – tudo foi absolutamente perfeito”, apontou.

Por fim, Henderson também declarou como a troca de camisas com Luis Suárez foi algo positivo. Quando o atacante passou pelo Liverpool, a relação com o jovem não era exatamente positiva e os dois chegaram a se estranhar durante um treinamento, quase saindo no braço. Contudo, o entendimento melhorou logo depois e ambos se aproximaram – com direito a uma assistência de Henderson para ‘fazer as pazes’ com o Pistolero no jogo seguinte à briga.

“Naquela época, eu estava tentando fazer o melhor que podia e isso acontece com os jogadores, quando há críticas e as pessoas duvidam de você. Como um jogador jovem, tinha algumas coisas que Luis fazia nos treinos e eu não gostava. Aquilo me fazia sentir que eu não era bom o suficiente para estar no mesmo time. Ele erguia os braços como se eu realmente não estivesse ali. Aquilo me machucava e me frustrava”, afirmou Henderson.

Titular absoluto do Liverpool, Henderson vinha com 25 partidas disputadas na atual Premier League, somando três gols e cinco assistências. Às vésperas de completar 30 anos, o capitão se mostrava pronto a encerrar a espera dos Reds na Premier League. Agora, aguarda uma decisão favorável para a retomada da competição após a paralisação.