Um incauto que observa a foto da equipe posada deve pensar que aqueles cabeludos e barbudos são na verdade uma banda de rock fazendo as vezes de time de futebol. Se fosse de fato um grupo musical, seria formado por instrumentistas virtuoses: o America que conquistou a Taça Guanabara de 1974 há exatos 45 anos marcou época no futebol carioca e brasileiro em meados dos anos 70 com um jogo ofensivo, em que predominava a técnica.

Se ter conquistado apenas um turno do estadual parece pouco, a vitória naquela Taça Guanabara – então um título de grande prestígio – serviu para eternizar aquele esquadrão rubro entre os inesquecíveis do período. Se talvez tenha faltado maior força política para se resguardar nos bastidores, ou mesmo cabeça fria na hora de dar passos adiante nas conquistas, nada disso impede que a reputação daquele timaço siga intacta tantas décadas depois.

O “príncipe” no comando

Danilo Alvim, no banco do Maracanã

Nascido no Rio e revelado pelo America, Danilo Alvim marcou época como um dos centromédios (os atuais volantes) mais elegantes do futebol brasileiro. Defendeu o clube rubro (pelo qual torcia e que o levou à Seleção Brasileira) entre 1939 e 1945, exceto por uma passagem pelo Canto do Rio, de Niterói, em 1943. Em seguida foi contratado pelo Vasco, integrando o famoso Expresso da Vitória cruzmaltino e também o time do Brasil na Copa do Mundo de 1950.

Após pendurar as chuteiras em 1956, o “Príncipe” (apelido que o imortalizou no futebol brasileiro) iniciou carreira de treinador passando por vários estados brasileiros e até pela Bolívia, levando a seleção andina ao título do Campeonato Sul-Americano (atual Copa América) disputado em casa em 1963. Logo no início de janeiro de 1974, retornaria pela primeira vez ao America, trazido pelo novo presidente Wilson Carvalhal, empossado na mesma época.

Danilo herdou um time vindo de uma campanha fraca no Brasileiro de 1973 (em que pese o número absurdo de jogos feitos como visitante), mas com bons valores. De uma enorme lista de dispensas feita na virada do ano, restaram nomes como os zagueiros Alex, Geraldo e Mareco, o lateral Álvaro, os meias Ivo, Tadeu, Renato e Edu, os pontas Flecha e Mauro e o centroavante Luisinho. E alguns reforços foram trazidos, quase todos do sul do país.

Para o gol veio Rogério, que pertencia ao Grêmio, mas havia disputado o Brasileiro pelo Ceub, de Brasília. Com ele, ficava concluída a troca iniciada no ano anterior, quando o America cedeu o atacante Tarciso aos gaúchos, recebendo Ivo e Flecha. E uma nova troca no mesmo esquema foi feita com o Internacional: o atacante Sérgio Lima foi para o Beira Rio, enquanto o meia Bráulio, o centroavante Manuel e o ponta Volmir fizeram o caminho inverso.

Também veio do sul, mais exatamente do Coritiba, o lateral Orlando, revelado pelo Santos. Por fim, também chegaram o ponta Gilson Nunes, dispensado pelo Vasco, e o centroavante Caio “Cambalhota”, que voltava de empréstimo. Uma excursão à Colômbia ajudou a formatar o time para o Campeonato Brasileiro de 1974, agora disputado no primeiro semestre, emendado no do ano anterior. E Danilo construiria uma equipe à sua imagem como jogador.

O novo America jogava um futebol ofensivo, técnico, clássico e temperado com sangue quente. E fez excelente campanha na primeira fase do Brasileiro. Venceu 12 de seus 19 jogos (incluindo 3 a 0 sobre o Internacional de Figueroa e Falcão, 1 a 0 sobre o futuro campeão Vasco, além de triunfos sobre Coritiba e Atlético-PR na capital paranaense e sobre Paysandu e Remo em Belém) e ficou em terceiro na classificação geral, atrás apenas de Grêmio e Flamengo.

No meio do caminho para a segunda fase do torneio, porém, vieram os problemas. Insatisfeitos com os atrasos salariais, Tadeu e Caio entraram em litígio com o clube. Mais tarde teriam seus contratos suspensos. Na metade de julho, o elenco chegou a fazer greve e não apareceu para treinar, voltando atrás no dia seguinte. Naturalmente, as turbulências influíram no desempenho da equipe, que foi muito mal na etapa seguinte do Brasileirão e acabou eliminada.

O time-base

Luisinho Lemos

Felizmente, os ânimos já haviam serenado a tempo do início do Campeonato Carioca, no começo de agosto, e o time estava novamente afiado. Os titulares também já estavam bem definidos. A começar pelo gol, onde Rogério parecia ter resolvido o problema da posição, pela qual haviam passado vários nomes nos anos anteriores, sem se firmarem. O arqueiro gaúcho chegou a ser capa da revista Placar na semana da decisão da Taça Guanabara.

Nas laterais, dois jogadores de estilos antagônicos, mas igualmente sólidos. Orlando, pela direita, era explosivo: notabilizava-se pela marcação dura e pelo apoio constante ao ataque, além do chute forte que o fazia o cobrador mais regular de faltas e pênaltis da equipe. Já pela esquerda, o mineiro Álvaro, criado no futebol do interior de seu estado natal e com passagem pelo Cruzeiro, era mais discreto no apoio e concentrado na defesa.

Na zaga, um nome emblemático da história do clube: Alexander Kamianecky, o Alex, nascera em Hannover (Alemanha), em família de origem ucraniana que migrou para o sul do Brasil nos anos 1940. Começou a carreira no Aimoré de São Leopoldo e veio para o Rio com 19 anos, tornando-se de imediato titular dos rubros. Naturalizado brasileiro, chegou a ser incluído na lista de 40 pré-convocados da Seleção para a Copa do Mundo de 1970.

Titular do clube durante toda a sua trajetória de 13 anos no Andaraí (de 1967 e 1980), Alex era um zagueiro muito técnico e reconhecido pelo jogo limpo: nunca foi expulso ao longo da carreira. Ao seu lado naquela defesa, despontava o vigoroso Geraldo, 22 anos, ex-juvenil do clube que se firmara no setor após o Brasileiro tomando o lugar de Mareco, outro bom zagueiro formado no clube e que vinha sendo titular há vários anos.

O meio-campo se caracterizava pela ausência do volante puramente protetor de defesa. Todos os jogadores tinham ótima técnica, e participavam da construção das jogadas. O primeiro nome era o ex-gremista Ivo, que aliava força à habilidade e empurrava o time à frente. Ao seu lado, de início jogava Renato – irmão mais novo de Amarildo, o “Possesso” da Copa de 1962 –, revelado no clube nos anos 60 e mais afeito a cadenciar o jogo.

Renato, porém, lesionou-se na quarta rodada e perdeu a titularidade, cedendo o posto a outro gaúcho, Bráulio, surgido no Internacional como o “Garoto de Ouro”, mas que sucumbiu à resistência de cartolas colorados a seu jogo refinado, mas tido como pouco combativo. Mais adiante, atuava outro ídolo histórico rubro: Eduardo Antunes Coimbra, o Edu, que despontara no clube na mesma safra de Alex, Mareco, Tadeu e Renato.

Jogador de baixa estatura, mas enorme talento, vestia a camisa 10 de autêntico ponta-de-lança (o jogador que ligava o meio ao ataque), tinha passagem pela Seleção e, aos 27 anos, vivia bom momento na carreira. Um dos mais experientes do time, era encarregado de municiar o ataque que começava com o ponteiro direito Flecha, mais um gaúcho do elenco, jogador rápido, impetuoso e bom finalizador, chegando a ter um certo faro de gol.

A exemplo das laterais, nas pontas o jogador do lado esquerdo atuava de maneira mais contida. Gilson Nunes, outro veterano do elenco, três vezes campeão carioca com Fluminense e Vasco, ajudava a compor o meio-campo. Por fim, pelo centro, jogava a grande revelação daquele time: o jovem Luisinho, atacante aguerrido, incansável na movimentação e que terminara o Brasileirão como vice-artilheiro, com 15 gols (um a menos que Roberto Dinamite).

De saída, uma goleada

A estreia na Taça viria no dia 4 de agosto, diante do Vasco que, três dias antes, havia conquistado o título brasileiro. O jogo também servia como entrega das faixas aos cruzmaltinos. Pois os rubros carimbaram as faixas (ou “colocaram água no chope”, como a imprensa se referiu na época) com uma goleada de 4 a 1, aproveitando-se das falhas da linha de impedimento adotada pela defesa adversária no jogo, talvez inspirada pelo Carrossel Holandês.

Logo aos 15 minutos, Alex ganhou uma dividida do zagueiro Miguel no meio-campo e lançou Luisinho, que chutou forte na saída do goleiro Carlos Henrique para abrir o placar. Três minutos depois, Roberto Dinamite empatou finalizando na pequena área após escanteio. No entanto, o America era claramente melhor no jogo e passou à frente perto do fim da primeira etapa, com Flecha desviando com a nuca uma falta cobrada da linha de fundo por Edu.

No segundo tempo, o Vasco foi à frente e deixou a defesa desguarnecida. O America aproveitou para balançar de novo as redes aos 23 minutos com Gilson Nunes. O ponteiro foi lançado e avançou sozinho, enquanto a retaguarda cruzmaltina parou pedindo impedimento inexistente. O atacante americano só teve o trabalho de driblar o goleiro e tocar para o gol vazio. Perdidos, os vascaínos começaram a apelar para a violência.

E aos 36 minutos, em lance quase idêntico, a goleada foi confirmada: Luisinho foi lançado, correu o campo de ataque inteiro, driblou Carlos Henrique e, mesmo com o goleiro tentando agarrá-lo, cutucou para as redes. Com a torcida em estado de graça (“cadê o campeão?”, gritavam os americanos já a partir do terceiro gol), o time recebeu a dose de confiança necessária para acreditar que poderia enfrentar de igual para igual os rivais da cidade.

No sábado seguinte, novamente no Maracanã, o time derrotou a Portuguesa da Ilha por 1 a 0, gol de falta de Orlando. E na quarta, chegou à terceira vitória ao derrotar com facilidade o Campo Grande por 2 a 0, com um gol de Luisinho e um belíssimo tento de Edu, chutando de sem-pulo, ainda no primeiro tempo. Com as três vitórias iniciais, a equipe já era alçada ao topo da tabela e voltava a mostrar o futebol que havia merecido elogios desde o Brasileiro.

Porém, o primeiro revés veio logo em seguida, diante do Flamengo. Depois de Luisinho perder um pênalti e do meia Renato deixar o gramado com um estiramento, os rubro-negros abriram o placar com Zico e ampliaram com Doval. No fim, o mesmo Luisinho descontou, mas tarde demais para a reação. O clube permanecia na liderança, mas agora com a companhia de Fluminense e Vasco, os dois também com seis pontos ganhos em quatro jogos.

A lesão de Renato contra o Flamengo abriu uma vaga no time para o meia-armador Bráulio, que seria escalado de início no jogo seguinte contra o Bonsucesso, numa tarde de sábado em São Januário. O novo titular deu novo ritmo ao time e melhorou o toque de bola, mas o America só chegou ao gol da vitória no segundo tempo, numa cabeçada do zagueiro Alex, após ter tido um pênalti a seu favor não marcado e um gol anulado na etapa inicial.

O bom futebol da equipe fluiu mais fácil na partida seguinte diante do Bangu, mesmo com a retranca do adversário, numa quarta à noite no Maracanã. Luisinho abriu o placar no fim da etapa inicial, serviu Flecha para marcar o segundo após lançamento genial de Edu, e anotou ele próprio o terceiro gol. E poderia ter completado uma tripleta caso o árbitro não tivesse ignorado o lance em que o zagueiro Hamílton tirou a bola de dentro do gol com as mãos.

A liderança na tabela e o jogo coeso demonstrado pelo time chegavam a ser surpreendentes em vista da crise financeira enfrentada pelo clube, com salários atrasados em até três meses. Os dirigentes, por seu lado, reclamavam das baixas arrecadações nos jogos do campeonato, diante da parcela abocanhada pela Federação Carioca e pela Adeg, que administrava o Maracanã. Não faltava, porém, empenho de jogadores e cartolas do clube.

Contra o Botafogo, porém, o time perdeu mais um ponto, num jogo com alternância de domínio. No primeiro tempo, os alvinegros saíram na frente em falta cobrada por Marinho Chagas, sem chances para Rogério. Mas na etapa final, aos 23 minutos, um pênalti do zagueiro Mauro Cruz em Luisinho convertido pelo lateral Orlando deixou tudo igual. No fim da partida ainda houve confusão, numa briga entre Ferreti, Geraldo e Luisinho.

