Mesmo proibidos nos estádios europeus, os shows pirotécnicos, aquelas coreografias com fumaças e chamas, continuam fazendo parte da cultura dos torcedores, em poucos lugares tanto quanto na Alemanha. A desobediência civil das arquibancadas geraram muitas multas e, recentemente, também uma discussão sobre como tornar essa expressão de apoio legal. Neste sábado, o Hamburgo dará um passo importante nesse sentido com o primeiro teste aprovado e supervisionado em sua partida contra o Karlsruher, pela segunda divisão da Bundesliga.

A Federação Alemã deu permissão aos torcedores do Hamburgo, um dos maiores infratores da proibição na Alemanha, para soltar dez bombas de fumaça atrás do gol do Volksparkstadion, sob a supervisão de especialistas em pirotecnia e com o corpo de bombeiros a postos com extintores de incêndio e baldes de areia, caso algo dê errado. A experiência ainda pode ser cancelada pelas autoridades dependendo das condições climáticas.

A entidade deixou claro que a permissão ainda é uma exceção, mas deixou aberta a porta para que outros pedidos sejam submetidos à sua aprovação. “Isso só pode ser concedido se o próprio organizador (do jogo) assumir a responsabilidade pelo uso controlado da pirotecnia”, afirmou a DFB, em seu site.

Segundo a Deutsche Welle, a última temporada da Bundesliga gerou € 1 milhão em multas pelo uso indevido de pirotécnicas nos estádios, mas o clube mais dissidente foi o Hamburgo, da segunda divisão, com um total de € 294 mil pagos em sanções. No dérbi da cidade contra o St. Pauli, os dois clubes precisaram pagar € 320 mil (€ 120 mil para o Hamburgo, € 200 mil para o St. Pauli), embora os valores tenham sido posteriormente reduzidos (para € 90 mil e € 140 mil, respectivamente).

Apesar do prejuízo financeiro, o clube apoia as iniciativas dos torcedores. “Algo que é comum em shows de música não pode ser proibido no futebol”, afirmou o presidente do Hamburgo, Bernd Hoffman, segundo o veículo alemão, que lembrou um teste mal sucedido do Werder Bremen com a “pirotecnia fria”, no verão de 2019.

Segundo a DW, o teste falhou porque descobriram que o produto desenvolvido na Dinamarca emitia gases nocivos e ainda queimava em uma temperatura alta de entre 300 e 500 graus celsius. As chamas comuns alcançam 2.500 graus celsius. No entanto, a turma do Copa 90 registrou o sucesso dessa alternativa em um jogo do Brondby.

O mais importante, porém, é que em vez de insistirem em uma proibição que não funciona, as autoridades alemãs estão buscando maneiras de tornar a prática legal e segura para todo mundo.

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