* Por Emmanuel do Valle, jornalista e dono do blog Flamengo Alternativo

A preparação da seleção brasileira nos Estados Unidos, visando a Copa América, acontece em uma data bastante simbólica. Há 40 anos, em 31 de maio de 1976, o Brasil conquistava justamente no país um título importante, embora menos valorizado do que deveria: o Torneio Bicentenário dos Estados Unidos, que, além da celebração da independência, tentava revigorar o sucesso da NASL através das seleções. Aquele quadrangular, além de contar com fortes times de Inglaterra e Itália, iniciou um processo de renovação importante na equipe nacional. Incluiu a afirmação de craques que comandaram a Seleção entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980. Construção de uma identidade que dependeu do sucesso nos estádios americanos, incluindo até mesmo (mais uma) vitória sobre a Azzurra na decisão.

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A ressaca da campanha abaixo da crítica da Seleção na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental, evidenciou a necessidade de uma chacoalhada no time canarinho. Acusado nas conversas entre pessoas ligadas à CBD de, entre outras coisas, tornar os jogadores brasileiros “autossuficientes” demais, o técnico Zagallo deixou o cargo logo após o Mundial. Como a Seleção só voltaria a campo dali a um ano, o posto ficou vago e a definição em segundo plano – até porque era período eleitoral na Confederação. Em 13 de janeiro de 1975, o almirante Heleno Nunes, recém-empossado presidente da entidade no lugar de João Havelange, anunciava Oswaldo Brandão como novo técnico da Seleção, assumindo em definitivo o comando da equipe após o Carnaval. Gaúcho de nascimento, então com 58 anos de idade, o treinador tinha feito extensa carreira na função no futebol paulista, conquistando títulos nos três grandes da capital, inclusive o último estadual, em dezembro do ano anterior, pelo Palmeiras. O Caçamba, como era chamado, já havia inclusive tido passagem como comandante do time canarinho entre 1955 e 1957, classificando o Brasil para o Mundial da Suécia.

Não era, porém, a mais moderna das escolhas. No mesmo ano de 1953 em que Brandão dirigia o Corinthians campeão do Rio-São Paulo, Zagallo conquistava seu primeiro título carioca como jogador, ainda iniciante, atuando em algumas partidas na ponta-esquerda do Flamengo. Desta vez, num contexto futebolístico recém-impactado pelo Carrossel Holandês, o estilo do novo treinador indicava um futebol que apostava em jogadores especialistas guardando posição, com zagueiros fixos, um volante plantado à frente da área e pontas autênticos, que procuravam a linha de fundo. Desprezava a saída de bola da defesa na base do toque, preferindo chutões do goleiro lançando os extremas em velocidade – o que os críticos consideravam “antiquado”. Entretanto, no que dizia respeito a nomes, desenvolveria um interessante trabalho de renovação na Seleção Brasileira, dando vez a uma jovem geração de talentos que começava a despontar, além de colaborar muito para integrar à equipe um grande número de atletas de clubes de fora das capitais carioca e paulista.

Sua primeira competição na volta ao comando da Seleção foi a Copa América, nova denominação para o antigo Campeonato Sul-Americano, que não era disputado desde 1967 e não contava com a participação brasileira desde 1963. Na ocasião, o treinador teve de lançar mão do que na prática era um combinado mineiro, formado por jogadores de Atlético e Cruzeiro e enxertado pontualmente por “forasteiros” como o goleiro Valdir Peres (São Paulo), os zagueiros Miguel (Vasco), Amaral (Guarani) e Luís Pereira (Palmeiras), o meia Geraldo (Flamengo) e o atacante Roberto Dinamite (Vasco). O torneio não tinha sede fixa e, na primeira fase, o Brasil avançou em um grupo com Argentina (que também utilizou uma equipe experimental) e Venezuela, vencendo as quatro partidas, incluindo um 1 a 0 sobre os argentinos no Gigante de Arroyito, em Rosario, com gol do meia atleticano Danival. Nas semifinais, no entanto, a Seleção parou no time peruano de Cubillas, Chumpitaz, Oblitas e Casaretto, eliminada no sorteio após perder por 3 a 1 no Mineirão e vencer por 2 a 0 em Lima.