Mantendo-se na briga

Quando o America voltou a campo, uma semana depois, Fluminense e Vasco haviam vencido jogos atrasados e aproveitaram o “tropeço” dos rubros diante do Botafogo para assumirem a liderança, um ponto à frente. O time de Danilo Alvim pegaria o São Cristóvão na tarde de sábado – um feriado de 7 de setembro – no Maracanã, enquanto os dois ponteiros se enfrentariam no domingo, no mesmo palco, pelo grande clássico da rodada.

Embora só tenham aberto o placar no segundo tempo (no primeiro, Gilson Nunes acertou o travessão em cobrança de falta), os rubros passaram com facilidade pelo São Cristóvão: 3 a 0, com os dois primeiros gols saindo de cruzamentos de Flecha para cabeçadas de Luisinho. E Gilson Nunes acabou deixando também o seu após infiltração de Flecha. No dia seguinte, o Fluminense aplicou uma surra de 5 a 1 no Vasco, assumindo a liderança isolada.

O próximo adversário americano era o Madureira, numa quarta à noite no Maracanã. Treinado pelo ex-meia Nelsinho Rosa Martins, o Tricolor Suburbano vinha sendo uma pedra no sapato dos grandes até ali, com uma vitória sobre o Flamengo e empates com Fluminense e Botafogo. E ameaçou o America na etapa final da partida. A sorte dos rubros é que Luisinho, de contrato recém-renovado, já havia marcado o gol da vitória de 1 a 0 no primeiro tempo.

Mantido na briga, o America teria o Olaria como seu penúltimo obstáculo antes de enfrentar o Fluminense na rodada final. A vitória dramática diante dos alvianis no Maracanã se tornou um jogo marcante daquela campanha. Dominando o jogo desde o início, os rubros tiveram um gol de Luisinho anulado por impedimento no primeiro tempo e perderam Orlando expulso pelo árbitro Valquir Pimentel aos cinco da etapa final por ofensas ao bandeirinha.

Mesmo com um jogador a menos, mantiveram a pressão, exigindo grandes defesas do goleiro olariense Ronaldo. Até que, aos 35, após um escanteio, o zagueiro Geraldo ajeitou de cabeça e Luisinho, emendando uma meia-virada, mandou a bola para o barbante, dando a vitória de 1 a 0 aos rubros. Naquela mesma noite, o Fluminense venceu a Portuguesa da Ilha e, no meio de semana, bateu o Bonsucesso, mantendo a vantagem de um ponto para a decisão.

A semana que antecedeu a decisão foi bastante movimentada. Na quarta, 18 de setembro, em meio às comemorações dos 70 anos do America, os dirigentes colocaram em dia as premiações. Na quinta, Orlando foi julgado pelo Tribunal da Federação Carioca e absolvido pela expulsão contra o Olaria, tornando-se presença certa no time da decisão. Enquanto isso, pelo lado das Laranjeiras, o meia Gerson sofria com problemas musculares e era dúvida.

A decisão

O America com as faixas

Enfim, no domingo, 22 de setembro de 1974, diante de um público de 97.681 pagantes, os dois times entraram em campo completos. O America escalado com Rogério, Orlando, Alex, Geraldo e Álvaro; Ivo, Bráulio e Edu; Flecha, Luisinho e Gilson Nunes. O Fluminense, dirigido por um jovem Carlos Alberto Parreira, tinha Félix, Toninho, o uruguaio Brunel, Assis e Marco Antônio; Carlos Alberto Pintinho, Cléber e Gérson; Cafuringa, Gil e Mazinho.

Gil, aliás, havia sido o pivô de uma animosidade carregada pelos rubros em relação aos tricolores para aquela decisão. Revelado pelo Villa Nova mineiro e destaque do Comercial mato-grossense no Brasileiro de 1973, o atacante havia assinado no começo do ano um pré-contrato com o America, mas logo depois acabou tomando o rumo das Laranjeiras, o que motivou o clube tijucano a romper relações com o Fluminense.

Em campo, enquanto o Flu se resumia a tocar a bola para os lados, acomodado com a vantagem do empate, o America partia para tentar a vitória. E logo aos 12 minutos veio a grande chance quando Gérson cometeu falta em Edu na frente da área. Orlando se apresentou para a cobrança e acertou um tiro seco, rasteiro, queimando grama, no canto do gol de Félix. A metade rubra do Maracanã festejava: estava aberto o caminho para o título.

