O Haiti segue imparável na Copa Ouro 2019. Depois do 100% de aproveitamento na fase de grupos, a seleção haitiana bateu o Canadá por 3 a 2, de virada, pelas quartas de final, e agora enfrenta o México na semifinal da competição da Concacaf.

Durante pouco mais de 45 minutos, pareceu que o Haiti havia encontrado seu limite na Copa Ouro deste ano. Após 100% de aproveitamento na fase de grupos, os haitianos se viram diante de um forte e intenso Canadá no primeiro tempo do duelo de quartas de final na noite de sábado (28). Porém, os granadeiros estão na competição para desafiar o improvável. Depois de sair perdendo por 2 a 0, o Haiti virou para 3 a 2 no segundo tempo e garantiu a vaga à semifinal do torneio.

O Canadá foi bastante dominante no primeiro tempo. Aos 18 minutos, Jonathan David, que defende o Gent, da Bélgica, abriu o placar para os canadenses com um chutaço. Dez minutos mais tarde, Lucas Cavallini, atacante do Puebla, do México, ampliou para 2 a 0 em bonito lance, driblando o goleiro antes de empurrar para as redes. Com o futebol que jogava, o Canadá poderia perfeitamente ter levado uma vantagem ainda maior para o intervalo, com o mesmo David que abrira o placar acertando o travessão em uma cobrança de falta.

De volta para o segundo tempo, o Haiti se transformou – mas contou também com uma ajudinha do goleiro Milan Borjan para iniciar sua reação. Aos cinco minutos da etapa complementar, a comunicação entre o arqueiro e o lateral Marcus Godinho falhou, e Borjan dividiu a bola com o atacante Duckens Nazon. Um passe perfeitamente suficiente e que se transformou em uma bola curta. Nazon não perdoou, tomou a posse e mandou para a rede.

Aos 25 minutos do segundo tempo, Godinho foi incrivelmente inconsequente e fez pênalti claro em Hervé Bazile. O próprio camisa 7 bateu a penalidade e converteu para empatar o jogo em 2 a 2. Por fim, cinco minutos depois, Nazon encontrou Wilde-Donald Guerrier com um belo passe em diagonal cortando as linhas de marcação canadenses. O camisa 10 dominou tirando da marcação, driblou o goleiro na sequência e bateu para concretizar a improvável virada.

O Canadá chegou a empatar aos 39 minutos do segundo tempo com Hutchinson, após cobrança de falta levantada na área por Alphonso Davies, do Bayern de Munique, mas o jogador do Besiktas estava em posição de impedimento, e o gol foi anulado. Bastou então ao Haiti segurar o resultado até que o jogo se encerrasse e a história fosse feita.

Com muita dedicação e sede de escrever ainda mais capítulos marcantes, o time hoje treinado por Marc Collat toma inspiração na potência haitiana dos anos 1970. Naquela década, quando a Copa Ouro ainda se chamava Campeonato da Concacaf, o Haiti chegou às finais de todas as três edições disputadas, vencendo em 1973 o seu único título e conquistando o segundo lugar em 1971 e 1977.

O triunfo sobre os canadenses significa que os haitianos fazem agora, em 2019, sua melhor campanha desde o vice-campeonato em 1977. Porém, depois da maneira como aconteceu a vitória, dificilmente eles se darão por satisfeitos com um quarto lugar. “Estamos, enfim, na história, mas não está acabado. Queremos ir muito mais alto. Então, o céu é o limite”, resumiu o decisivo Duckens Nazon.

Ochoa brilha nos pênaltis

Depois do 1 a 1 no tempo normal, com gols de Raúl Jiménez e Bryan Ruiz, de pênalti, a prorrogação entre México e Costa Rica não definiu o classificado no outro jogo da chave, e a disputa foi para as penalidades máximas. Jiménez parou no goleiro Leonel Moreira logo na primeira cobrança, e Celso Borges colocou os Ticos na frente. Randall Leal mais tarde perdeu o seu, possibilitando que o México levasse os pênaltis para a disputa alternada. Carlos Salcedo então marcou para os mexicanos e, sem dar sopa ao azar, Ochoa saltou decidido para o canto direito e pegou com autoridade a cobrança de Keysher Fuller, classificando El Tri para enfrentar o Haiti na semifinal.