O Hearts, um dos clubes mais tradicionais da Escócia, pediu que seus jogadores e funcionários aceitem um corte de 50% no salário, diante da crise do coronavírus. A dona do clube, Ann Budge, disse que a perda de receitas sem os jogos chega a £ 1 milhão. Em comunicado, o clube disse que decidiu tomar a atitude para “proteger o máximo de empregos possíveis” e evitar redundâncias, e diz que a situação atual é insustentável.

“A Federação Escocesa suspendeu o futebol no futuro próximo e, embora não haja data final especificada, é mais provável que não seja retomado até julho ou começo de agosto, no mínimo”, afirmou a dona do Hearts, Ann Budge. “Esta redução de receita não é sustentável sem tomar ação imediatamente de reduzir custos e despesas com pessoal”.

“Sendo assim, preciso agir com rapidez e tomar medidas agora para garantir que nós, como clube, possamos enfrentar essa tempestade, tentando garantir que estamos prontos para retomar as operações quando estivermos em águas mais calmas e o futebol reiniciar”, diz ainda a dirigente, em comunicado.

Segundo informado pelo Hearts, os funcionários receberão o salário normalmente até o final da semana. Os jogadores recebem normalmente até o fim de março. A redução proposta é para abril. Quem não aceitar a proposta receberá a chance de deixar o clube em acordo mútuo. A dona do Hearts garantiu que ninguém receberá menos que o salário mínimo de um trabalhador de tempo integral.

No começo da semana, surgiram relatos que os jogadores se ofereceram para devolverem salários, de forma a ajudar o clube. “Dada a incerteza de toda a situação que nós fomos apresentados, nós não podemos dizer por quanto tempo essas medidas valerão. Nós iremos, é claro, revisar continuamente esta situação”, afirmou Ann Budge.

“Quero assegurar a todos que estas decisões não foram tomadas facilmente. Se não estivesse absolutamente convencida que isto era necessário para o futuro e sustentabilidade do nosso negócio, eu não estaria pedindo aos meus empregados para enfrentarem esses cortes”, disse ainda a dona do Hearts.

O defensor Clevid Dikamona, francês de origem congolesa, de 29 anos, estava no clube escocês desde setembro de 2018. O jogador espera que o rompimento seja temporário e, uma vez que o futebol possa ser retomado, ele está disposto a voltar ao clube. “Faz alguns dias, poucas semanas desde que esta loucura com o vírus e a incerteza que o acompanha”, escreveu o jogador, em comunicado.

“Como vocês sabem, o clube, como todos os clubes, está passando por momentos difíceis. A dona Anna Budge pediu a todos os empregados do clube para reduzirem seus salários em 50% para ajudar o clube a lidar com esta situação”, continuou Dikamona. “Eu simplesmente concordei em ajudar o clube ao aderir ao pedido da dona”.

“E como eu indiquei, eu também estou pronto para reassinar o contrato com o clube assim que a situação fique clara e especialmente se o clube quiser me fazer uma proposta de contrato. Porque como todos sabem, eu estou ligado ao clube e o Hearts obviamente seria minha prioridade na próxima temporada”, explicou o jogador, que tinha contrato só até o final da atual temporada.

“O fim do meu contrato vem agora em vez de em maio simplesmente para me permitir voltar para a França agora com a minha família e em boa situação, e não por vontade de abandonar as minhas responsabilidades ou antecipar a janela de transferências, que na minha opinião será um grande desafio quando a situação ficar melhor. Tudo isso para dizer que não antecipei nada. Minha maior preocupação é o bem-estar da minha família e ajudar o clube. Eu desejo toda saúde e os vejo em breve”, terminou o zagueiro.

A situação é mesmo limite para os clubes e o Hearts ainda é dos que mais têm receitas depois de Celtic e Rangers. A situação, porém, é de incerteza. Parece uma medida dura pedir que funcionários aceitem um corte de salário. Por outro lado, é uma situação inédita também para os clubes. É um claro exemplo de por que o governo precisa agir em casos assim: é preciso evitar o colapso.

Os jogadores provavelmente conseguem lidar bem com isso, até por terem salários acima da média de cidadãos comuns, já que o Hearts é um clube grande. Mas o mesmo não pode ser dito de todos os funcionários do clube e dos trabalhadores comuns.