Hoje reconhecida como um dos gigantes do continente, a seleção da Nigéria escreveu seu nome na galeria de campeões africanos há exatos 40 anos, ao derrotar a forte equipe da Argélia por 3 a 0 e levantar pela primeira vez a Copa Africana de Nações, a qual sediou. Aquela conquista teve ainda a participação brasileira: o veterano estrategista Oto Glória era o treinador daquele time que cumpriu campanha irretocável, e outros compatriotas integravam a comissão técnica.

Em busca da afirmação

A Nigéria foi um dos primeiros países da África Subsaariana a ter sua federação de futebol filiada à Fifa, em 1959, um ano antes da independência do país. No entanto, essa organização precoce não significou bons resultados na década e meia seguinte. As Águias Verdes (como a seleção era então conhecida) tinham histórico modesto, disputando só uma edição da CAN, em 1963, quando foram goleados pelos times mais tarimbados do Egito (6 a 3) e do Sudão (4 a 0).

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O panorama mudou a partir de meados dos anos 70, quando a federação investiu pesado para intensificar o intercâmbio com centros mais desenvolvidos do futebol, em especial depois que em 1973 a seleção venceu o torneio de futebol dos Jogos Pan-Africanos em Lagos. O ano de 1976 marca a primeira grande campanha nigeriana na CAN, com um terceiro lugar, além de uma extensa programação de treinamentos em Hennef, na Alemanha Ocidental.

A equipe também se classificara para disputar os Jogos Olímpicos de Montreal, mas perderia a chance após a Nigéria aderir ao boicote africano diante da presença da Nova Zelândia, cujo time de rúgbi vinha participando de uma excursão pela África do Sul em pleno regime do apartheid. Dois anos depois, na edição seguinte da CAN realizada em Gana, a seleção repetiria a terceira colocação, depois de passar invicta pela primeira fase.

Segun Odegbami

Os clubes locais também viviam bom momento. Em 1976, o Shooting Stars, de Ibadan, tornara-se o primeiro do país a levantar um título continental: a Recopa Africana, disputada nos mesmos moldes da europeia. Na decisão em dois jogos, superaram os camaroneses do Tonnerre Yaoundé, de Roger Milla. No ano seguinte, seria a vez do Enugu Rangers, que eliminara o próprio Shooting Stars na semifinal, derrotando outra equipe de Camarões, o Canon Yaoundé.

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E embora não chegassem a levantar o título da Copa dos Campeões da África (o principal torneio de clubes do continente), os nigerianos também se habituaram a chegar longe: o próprio Enugu Rangers havia decidido – e perdido – a edição de 1975 para os guineenses do Hafia, de Conacri, além de alcançar as semifinais da competição em 1976 e 1978. Juntos, o Shooting Stars e o Enugu Rangers formavam a base da seleção das Águias Verdes.

A influência brasileira

No fim de 1979, a seleção nigeriana viria ao Brasil para dois meses de treinamento no Cefan, o centro de educação física da Marinha, no Rio de Janeiro, além de realizar amistosos contra times brasileiros e assistir a treinos e jogos. Anos depois, o ponta Segun Odegbami – um dos principais nomes daquela seleção – relembraria em depoimento o impacto da experiência para os atletas de seu país: “O Brasil foi uma educação futebolística para mim”, revelou.

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“O nível do futebol e a qualidade dos jogadores que vimos nos humilharam, e nos fizeram trabalhar dobrado para alcança-los. Percebi pela primeira vez o fosso que havia entre o futebol da América do Sul e o do resto do mundo, especialmente na África. Tivemos a rara oportunidade de estudar os brasileiros de perto, observar seus métodos de treinamentos. Muitos de nós que fomos ao Brasil voltamos à Nigéria pessoas completamente diferentes”, comentou.

No regresso à África, em janeiro de 1980, a federação decidiu estreitar os laços com o futebol do Brasil contratando preparadores para trabalhar no desenvolvimento do jogo na Nigéria. E para o comando da seleção, ofereceu um bom contrato ao veterano Oto Glória, 63 anos, que havia acabado de levar o Vasco à final do Campeonato Brasileiro contra o Internacional. Junto com ele, também integraria a comissão técnica o preparador de goleiros Raul Carlesso.

Oto Glória

Oto era um dos técnicos brasileiros de maior prestígio internacional. De estilo um tanto bonachão e paternalista, era, porém, reconhecido como um estudioso do jogo e excelente estrategista. Por aqui, teve passagens boas por Vasco, America, Grêmio e levou a Portuguesa ao título paulista de 1973, dividido com o Santos. Na Europa, treinou Atlético de Madrid e Olympique de Marselha, mas brilhou mesmo em Portugal, onde dirigiu os três grandes e o Belenenses.

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No Benfica, Oto promoveu uma verdadeira revolução tática, disciplinar e até mesmo estrutural, que levaria à construção de um centro de treinamentos para o clube. Seu vínculo com o futebol africano também teve origem ali, quando manteve um grupo de observadores nas antigas colônias lusas no continente – de lá, surgiria Eusébio. Foi ainda campeão no Sporting e no Belenenses e levou a seleção ao terceiro lugar na Copa de 1966.

O time-base

Assim que chegou à Nigéria, Oto Glória formou um time-base que apresentava novidades em relação ao de 1978. Sob as traves, o experiente Emmanuel Okala dava lugar a Best Ogedegbe, considerado um arqueiro técnico e de bom comando do setor defensivo. David Adiele era o novo dono da lateral direita, enquanto do outro lado Okey Isima, ótimo apoiador, despontava como uma importante arma tática em suas descidas pelo flanco esquerdo.

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O miolo de zaga continuava a contar com a segurança do experiente capitão Christian Chukwu, que agora ganhava a companhia do sólido Tunde Bamidele, reserva em 1978. Já no meio-campo, vestindo a camisa 4, estava o motor da equipe: Mudashiro “Muda” Lawal, armador baixinho e atarracado, mas de muita velocidade, visão de jogo e ótimo controle de bola. Um dos grandes ídolos daquela seleção, era quem empurrava o time à frente.

Muda Lawal

Lawal atuava pelo centro do meio-campo, que tinha ainda dois jogadores de lado, que ajudavam os laterais nas jogadas de ultrapassagem e se combinavam com eles e com os ponteiros nas triangulações. Pela direita, o dono da posição era Aloysius Atuegbu. Enquanto na esquerda, o jovem Henry Nwosu (16 anos) começou como titular, mas perdeu a vaga no time no terceiro jogo para o mais experiente Felix Owolabi, outro que jogara em 1978.

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No ataque atuava o jogador mais habilidoso daquela equipe e que marcou toda uma geração do futebol nigeriano: o ponta-direita Segun Odegbami. Apelidado o “Matemático” pela precisão de seus passes, exibia ainda muita velocidade, técnica fora do comum e, sobretudo, uma enorme facilidade para driblar, enfileirando marcadores e abrindo brechas nas defesas adversárias. Sua qualidade impressionara até mesmo os brasileiros, durante os treinos no Rio.

O ataque – e a equipe titular – eram completados pelo jovem centroavante Ifeanyi Onyedika, esperto e de bons reflexos, e pelo ponta-esquerda Adokiye Amiesimaka, outro extremamente arisco, de bom drible e eficiente nos cruzamentos. Era com esses jogadores postados neste 4-3-3 ofensivo, dinâmico e de boa amplitude que Oto Glória apostava para tentar levantar mais um troféu em um novo continente. E nos quais o povo nigeriano também depositava suas esperanças.

O torneio

Antes da bola rolar, a CAN já tinha um favorito destacado. E não era o país-sede, e sim a Argélia, que no começo daquele ano impressionara no torneio pré-olímpico para os Jogos de Moscou, disputado em ida e volta. Apresentando a geração de Lakhdar Belloumi, Rabah Madjer, Tedj Bensaoula e o capitão Ali Fergani, a equipe chegara a golear o Marrocos por 8 a 1 no placar agregado e merecera matéria de seis páginas da revista francesa Mondial.

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Os argelinos ficariam no Grupo B do torneio, sediado em Ibadan, com os jogos disputados no Estádio Liberty. E teriam a companhia de adversários de peso: o velho rival Marrocos, a atual campeã Gana e a boa seleção da Guiné. Já a Nigéria seria cabeça de chave no Grupo A, em Lagos, enfrentando o Egito, a Costa do Marfim e a estreante Tanzânia no Estádio Surulere, o maior do país. Os dois primeiros de cada chave avançariam às semifinais.

Uma rodada dupla no dia 8 de maio com público estimado em 80 mil pessoas no Estádio Surulere abriu o torneio. Nela, a Nigéria estreou batendo a Tanzânia por 3 a 1. Logo aos 11 minutos, após escanteio, Muda Lawal aproveitou a bola mal rebatida pelo goleiro Athumani Mambosasa e bateu de voleio para o gol vazio. Aos 35, em cobrança de falta lateral para a área, a defesa tanzaniana parou e Ifeanyi Onyedika entrou sozinho, escorando para ampliar.

A boa vantagem fez com que os nigerianos voltassem um tanto displicentes para a etapa final. E aos nove minutos, o cochilo custou caro depois que a zaga não conseguiu cortar um lançamento longo e Juma Mkambi diminuiu para a Tanzânia. Porém, novamente ligada no jogo, a Nigéria selou a vitória aos 40 minutos: Felix Owolabi recebeu de Lawal e foi à linha de fundo, cruzando na medida para a cabeçada colocada de Segun Odegbami.

No outro jogo do dia, o Egito, cujos destaques eram os atacantes Mahmoud El Khatib e Hassan Shehata (futuro técnico da seleção), largou com vitória de 2 a 1 sobre a Costa do Marfim, na qual nome mais conhecido era o do veterano atacante Laurent Pokou, 32 anos, jogador com passagem pelo futebol francês (onde defendeu o Rennes e o Nancy), artilheiro das edições de 1968 e 1970 da CAN e até ali o maior goleador da história do torneio.

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No dia seguinte, foi a vez da abertura do Grupo B com dois empates. A favorita Argélia ficou no 0 a 0 com Gana, que trazia de volta 14 dos 22 campeões africanos em 1978, entre eles o meia John Nketia Yawson, que mais tarde seria contratado pelo Peñarol, tornando-se o primeiro africano a disputar a Copa Libertadores. No outro jogo, o Marrocos saiu na frente da Guiné com Tahir Mustapha, mas sofreu o empate no minuto seguinte com Moussa Camara.

Após uma pausa de dois dias, os jogos voltaram em 12 de março, e o Egito assumiu a liderança do Grupo A ao derrotar a Tanzânia por 2 a 1 com gols de Hassan Shehata e Mussad “Kastan” Nur, enquanto a Nigéria tropeçou num 0 a 0 com a Costa do Marfim. No dia seguinte, a Argélia bateu o Marrocos em jogo dramático, decidido com gol de Belloumi aos 48 minutos da etapa final, enquanto Gana vencia a Guiné também por 1 a 0, gol de Willie Klutsie.

Adokiye Amiesimaka

Na última rodada do Grupo A, no dia 15, a Costa do Marfim não passou do empate em 1 a 1 com a Tanzânia e jogou fora as chances de classificação. Logo em seguida, Nigéria e Egito entraram em campo já com a vaga nas semifinais garantida e com os Faraós precisando só do empate para confirmar a primeira colocação. Entretanto, um gol de Okey Isima logo aos 15 minutos deu a vitória por 1 a 0 e a liderança da chave aos donos da casa.

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No dia seguinte, pelo Grupo B, Argélia e Gana entraram com a vantagem do empate contra Guiné e Marrocos, respectivamente. Mas houve reviravolta. Os argelinos chegaram a abrir 3 a 0 diante dos guineenses, que reagiram no fim e descontaram duas vezes, mas sem alcançar a igualdade. Já no outro jogo, a surpresa: um gol de Khalid Labied no último minuto da etapa inicial deu a vitória aos Leões do Atlas, deixando de fora os detentores do título.

Os marroquinos, que seriam os adversários da Nigéria na semifinal, haviam dispensado a geração campeã de 1976 e mostravam uma nova safra, ponteada pelo goleiro Ezzaki “Zaki” Badou, o meia Aziz Bouderbala e o atacante Mohammed Timoumi – nomes que brilhariam dali a alguns anos na Copa do Mundo do México. Já as Águias, derrotadas duas vezes pelo Marrocos naquela mesma edição de 1976 da CAN, vislumbravam agora a chance da revanche.

A fase final

No dia 19 de março, diante de cerca de 70 mil torcedores no Surulere, a Nigéria abriu o placar logo aos nove minutos de jogo com o meia Felix Owolabi e segurou o resultado até o apito final para alcançar a primeira final da Copa Africana de Nações de sua história. Disputada no mesmo dia e hora da partida dos anfitriões, a outra semifinal, entre Argélia e Egito, ficou eclipsada e levou apenas 5 mil torcedores ao Estádio Liberty de Ibadan. Mas foi épica.

