Há motivos para ficar preocupado com o Sheffield United?

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O Sheffield United começou mal a Premier League: três jogos, três derrotas, nenhum gol marcado. Uma campanha mais próxima ao que se esperava quando os Blades subiram aparentando ser um dos times mais fracos da liga do que com a surpreendente equipe que chegou a brigar a sério por vaga em competições europeias antes de cair de rendimento depois do lockdown. A questão é: uma das menores folha salariais do campeonato virou abóbora ou é só uma oscilação momentânea? Em resumo, há motivos para ficar preocupado com o Sheffield United?

Até a paralisação do Campeonato Inglês, em março, o Sheffield United havia perdido apenas sete vezes, quatro delas para Liverpool e Manchester City, os dois times mais fortes do país, e outra para o Leicester. Havia somado 43 pontos em 28 rodadas. Nas dez partidas finais condensadas entre junho e julho, conseguiu apenas 11 pontos, com três vitórias, dois empates e seis derrotas, e acabou em nono lugar.

A pausa fez mal aos Blades, em parte porque interrompeu o embalo de uma equipe que em seus melhores momentos se destaca pela organização, pelo espírito de luta, pela coletividade. Mas há outros dois fatores importantes. O primeiro é que o calendário com dois jogos por semana quase todas as semanas tem muito peso em um elenco curto como o de Chris Wilder, que quase sempre usa os mesmos 11 jogadores.

O segundo é que, se a atitude e a postura têm um papel tão importante no jogo do Sheffield United, a ausência de torcida os atrapalha mais do que a outros times. “Não vou mentir. Não é a mesma coisa”, admitiu o capitão Billy Sharp. “Jogos fora de casa, você está no ônibus, vê os torcedores, você entra no clima. Quando sai para aquecer, a adrenalina começa a crescer e é difícil. Os torcedores são a maior parte do esporte e não é a mesma coisa sem eles, definitivamente”.

Como o governo avisou que existe a possibilidade de os estádios continuarem vazios pelo menos até março, o Sheffield United precisará encontrar outro jeito de encontrar essa adrenalina que vem faltando. E para falar a verdade, as três derrotas deste início de campeonato podem ser colocadas nas contas das circunstâncias e de adversários bem fortes. A estreia foi contra o Aston Villa. Derrota por 1 a 0, com John Egan, dos Blades, expulso aos 12 minutos do primeiro tempo e um pênalti perdido por John Lundstram antes do intervalo.

O segundo adversário foi o Wolverhampton, sempre um osso duro de roer, e o Sheffield United se viu perdendo por 2 a 0 com seis minutos de jogo. Em seguida, perdeu por 1 a 0 do Leeds, com gol de Patrick Bamford no finzinho de um jogo em que teria marcado não fossem algumas defesas importantes do goleiro Ilan Meslier.

Vale a pena também dar uma olhada nos números. A The Athletic separou os números do Sheffield United pré-paralisação, naquelas dez rodadas em maratona e nessas três primeiras e identificou que houve realmente uma queda em indicadores importantes – e que eles começam a se recuperar.

Em finalizações, por exemplo, o Sheffield United teve média de 10,2 nas 28 primeiras rodadas da Premier League e caiu para 6,7 nas dez finais. Nessas três primeiras, voltou a 9,3. O Expected Goals, estatística avançada que calcula a expectativa de gols marcados com base na qualidade de finalizações, estava em 1,2 por jogo, caiu para 0,9 e voltou para 1,1.

O total de cruzamentos, importante no sistema de Wilder que lança os zagueiros ao ataque para ganhar superioridade numérica pelas pontas e abrir espaço para jogar a bola na área, caiu de 17,2 para 15,2 e permanece mais ou menos nesse patamar, em 15,3. Por outro lado, a quantidade de toques na bola na área adversária foi de 21,6 para 16,6 e agora subiu para 23,7, o que indica que, apesar de um número menor de centros, o United tem encontrado outras maneiras de se aproximar do gol do oponente.

Defensivamente, o Sheffield United teve 16,8 desarmes por partida antes da paralisação, caiu para apenas 14,1 e agora está de volta a 16.  O número de bloqueios viajou entre 2,9 para 2,5 e disparou para 3,3 nessas primeiras rodadas. O único desses indicativos que segue em queda é a média de dribles: 16,2 – 13,5 – 12,3. O segundo maior driblador do time, John Fleck, perdeu cinco das dez rodadas pós-paralisação e disputou apenas um jogo e meio nesta nova edição da Premier League.

Esses números indicam que houve realmente uma queda de desempenho depois da paralisação, mas que o Sheffield United começa a se recuperar. Enfrentou pelo menos dois adversários que devem ficar na parte de cima da tabela e o vento não bateu a seu favor. Mesmo quando ameaçava se enfiar entre os quatro primeiros, sempre trabalhou com margens pequenas. Foram apenas três vitórias por pelo menos dois gols de diferença antes da pausa e apenas um jogo marcando pelo menos três vezes, então qualquer maré de azar custa caro.

Portanto, ainda parece cedo para ficar preocupado com o Sheffield United, pelo menos em termos de uma briga séria contra o rebaixamento, por exemplo. Os principais méritos da equipe seguem presentes, por mais que a torcida faça falta, e ainda há muito campeonato pela frente.

Kick and Rush

Vardy celebra no Etihad (CATHERINE IVILL/POOL/AFP via Getty Images/One Football)

– Quem deve realmente se preocupar é o Fulham. Levou dez gols em três jogos e perdeu todos eles. Não era para fazer dezenas de contratações, como na temporada retrasada, mas ainda há gargalos no elenco. O dono do clube, Tony Khan, prometeu novos reforços em breve, especialmente para a zaga. E prometeu também mais empenho, o que sempre ajuda.

– O começo de temporada do Everton continua perfeito. Derrotou o Tottenham, um dos integrantes do grupo de elite da Premier League, goleou o West Brom e desviou da casca de banana que costuma ser o Crystal Palace, com vitórias folgadas pela Copa da Liga no meio do caminho que lhe permitiram mostrar a força do elenco. É para o torcedor realmente ficar otimista, especialmente pelo nível de desempenho.

– Quando foi anunciado que Vardy, 34 anos, assinou contrato até 2023, era razoável pensar que era uma medida arriscada do Leicester, mas o artilheiro da última Premier League ainda não deu nenhum sinal de que pretende desacelerar. Começou a nova campanha com cinco gols em três partidas, com direito a uma tripleta contra o Manchester City, que novamente mostrou problemas defensivos preocupantes.

– Falando nisso, a contratação de Rúben Dias é interessante e segue o perfil de apostar em jovens talentos mais estabelecidos. Deve ajudar, pode até se tornar o jogador que o City precisa e resolver a questão defensiva, mas ainda não é a presença dominante que seria Koulibaly ou que era Vincent Kompany. Então, ainda precisamos ver como funcionará na prática.

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