O ex-jogador Hakan Sukur, aquele mesmo que defendeu a Internazionale e foi um dos destaques da Copa do Mundo de 2002, será processado pela promotoria turca por insultar o presidente do país Recep Tayyip Erdogan (e o seu filho) e pode pegar até quatro anos de prisão se for condenado, informa a agência de notícias Dogan.

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Os insultos foram publicados no Twitter de Hakan Sukur, mas não foi divulgado exatamente qual o tipo de mensagem que motivou a ação dos promotores, nem o teor das postagens. Sukur defendeu-se dizendo que não visava o presidente nas suas críticas. Não colou. A promotoria rebateu que os tuítes eram “claramente relacionados” a Erdogan. Pelas acusações movidas contra o ex-jogador, a pena é de até quatro anos. Uma audiência preliminar deve ser realizada nas próximas semanas.

Sukur disputou sua última partida profissional pelo Galatasaray, em 2008, e três anos depois entrou na política. Foi eleito membro do parlamento pelo partido de Erdogan, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). Mas rachou com o seu grupo político em 2013, quando Erdogan articulou o fechamento de escolas preparatórias para o vestibular, ou dershanes, que eram uma das principais bandeiras do movimento Hizmet. Sukur continuou no parlamento como independente.

O movimento Hizmet é liderado pelo imã Fethullah Gülen e oficialmente, segundo seus membros, tem o objetivo de “promover a coexistência pacífica entre religiões e culturas, a democracia e a liberdade de pensamento”, usando centro culturais, escolas, mídia, hospitais e fundações como instrumentos. No entanto, os inimigos de Gülen alegam suas verdades intenções são promover um golpe de Estado na Turquia e instaurar um governo teocrata.

Gülen já foi aliado de Erdogan na política turca, mas, desde o racha, os dois são inimigos políticos, e o movimento Hizmet tornou-se uma das principais oposições à situação.