Bem postado em campo, muito aplicado e ligado no jogo, o America dominou a primeira etapa contra o Fluminense lento, com problemas na saída de jogo e que pouco ameaçou. No segundo tempo, no entanto, os tricolores voltaram com novo ânimo, criando boas chances logo de saída. Só que agora, os rubros tinham a arma perigosa do contra-ataque, que quase levou ao segundo gol, numa finalização de Luisinho, cara a cara com Felix, para fora.

Luisinho voltou a aparecer em condição de marcar aos 14 minutos, mas a jogada foi interrompida pelo árbitro José Aldo Pereira, que apitou impedimento inexistente. Pouco depois, Danilo Alvim tirou Edu e colocou Renato para fechar o meio-campo, reter mais a bola e tentar anular a pressão dos tricolores, que frequentemente ocupavam o campo de ataque. O jogo se encaminhou então para uma fase de seguidas oportunidades de gol.

Aos 29, Rogério deteve um chute de Cléber e Gérson chutou para fora, rente à trave, na sobra. Em seguida, Luisinho entrou na área do Fluminense com bola dominada, mas Félix saiu bem e abafou a jogada. E logo na sequência, Rogério voltou a entrar em ação, defendendo em dois tempos um chute forte, de fora da área, de Marco Antônio – já então apoiando o ataque como se fosse um ponta-esquerda.

O apito final fez com que a festa rubra não mais se contivesse. E a grande exibição do America mereceu até mesmo os aplausos do lado tricolor das arquibancadas. Além do título, o clube se tornava ainda o primeiro a garantir vaga no triangular final do Campeonato Carioca, que teria ainda outros dois turnos, mas ambos com apenas oito clubes. Ou seja, os tijucanos ficavam então bem perto de encerrar a seca que vinha desde 1960.

Não foi o que aconteceu. O clube ainda andou perto de vencer os outros dois turnos, mas Vasco e Flamengo, que se recuperaram ao longo do torneio, surgiram como algozes. Na partida que decidiu o segundo turno, diante dos cruzmaltinos, o America ainda foi muito prejudicado pela arbitragem, que não deu nem amarelo para Moisés por entrada desleal em Luisinho, expulsou o lateral Álvaro e validou um gol em impedimento de Roberto Dinamite.

Na decisão do terceiro turno e na abertura do triangular final, o time perdeu dois jogos seguidos para o Flamengo por 2 a 1, em ambos com gols do lateral Júnior e chutes do meio da rua que transformaram o goleiro Rogério de herói em vilão. O time ainda saiu da briga pelo título de forma honrosa, arrancando um 2 a 2 com o Vasco no segundo jogo do triangular. O título acabaria com os rubro-negros, que seguraram um 0 a 0 com os cruzmaltinos.

O capitão Alex com a Taça Guanabara

Aquele time do America começaria a ser desmontado no começo do ano seguinte, com as saídas de Luisinho (vendido ao Flamengo) e Edu (emprestado ao Vasco e logo depois também negociado com os rubro-negros, onde se juntaria ao seu irmão Zico). Mesmo sem eles, o time voltaria à decisão da Taça Guanabara no ano seguinte contra o mesmo Fluminense. Mas desta vez perderia por 1 a 0, com gol de Rivelino no último minuto da prorrogação.

Ainda em 1975, o clube quase vendeu Ivo ao Atlético de Madrid, mas o clube espanhol desistiu do negócio após um polêmico relatório médico que identificara supostos problemas cardíacos no meia. Na época, comentou-se que o problema foi o pretexto inventado pelos colchoneros para desistir do negócio e contratar os palmeirenses Leivinha e Luís Pereira. Por ironia, Ivo deixaria o America no início de 1977, vendido justamente ao Palmeiras.

Antes disso, em 1976, Flecha sairia para o Guarani. E também em 1977, seria a vez de Orlando (que chegara à Seleção Brasileira de Osvaldo Brandão como jogador rubro) e Geraldo reforçarem o Vasco. Bráulio foi emprestado ao Botafogo e Gilson Nunes encerrou a carreira. O America então reconstruiu seu time, formando uma boa equipe, mas sem a mesma força para brigar pelo título. O clube teria de esperar mais um tempo por outro esquadrão histórico.