1976 - zico-italia-bicentenário

A temporada de 1976

O ano seguinte seria mais movimentado, com um calendário mais cheio de amistosos, além de dois torneios quadrangulares. O primeiro era a Taça do Atlântico, na verdade uma fusão de todos os troféus disputados dois a dois entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, como a Copa Roca, a Copa Rio Branco e a Taça Oswaldo Cruz, nas quais os brasileiros costumavam enfrentar periodicamente os argentinos, uruguaios e paraguaios, respectivamente, em jogos de ida e volta. O outro quadrangular seria um torneio que faria parte das comemorações do bicentenário da independência dos Estados Unidos, mais um passo na tentativa de popularizar de vez o futebol no país, na época vivendo o auge da North American Soccer League, que contava inclusive com a presença de Pelé defendendo o New York Cosmos.

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O Brasil começou muito bem o ano, com duas vitórias expressivas em fevereiro sobre o Uruguai no Centenário e a Argentina no Monumental de Nuñez, dois dias depois, ambas por 2 a 1 e valendo pela Taça do Atlântico. Na primeira partida, Nelinho abriria o placar em cobrança de falta, Ocampo empataria para os uruguaios e o estreante Zico, também de falta, marcaria o gol da vitória, num jogo que terminaria com o lateral cruzeirense e Rivelino expulsos, além do uruguaio Nil Chagas. Em Buenos Aires, os brasileiros abriram 2 a 0, gols do ponta-esquerda colorado Lula e novamente de Zico, antes de Kempes descontar para a Albiceleste. Em abril, a Seleção empataria com o Paraguai no Defensores del Chaco (1 a 1, gols de Enéas e Aquino), e bateria de novo o Uruguai por 2 a 1, desta vez no Maracanã (gols de Rivelino e Zico), no jogo eternizado pela histórica pancadaria iniciada logo após o apito final, com o meia do Fluminense levando uma corrida de Sergio Ramírez, lateral da Celeste, até o túnel dos vestiários.

Com Brandão criticado pela falta de conjunto mostrada pela equipe, que se valia muito mais da garra, da qualidade individual dos jogadores e da relação de amizade do treinador com o elenco nas vitórias da Taça do Atlântico, o anúncio dos convocados para a Seleção que enfrentaria a Argentina no Maracanã e depois embarcaria para os Estados Unidos foi feito em 17 de maio. E não veio sem surpresas. Na lista dos 22, foram mantidos jogadores já chamados por Brandão mesmo jogando em estados habitualmente fora do radar, como o goleiro Jairo (Coritiba) e o volante Givanildo (Santa Cruz), e ainda havia espaço para novatos, como o zagueiro Jaime, do Flamengo, e o meia-atacante Neca, do Grêmio.

brasil - torneio bicentenário 1976

No fim das contas, quem mais cedeu espaço para a entrada dos jogadores de outras praças foram os grandes clubes paulistas: apenas os goleiros Leão (Palmeiras) e Valdir Peres e o volante Chicão (ambos do São Paulo) atuavam nos quatro principais. Sem atletas de Corinthians e Santos, o Guarani acabou sendo o outro fornecedor, cedendo o zagueiro Amaral e o ponta-direita gaúcho Flecha – este, contratado no início do ano após três boas temporadas pelo America do Rio. Os cariocas, por sua vez, eram representados por dez nomes. Além de Jaime, o Flamengo cedeu Zico e Geraldo. O Fluminense também contribuiu com três: o zagueiro Miguel (outro que havia trocado de clube no começo do ano, vindo do Vasco), Rivelino e o ponta Gil. Os cruzmaltinos compareciam com o lateral Marco Antônio (que fizera o caminho inverso de Miguel) e o atacante Roberto Dinamite. America e Botafogo emplacavam um cada: os laterais Orlando Lelé e Marinho Chagas, respectivamente.

