Poucos defensores foram tão completos quando Paolo Maldini. Afinal, poucos puderam ser tão bem moldados para o ofício quanto a lenda italiana. O garoto aprendeu as primeiras lições dentro de casa, com Cesare Maldini, de quem herdou a genética privilegiada. Já no Milan, teve o melhor espelho possível ao atuar do lado de Franco Baresi, o líbero mais fantástico do futebol italiano. E, logo nos primeiros anos como profissional, ainda recebeu as orientações de Arrigo Sacchi, o revolucionário da máquina rossonera.

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Não à toa, Maldini parecia pronto para liderar o Milan logo em sua estreia. O garoto de 16 anos entrou em campo pela primeira vez em 20 de janeiro de 1985, para substituir o lesionado Sergio Battistini no segundo tempo da partida contra a Udinese. Não teve o trabalho de marcar Zico, o astro dos friulani que sequer entrou em campo por causa de uma contusão. Ainda assim, teve 45 minutos irretocáveis, ajudando os rossoneri a buscarem o empate por 1 a 1.

Aquela foi a única partida de Maldini na Serie A 1985/86. Uma temporada depois, no entanto, o prodígio passou a tomar conta do lado esquerdo da defesa com o técnico Nils Liedholm. Na sequência, conquistou o seu primeiro Scudetto. E, aos 22 anos, já era bicampeão da Champions, além de titular da seleção italiana que passou cinco jogos sem sofrer gols na Copa de 1990. A aposentadoria de Baresi passou de vez a liderança do Milan e da Itália para Maldini, herdeiro da braçadeira nas duas equipes. Para que o pupilo seguisse quebrando recordes e conquistando títulos até 2009.

No San Siro, Maldini se aposentou com seis títulos da Serie A e cinco da Champions, além de mais de 900 partidas com os rossoneri. Feitos suficientes para que aposentassem a camisa 3 após 24 anos de serviços prestados, o manto respeitado por Ronaldo, Zidane, Baggio e os outros grandes craques que enfrentou. Já pela Azzurra, o defensor não teve a mesma sorte. Mesmo sendo o recordista de minutos em Copas do Mundo e eleito para as seleções do torneio em duas edições, nunca ergueu a taça que tanto merecia. Em 1994, mesmo jogando demais e apontado como terceiro melhor na Bola de Ouro daquele ano, o pênalti desperdiçado por Roberto Baggio atrapalhou a sua consagração.

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Maldini ainda tinha bola em 2006, mas havia se aposentado da equipe nacional quatro anos antes, como o jogador com mais partidas pela equipe. De longe, viu o triunfo de Nesta (que, apesar do talento, estava machucado) e Fabio Cannavaro, seus grandes pupilos. Ao pendurar as chuteiras, o veterano servia de grande exemplo por seu posicionamento, tempo de bola, liderança. O defensor clássico que não precisava de força, apenas de inteligência para chegar segundos antes na bola do que alguns dos melhores atacantes do mundo. E o seu legado com a camisa rossonera poderá perdurar por mais alguns anos, a partir de Christian Maldini, o filho de 18 anos que atua na lateral esquerda da base do Milan. Se conseguir metade do craque que o pai foi, já deverá estar entre os melhores do mundo na posição.

Na sequência, dois vídeos: o empate entre Milan e Udinese em 1985, além de alguns lances geniais de Maldini: