Há 60 anos, a primeira final da Champions já eternizava um épico: Real Madrid 4×3 Reims

A primeira decisão da história da Copa dos Campeões logo contou com um jogaço entre duas potências da época

A decisão da Liga dos Campeões costuma ser um momento único da temporada. O torneio de clubes mais importante da Europa carrega consigo enormes expectativas, não apenas pelo valor da taça, mas também por todos os interesses que agrega. Um ritual que se repete desde 1956, e que teve a sua primeira edição há exatos 60 anos. Em 13 de junho, o Parc des Princes recebeu 38,2 mil pessoas para a primeira final da recém-criada Copa dos Campeões. Logo viram um dos jogos mais emblemáticos da história do torneio, com o Real Madrid iniciando o pentacampeonato graças à virada sobre o Stade de Reims por 4 a 3.

Indiscutivelmente, a decisão da Champions colocou frente a frente duas potências. O Real Madrid começou sua trajetória engolindo o Servette, com 7 a 0 no placar agregado. Depois, tomou um susto diante do Partizan, ao golear por 4 a 0 em Madri e depois perder por 3 a 0 em Belgrado. Já na semifinal, a vitória em casa sobre o Milan por 4 a 2 valeu a classificação, apesar do 2 a 1 na volta. O Stade de Reims, por sua vez, largou superando o Aarhus. Nas quartas, protagonizou um épico diante do Vörös Lobogó, uma das bases da fortíssima seleção húngara, com vitória por 4 a 2 em Paris e empate por 4 a 4 em Budapeste. Por fim, os franceses selaram a vaga na decisão de maneira mais tranquila, batendo o Hibernian com dois triunfos.

A presença das duas equipes era ótima para a organização da Copa dos Campeões. Os franceses tiveram papel primordial na idealização do torneio e, não por menos, o Parc des Princes sediou a primeira final. Além disso, no ano anterior, o Real Madrid venceu o Stade de Reims por 2 a 0 na decisão da Copa Latina, importante torneio da época, que reunia clubes de Espanha, Itália, França e Portugal. Embora os participantes não fossem necessariamente os campeões nacionais, serviu de embrião para o que se concretizou com a Champions.

Em Paris, o Stade de Reims parecia pronto para uma revanche. A equipe treinada por Albert Batteux abriu dois tentos de vantagem no placar, com os gols de Leblond e Templin saindo antes dos 10 minutos, enquanto Kopa viu o terceiro ser salvo em cima da linha. Ao menos a resposta merengue não tardou, com Di Stéfano reduzindo a diferença aos 14 e Rial empatando aos 30. Na segunda etapa, os franceses voltaram a agitar a torcida com o terceiro gol, de Hidalgo. No entanto, o Real Madrid estava mesmo predestinado ao sucesso. Marquitos e Rial determinaram a vitória por 4 a 3.

Depois daquela final, o Real Madrid se reforçou ainda mais. Aos poucos, chegariam nomes como Puskás, Santamaría e o próprio Kopa. Já o Stade de Reims teve outra chance de ficar com a taça em 1959, desta vez com Fontaine e Piantoni como protagonistas. De novo sofreu diante dos merengues, já que Mateos e Di Stéfano possibilitaram a vitória por 2 a 0 no Neckarstadion, em Stuttgart. Era o quarto título do maior esquadrão da história da Champions.