O Liverpool viveu um jogo de muitas emoções diante do Crystal Palace. O time de Londres mostrou mais uma vez que é perigoso, depois de vencer, em dezembro, o Manchester City atuando na casa do adversário. Desta vez, outra vez, causou problemas ao mandante, fez três gols, mas perdeu o jogo: 4 a 3 para o Liverpool em um jogo de muitas trapalhadas defensivas. Especialmente do Crystal Palace, sim, mas o Liverpool também deu bobeiras que poderiam evitar tomar três gols em casa, como aconteceu. De qualquer forma, uma vitória importante para o líder da Premier League.

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O técnico Jürgen Klopp trouxe algumas novidades na escalação. Sem o lateral direito Trent Alexander-Arnold, escolheu James Milner como substituto. No ataque, Naby Keita começou atuando pelo lado esquerdo, com Sadio Mané deslocado para o lado direito. Roberto Firmino jogou atrás do atacante, novamente Mohamed Salah. Por sua vez, o Crystal Palace armou um time bastante defensivo: um 4-5-1, com duas linhas defensivas, tentando impedir o espaço especialmente pelos lados do campo.

O jogo começou como esperado: o Liverpool alugava o campo de ataque, mantendo o Crystal Palace na defesa. Os londrinos pareciam saber que seria assim e buscavam encontrar uma brecha, um espaço, uma saída fatal em contra-ataques. Só que o Liverpool ia bem, atacante, cercando a área e buscando achar um gol para quebrar um pouco da sólida defesa apresentada pelo time do técnico Roy Hodgson.

Aos 34 minutos, o Crystal Palace conseguiu o que estava preparado para fazer: contra-ataque. Foi assim que o time abriu o placar. Wilfred Zaha recebeu pela esquerda, em velocidade, e com sua conhecida habilidade no confronto de um contra um, foi à linha de fundo e cruzou para trás. O atacante Andros Townsend, que começou a jogada aberto na direita, se movimentou bem para receber e finalizar bem, marcando 1 a 0 no placar. Choque em Anfield. O domínio dos mandantes não foi suficiente para que o time abrisse o placar.

No primeiro minuto do segundo tempo, o Liverpool já empatou o jogo. Em um chute de longe do zagueiro Virgil van Dijk, um desvio fez com que a bola caísse no meio da área e Salah, esperto e bem posicionado, tocou com a bola no alto para marcar: 1 a 1. O empate tão cedo no segundo tempo acendeu o estádio e o time do Liverpool, que veio com força para cima. Logo depois do gol, o lateral Andrew Robertson avançou pela esquerda e, aproveitando a liberdade, chutou cruzado, mas a bola foi fora.

Com uma pressão muito forte, o Liverpool alcançou a esperada virada antes dos 10 minutos do segundo tempo. Robertson pegou rebote de fora da área, tocou na esquerda para Keita, que achou Firmino dentro da área. O atacante recebeu, puxou para o pé direito e chutou. A bola ainda desviou, mas entrou: 2 a 1, aos sete minutos.

Só que o empate viria e aproveitando uma jogada muito desejada pelo Palace: os escanteios. Em cobrança de Luka Milivojevic, James Tomkins subiu livre de cabeça e marcou, igualando o marcador aos 20 minutos. Um frio na espinha veio em Anfield: será que o time desperdiçaria pontos novamente, como acontecia com tanta frequência na temporada passada? Eis que os Reds mostraram a diferença da temporada passada nos minutos seguintes.

A pressão era enorme o campo de ataque e o Liverpool parecia determinado a arrancar o gol da vitória, fosse como fosse. E o gol saiu aos 30 minutos. Depois de uma blitz dentro da área do Crystal Palace, a bola foi lançada para Milner no lado direito e o jogador cruzou de primeira para o meio. O goleiro Julian Speroni foi socar a bola e jogou para cima. Ela caiu atrás dele, onde Salah só completou para o gol vazio. Uma trapalhada incrível do goleiro, de 39 anos. Foi o 16º gol de Salah na Premier League, artilheiro da competição até aqui.

Se os torcedores acharam que teriam tranquilidade dali em diante, se enganaram redondamente. Mesmo melhor no jogo, com mais ataques, o time do Liverpool sofria quando era atacado. E o jogo ganhou contornou dramáticos nos minutos finais. Aos 43 minutos, James Milner recebeu o segundo cartão amarelo depois de uma entrada muito forte em Zaha e foi expulso. Em seguida, o Liverpool teve a chance do quarto gol em um contra-ataque iniciado por Salah, que Mané teve a chance de finalizar, mas errou o domínio e não finalizou bem, mandando para fora um chute cruzado de pé esquerdo.

Com 47 minutos no placar, o Liverpool pareceu dar o passo definitivo para a vitória. Recebeu de Andrew Robertson, passou pela marcação na ponta esquerda e, já dentro da área, finalizou com precisão, tocando colocado e tirando do goleiro Speroni: 4 a 2. Bom, jogo acabado, certo? Na verdade, não. E Anfield ainda teria alguns momentos de falta de ar até o apito final.

Isso porque logo em seguida, Connor Wickham, que tinha entrado na reta final do jogo para reforçar as linhas ofensivas do Palace, conseguiu achar Max Meyer no meio da área, livre, e o alemão tocou colocado e marcou: 4 a 3, aos 48 minutos. Seria possível um empate? O Crystal Palace fez o que todo time deve fazer nessa situação: acreditou. E no lance seguinte, levou novamente perigo, pressionando e aproveitando que o Liverpool ainda estava pisando em ovos. Só que não deu tempo de outro ataque e o árbitro Jonathan Moss encerrou o jogo.

Três pontos suados, mas muito importantes para o Liverpool manter o ritmo forte na liderança da Premier League. O Reds chegaram a 60 pontos, abrindo sete do Manchester City (que pode voltar a ficar a quatro se vencer, como esperado, o Huddersfield). O Crystal Palace é o 14º, com 22 pontos.