O ano de 2018 foi muito bom para Harry Kane. Foram 63 jogos e 42 gols pelo Tottenham e pela Inglaterra, em um ano que foi o capitão do time na Copa do Mundo e que os ingleses foram até a semifinal – melhor resultado desde 1990. O canto de “It’s coming home” virou um hit na Inglaterra, com o time sonhando em, mais uma vez, levantar o título mundial que veio apenas em 1966. Kane confessou que a derrota na semifinal da Copa ainda dói e que ficará marcada. Antes disso, porém, Kane passou por muita coisa para provar que poderia chegar a esse nível.

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“Há diferentes caminho para jogadores de futebol”, disse Kane. “Alguns são lançados muito cedo e eles têm uma enorme habilidade e enorme talento e você pode ver isso. Eu? Eu tive que fazer isso ao sair por empréstimo, me provar aqui, e então voltar e talvez tendo que sentar no banco de reservas, esperando pela minha oportunidade para provar que eu era capaz de jogar neste nível”, declarou o centroavante.

“Durante toda a minha carreira eu tive que provar que as pessoas estavam erradas e quase jogar com um peso nas costas. A motivação é algo que está dentro de mim, instigado em mim: seja provar aos treinadores, amigos, família ou torcedores que eu posso fazer isso. É algo que traz o melhor de mim”, conta o jogador.

Formado na base do Tottenham, o jogador foi emprestado a Leyton Orient, Milwall, Norwich e Leicester entre 2011 e 2013. Foi só nesse ano que voltou ao clube e começou a insistir para jogar, apesar do técnico, André Villas-Boas, ter indicado que ele deveria sair por empréstimo mais uma vez. Passou a ter chances e ganhou a posição.

“Eu me dou bem com isso”, disse, sobre a questão de ter que se provar o tempo todo. “E eu acho que isso vem de querer provar que as pessoas estão certas. Eu queria provar que Gareth fez bem em me nomear capitão e eu sinto que fiz isso na Copa. Ser um atacante significa que as pessoas olham para você e esperam que você faça gols, mas ser um capitão significa que eles esperam eu você faça ainda mais. É sobre me provar toda vez que eu jogo”, continuou o centroavante.

“Eu sou alguém que os sonhos vão para o mais alto nível, que quer ir para o mais alto nível, estar no mais alto nível. Eu prefiro fazer isso e faltar um pouco do que colocar minha ambição mais para baixo. Eu irei fazer tudo para ser o melhor de todos os tempos. Esse é o pensamento que você tem que ter”, disse o treinador.

Kane tem 121 gols em 170 jogos na Premier League, 13 gols em 16 jogos na Champions League e 20 gols em 35 jogos pela seleção inglesa. Números excelentes para um centroavante. Chegar ao alto nível, depois de não ser visto como um grande talento, tem uma inspiração de outro esporte que Kane já contou em um texto no Players’ Tribune: Tom Brady. O quarterback do New England Patriots foi a 199º escolha no draft do seu ano e se tornou um dos maiores da história do esporte.

“É uma inspiração real. Ver como ele se tornou o melhor de todos os tempos com as pessoas duvidando dele. Ele foi o 199º escolhido no draft. 199º! Isso mostrou que no esporte, tudo é possível. E na vida também”, disse Kane. “Isso me deu uma enorme autoconfiança que eu poderia conseguir; eu ia conseguir provar a mim mesmo nos grandes palcos. Minha carreira foi um pouco similar. Espero que eu possa vencer alguns títulos e ser lembrado como um dos grandes atacantes do mundo”, disse o jogador do Tottenham.

Antes da Copa, Kane disse que acreditava que a Inglaterra poderia ganhar a Copa do Mundo. “Eu queria dizer porque eu realmente acreditava nisso. “Não há sentido ir para lá apenas para avançar da fase de grupos ou mesmo para ser terceiro ou quarto. Não há nada errado em dizer que nós queremos vencer, isso tem que ser dito”, afirmou o jogador.

“Nós acreditávamos e foi importante que os torcedores soubessem disso. Nós não estávamos indo para apenas fazer parte disso. Nós estávamos indo lá para tentar, ter o desempenho e mostrar nós mesmos no palco mundial. Então, foi importante para mim determinar esse tom, fosse na coletiva de imprensa, ou quando estávamos falando disso entre nós”, disse Kane.

“Eu sempre irei acreditar em mim mesmo. E eu sempre irei dar uma resposta honesta. No dia em Volgogrado eu obviamente não sabia o que aconteceria, mas eu sabia que era capaz de marcar gols. Eu tive a experiência de ir para a Eurocopa alguns anos antes e foi um desempenho profundamente decepcionante pessoalmente e para o time”, contou Kane sobre a estreia na Copa.

“Então eu senti que eu tinha realmente um ponto a provar indo para a Copa do Mundo. Eu estava indo bem pelo clube e seleção nesses jogos, mas este era o maior palco de todos, a Copa do Mundo, e eu realmente queria provar ao mundo que eu pertencia a esse lugar”, disse.

Kane contou que a confiança estava alta no jogo contra a Colômbia, que o time se classificou nos pênaltis, algo inédito para a seleção inglesa. “É difícil explicar o que aconteceu depois, para ser honesto, mas foi depois disso que nós realmente acreditamos que nós iríamos percorrer o caminho todo. Por que não? Nós provamos a nós mesmos que nós poderíamos avançar em um jogo de mata-mata, que poderíamos vencer nos pênaltis. Nos vestiários, foi incrível”, contou Kane.

A Inglaterra acabou eliminada pela Croácia na semifinal, na prorrogação. Algo que ainda dói para os ingleses. “Nós estávamos tão perto, e isso é o mais difícil de aceitar”, disse. “Nós estávamos orgulhosos, mas como jogadores profissionais, somos vencedores. Nós queremos vencer. Nós estávamos lá para vencer. Isso era genuinamente o nosso objetivo: vencer o torneio. Nós estávamos muito perto, a um jogo, a minutos, de jogar uma final de Copa do Mundo que seria o jogo das nossas vidas”, contou Kane.

“Dói. Ainda dói. Machuca ainda agora falando sobre isso. Nós queremos usar isso, porém, para mudar as coisas em dois anos [na Eurocopa 2020], em quatro anos [na Copa de 2022]. Mas eu não vou mentir: ficará marcado pelo resto das nossas carreiras. A única coisa que podemos fazer, porém, é ir até lá e fazer melhor na próxima vez”, confessou Kane.