Há detalhes nos quais é possível perceber a importância de um técnico. Notar a maneira como o trato nos bastidores dá resultados em campo. E a vitória do Chelsea por 3 a 0 sobre o Southampton, um pouco menos tranquila do que o placar sugere, mais uma vez têm a participação de Maurizio Sarri. Isso fica óbvio pelo terceiro tento, em uma boa troca de passes dos Blues. Mas também pela confiança de alguns jogadores e pela mentalidade que ajuda a deixar o futebol mais leve. Falar sobre a boa fase de Eden Hazard é chover no molhado e, mais uma vez, o camisa 10 fez a diferença. Todavia, a participação decisiva de Ross Barkley, que recebeu críticas um tanto quanto desmedidas de Antonio Conte meses atrás e também foi claramente ignorado pelo italiano, indica que o ambiente é outro no clube londrino.

O Chelsea começou controlando o duelo em St. Mary’s. Foram 20 minutos de total domínio dos Blues, mas sem render muitas chances de gol, com dificuldades para entrar na área. E quando o Southampton acertou o seu jogo, depois desse período, causou problemas aos Blues. Os Saints conseguiram ser mais agressivos em suas ações e poderiam muito bem ter aberto o placar, em cruzamento que Danny Ings desperdiçou com o gol aberto. Custaria caro. Aos 30 minutos, os londrinos saíram na frente. Jogada que dependeu do empenho da marcação, com Barkley roubando a bola no campo de ataque e passando a Hazard definir. De frente para o gol, o camisa 10 só precisou tirar do goleiro. É o artilheiro da Premier League, com sete gols. Dava segurança ao seu time.

Somente no início do segundo tempo é que o Southampton voltou a incomodar. Por isso mesmo, o segundo gol se tornou fundamental. O lance aconteceu aos 12 minutos. Em cobrança de falta na intermediária, Willian levantou a bola no segundo pau. Jogada ensaiada em que Olivier Giroud teve ótima movimentação, passando pelas costas da marcação e aparecendo livre no segundo pau. Emendou um voleio mambembe, mas que serviu para encontrar Barkley do outro lado. O meio-campista mandou para dentro. Com um gol e duas assistências em todas as competições, o ex-jogador do Everton já fez mais com Sarri do que sob as ordens de Conte em 2017/18. Na Premier League passada, disputou míseros 131 minutos, metade dos 280 que acumula na atual campanha. Certamente é um dos mais gratos pela mudança de comando nos londrinos.

O Southampton ainda tentava descontar. Suas melhores chances vieram em chutes de fora da área. E quem brilhou foi Kepa Arrizabalaga, realizando duas defesaças, para ressaltar aos descrentes mais uma vez o goleiro de primeira linha que se projeta. A mais bonita veio em uma pancada de Nathan Redmond, na qual o espanhol voou para trás e triscou na bola, que ainda bateu no travessão antes de sair. Entre as substituições, Sarri promoveu a entrada de Álvaro Morata no lugar de Giroud, dando mais mobilidade ao ataque. Assim sairia o terceiro gol, já aos 47. Depois de triangulações fáceis, Hazard se projetou e deu o passe para Morata tocar na saída de Alex McCarthy. Volta a marcar na Premier League após jejum que durava desde a segunda rodada.

O Chelsea chega aos 20 pontos, assumindo provisoriamente a primeira colocação, mas terminando no máximo em segundo, a depender dos desdobramentos em Liverpool x Manchester City. Há ajustes óbvios a se fazer e não parece um time pronto. Mas a mudança de ares em Stamford Bridge é inegável. O Southampton, por sua vez, tem cinco pontos e é o 15°, duas posições acima da zona de rebaixamento.


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