Difícil imaginar um investimento mais bem feito pelo Barcelona nos últimos anos do que aquele, firmado em 21 de julho de 2003. Por € 32,25 milhões, os culés deram uma guinada. Ronaldinho Gaúcho chegava ao Camp Nou para encerrar um jejum de cinco anos sem títulos. Mais do que isso, para conquistar uma Liga dos Campeões e dois Campeonatos Espanhóis. E muito, mas muito mais importante, para criar um encanto único na combinação entre o sorriso dentuço, a camisa blaugrana e as mágicas com a bola nos pés.

A passagem de cinco anos pela Catalunha, lógico, não foi perfeita o tempo todo. Duas temporadas para a história, duas muito boas e uma decepcionante. No entanto, o tempo ajuda a apagar os fracassos, deixá-los no passado. Fica a lembrança daquele que, como gostavam de proclamar, parecia ousado o suficiente para ameaçar os postos de Maradona e Pelé no Olimpo do futebol.

Não deu. O alto nível foi perdido e o Barcelona decidiu apostar em uma renovação sem o brasileiro. Ganhou bem mais títulos depois, protagonizados por Lionel Messi. Aquele menino que Ronaldinho apadrinhou quando subiu ao profissional dos blaugranas e que a intuição apontava que seria seu sucessor como estrela da companhia. A mesma camisa 10, mas comportamentos diferentes, estilos diferentes. Foi-se embora o malabarista, ascendeu o atirador de facas. Igualmente geniais, mas com maneiras distintas de dar espetáculo.

Ronaldinho poderia ter feito mais no Barcelona? Provavelmente. Talento não faltava, mas o comprometimento, evidentemente, não era o mesmo. O gaúcho não deve reclamar, ganhou o tempo aproveitando ainda mais a vida, sem tantas cobranças profissionais. Da mesma forma, os culés foram muito felizes com o que tinham. Ficou a lenda. Difícil encontrar outro momento em que uma bola de futebol foi tratada com tanta magia quanto naqueles dois anos espetaculares.

Só resta relembrar: