Ada Hegerberg é o principal nome do futebol feminino mundial atualmente. Foi a vencedora da Bola de Ouro, da France Football, na primeira edição do prêmio feminino na história. Também levou o prêmio da Uefa de melhor jogadora do ano. Não levou o prêmio da Fifa, que ficou com a craque brasileira Marta, mas a norueguesa continuou causando impacto em campo. Neste último fim de semana, conquistou mais uma taça, da Champions League Feminina. E ao vencer mais um prêmio, a de jogadora do ano da BBC, ela falou sobre questões muito além do campo: igualdade em oportunidades, uma luta que ela encampa.

A luta pela igualdade abraçada por Ada Hegerberg é algo que ela faz com suas atitudes também. Aos 23 anos, a jogadora não defende a seleção da Noruega como forma de protesto. E isso desde 2017. As razões? Ela quer igualdade de tratamento entre a seleção feminina e a masculina. A Federação Norueguesa igualou as premiações do time masculino e feminino, mas não se trata apenas de dinheiro, segundo a jogadora. Ela quer oportunidades iguais e considera que isso continua sendo algo distante.

Em dezembro de 2018, depois de ganhar a primeira Bola de Ouro do futebol feminino, Hegerberg falou à CNN sobre o caso e disse que a questão com a seleção norueguesa é muito mais do que dinheiro. “Se trata de se preparar, agir, profissionalismo, pontos realmente claros que eu coloquei diretamente para eles quando eu tomei esta decisão”, disse a jogadora que, por isso, não jogará a Copa do Mundo Feminina, na França, em junho.

Nesta quarta-feira, a BBC perguntou à jogadora por que é tão importante para ela falar sobre igualdade. A jogadora respondeu e com excelentes pontos. Publicamos, a seguir, o que Ada Hegerberg falou sobre o tema.

O que eu acho que é importante para nós como jogadoras é sempre ficar com nossos pés no chão e sermos críticas a tudo que tem sido dito.

É ótimo que nós todos falemos sobre investimentos, mas precisa ter ação por trás também. Se não insistirmos pela mudança no futebol feminino para que vá na direção certa, isso não acontecerá por si só.

Eu acho que algumas vezes nós precisamos sair e pensar: estamos indo tão rápido quanto deveríamos estar? Estamos fazendo as coisas direito? Isso é tudo conversa?

Futebol é a minha maior paixão na vida e eu trabalhei realmente duro para chegar até aqui. É muito importante para mim, então, eu não posso sentar e assistir as coisas não indo na direção certa.

Seria fácil para mim jogar, fazer minhas coisas e ficar quieta. Mas é muito maior do que isso.

Ganhar todos esses títulos e ter todo esse sucesso te dá uma voz. Não se trata de mim. Nunca é sobre mim. É sobre ter uma mudança no esporte. Isso deveria motivar muitas outras também. Nós todas estamos nisso juntar.

Eu recebi uma pergunta de um jornalista se me considero uma jogadora ou alguém que luta por igualdade e eu disse que é impossível estar no futebol e não lutar por igualdade.

Nós todos estamos juntos nisso, para levar o nosso esporte na direção certa, nós iremos ser muito fortes.

Quanto mais as pessoas dão atenção ao pagamento igual, mais fácil fica. Eu acho que nós deveríamos olhar para nós mesmos e o que nós podemos fazer para desenvolver o esporte para melhorar o nível. Esse é o nosso maior trabalho.

Mas não se trata apenas de dinheiro. É sobre atitude e respeito. Nós estamos falando sobre jovens garotas tenham as mesmas oportunidades que os rapazes – darem a elas a mesma oportunidade para sonhar.

Se você pode mudar atitudes no começo, as coisas irão mudar.

Os homens de terno não podem ignorar isso. Eles irão entender um dia. Eles irão entender que se trata de sociedade e de futebol moderno.