A Conmebol anunciou que investigará as acusações do Tigre, e promete tomar as medidas cabíveis, mas não perdeu tempo e já deu o título – e o troféu – ao São Paulo. Talvez tenha se lembrado de um caso de 50 anos atrás, em que outra decisão de um torneio seu não foi concluída por confusão em campo e teve de ter uma nova partida para decidir.

Foi na Copa Libertadores de 1962. Santos e Peñarol decidiam o título. No jogo de ida, no Centenário, o Peixe havia vencido por 2 a 1 de virada. Na Vila Belmiro, o jogo caminhava do mesmo modo. Spencer abriu o marcador, mas Dorval e Mangálvio empataram ainda no primeiro tempo. O título estava próximo, mas a partida era polêmica.

Os santistas reclamavam de dois pênaltis que não teriam sido marcados pelo chileno Carlos Robles. A situação ficou mais conturbada quando o equatoriano Spencer empatou a partida novamente. Segundo os jogadores do Santos, um jogador peñarolista teria jogado areia nos olhos de Gilmar. A gota d’água foi o terceiro gol do Peñarol, aos 11 minutos do segundo tempo, após uma suposta falta de Sasía em Calvet.

Jogadores reclamaram com o árbitro, a confusão se espalhou para as arquibancadas e a torcida atirou garrafas no campo. O jogo foi interrompido, óbvio. Mas seguiu. Pagão empatou a partida aos 22 minutos. O jogo terminou aos 40 minutos, quando o árbitro voltou atrás após dar um pênalti ao Peñarol.

Após todo esse rolo, jornais de São Paulo saíram no dia seguinte com a manchete “Santos Campeão da América”. Mas, bem, não era. Robles considerou a partida encerrada por falta de segurança logo após o terceiro gol uruguaio. Segundo ele, o resto do jogo teve caráter amistoso para arrefecer os ânimos da torcida. O Santos precisou de um jogo extra, em Buenos Aires (3 a 0) para comemorar seu primeiro título continental.

Naquela oportunidade, a falta de clareza da Conmebol fez que ninguém saísse de campo sabendo exatamente o que havia ocorrido e como o campeonato seria resolvido. Pelo menos esse erro a Conmebol não repetiu nesta quarta no Morumbi.