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Os Faraós saíram na frente no primeiro tempo quando Mahmoud El Khatib recebeu cobrança de lateral, dominou com classe e chutou cruzado. E ampliaram logo após a volta do intervalo com Ramadan El Sayed. Pareciam ter a classificação encaminhada. Mas os argelinos descontaram aos dez minutos num pênalti convertido por Salah Assad e cresceram no jogo. Até chegarem ao empate, sete minutos depois, com o atacante Hocine Benmiloudi.

Segun Odebgami

Na prorrogação não houve movimentação no placar. E na decisão nos pênaltis, El Khatib, autor do primeiro gol no tempo normal, perdeu sua cobrança pelos egípcios, assim como o defensor Mohammed Amer. Na última chance argelina, Salah Assad voltou à marca da cal como havia feito no tempo normal e foi decisivo, convertendo a penalidade que colocaria as Raposas do Deserto numa final da Copa Africana de Nações também pela primeira vez.

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Atento à força do ataque argelino, Oto Glória fez uma alteração no time da Nigéria para a decisão em Lagos: sacou o centroavante Onyedika para a entrada do zagueiro Godwin Odiye. Três anos antes, o defensor havia sido crucificado por imprensa e torcida nigerianas por marcar o gol contra que decretou a derrota em casa para a Tunísia e tirou as Águias da Copa do Mundo de 1978. Mas agora, atuando como líbero, ele teria papel importante para neutralizar o adversário.

Com a alteração, o posicionamento de Muda Lawal também mudou: de uma espécie de box-to-box, o meia passou a atuar mais adiantado, quase como um ponta-de-lança. E suas combinações com Segun Odegbami na frente logo definiriam o jogo para a Nigéria. Aos dois minutos, os donos da casa abriram o placar. A defesa argelina não conseguiu afastar um lateral batido para a área, e Odegbami, oportunista, chutou alto, no ângulo do goleiro Mehdi Cerbah.

No fim do primeiro tempo, as Águias ampliaram, novamente com Odegbami. Um lançamento longo foi rebatido pela defesa argelina, mas o rebote voltou para Atuegbu que, com um chute mascado, acabou encontrando o ponteiro na área para finalizar quase de carrinho, aproveitando a linha de impedimento malfeita pela Argélia. Os 2 a 0 eram uma boa vantagem para se levar ao intervalo. E logo na volta para a etapa final, a contagem seria ampliada.

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Aos cinco minutos, Amiesimaka fez grande jogada pela ponta esquerda e entregou ao lateral Isima, que chutou forte e cruzado do bico da área. Cerbah não conseguiu segurar, e Muda Lawal finalizou meio sem querer, anotando o terceiro da Nigéria para selar a conquista inédita. Nesse momento, o Estádio Surulere já explodia em comemorações. Ao apito final, a festa se completou com a invasão do gramado pelos eufóricos torcedores.

Ainda naquele ano, em julho, a seleção da Nigéria ainda disputaria o torneio olímpico em Moscou substituindo Gana, que aderiu ao boicote aos Jogos liderado pelos Estados Unidos. Mas com o time-base um tanto modificado e alguns jogadores – como o astro Odegbami – sem as melhores condições de atuar, fez campanha fraca e somou apenas um ponto em seu grupo (curiosamente ao empatar com Tchecoslováquia, futura medalhista de ouro).

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Quatro anos depois, a Nigéria voltaria a uma final da CAN, no torneio sediado na Costa do Marfim, mas perderia a final para Camarões por 3 a 1 de virada. Aquela equipe mesclava alguns campeões de 1980 com novos nomes como o goleiro Peter Rufai, o zagueiro Stephen Keshi e o atacante Rashid Yekini. As Águias chegariam mais duas vezes à decisão, em 1988 (perdendo novamente para Camarões) e 1990 (quando a Argélia teve sua revanche).

Até que, em 1994, já com outra geração, viria o bicampeonato do continente derrotando Zâmbia na decisão do torneio sediado na Tunísia. No mesmo ano, a seleção enfim disputaria pela primeira vez uma Copa do Mundo, chegando às oitavas de final no Mundial dos Estados Unidos e entrando de vez para o grupo das grandes forças do futebol africano.

A comemoração pelo título de 1980 no Estádio Surulere

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas. Para visualizar o arquivo, clique aqui.

Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo e no It’s A Goal.