Sem poder contar com os jogadores do Cruzeiro, envolvido na disputa da fase semifinal da Taça Libertadores da América (Nelinho, Palhinha e Joãozinho eram nomes recorrentes nos jogos da Seleção no início daquele ano), o futebol mineiro cedeu apenas o lateral Getúlio, do Atlético. Falcão e Lula foram lembrados do campeão brasileiro Internacional (Paulo César Carpegiani, outro nome tido em alta conta por Brandão, recuperava-se de uma operação nos meniscos feita no início do ano). E, além do já citado Neca, o zagueiro Beto Fuscão foi o outro gremista. Na despedida, mesmo sem Miguel, Zico e Roberto Dinamite, todos lesionados, o Brasil bateu a Argentina por 2 a 0 (gols de Lula e Neca) e conquistou por antecipação a Taça do Atlântico. Mas perdeu Chicão, com torção no joelho direito, sem que fosse convocado substituto (ainda que Brandão tivesse sondado levar o santista Clodoaldo).

O torneio e os adversários

A Seleção acertou sua participação no Bicentenário em dezembro de 1975. Quando o formato da competição foi fechado em um quadrangular pelos organizadores, as outras três equipes – Itália, Inglaterra e um combinado da liga norte-americana, o chamado Team America – foram definidas. Havia um certo equilíbrio na disputa já que as três seleções nacionais atravessavam fase de transição, vindos de fiascos em diferentes medidas, enquanto o time da NASL, com seu “catadão” de craques veteranos e semidesconhecidos, era uma incógnita. Dirigida por Fulvio Bernardini, com Enzo Bearzot como auxiliar, a Azzurra parecia mais acertada. Após a eliminação na primeira fase da Copa de 1974 e a mudança na comissão técnica, deu azar no sorteio dos grupos das Eliminatórias da Eurocopa, caindo na mesma chave de Holanda e Polônia – segunda e terceira colocadas no Mundial –, além da Finlândia, fiel da balança. Mas tinha o alento de uma boa geração surgindo (como Tardelli e Antognoni), além da grande fase dos jogadores do Torino, que havia conquistado o scudetto duas semanas antes.

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A Inglaterra tinha em Don Revie, vitorioso com o Leeds, um treinador um tanto impopular, visto com desconfiança até mesmo por parte do elenco. Assumira o comando após a queda do lendário Alf Ramsey – que não conseguiu levar o English Team ao Mundial alemão – mas também já tinha sua própria cota de fracasso: assim como a Itália, caíra na fase de grupos das Eliminatórias da Eurocopa, diante da Tchecoslováquia. Tinha jogadores em alta em seus clubes, como o goleiro Ray Clemence, os meias Gerry Francis e Trevor Brooking, e os atacantes Kevin Keegan (o grande nome da equipe), Stuart Pearson e Mick Channon mas, assim como Brandão, sofria para fazer deles uma equipe coesa. Já o combinado da liga norte-americana, que perdera George Best e o atacante inglês Rodney Marsh às vésperas do torneio, cortados por indisciplina, ainda contaria com Pelé (exceto contra o Brasil), o centroavante italiano Giorgio Chinaglia e um grupo de ingleses liderados por Bobby Moore, além dos (poucos) valores locais.

team america 1976

A campanha

Na estreia, em 23 de maio contra a Inglaterra no Coliseu de Los Angeles, o time entrou escalado com Leão; Orlando, Miguel, Beto Fuscão e Marco Antônio (Marinho Chagas); Falcão, Zico e Rivelino; Gil, Neca (Roberto Dinamite) e Lula. Sem conseguir treinar um dia sequer, o desentrosamento e a falta de jogadas do time de Brandão eram nítidos, e os ingleses comandados em campo por Kevin Keegan dominaram o jogo. No fim, porém, após cobrança de escanteio de Marinho Chagas na segunda trave, Gil deu uma bicicleta na área, a bola bateu no zagueiro e sobrou para Roberto encher o pé. Pelo menos valeu os dois pontos. Na outra partida da rodada, os italianos não tomaram conhecimento do time da NASL, mesmo com Pelé e Bobby Moore em campo, e golearam por 4 a 0, marcando Capello (aproveitando rebote do goleiro), Pulici de pênalti, Graziani e Rocca em chute de fora da área.

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O jogo seguinte do Brasil, contra o combinado da liga norte-americana, foi disputado na grama sintética do Kingdome, de Seattle, e com Marinho Chagas e Roberto Dinamite nos lugares de Marco Antônio e Neca entre os titulares. O Team America começou assustando, com Chinaglia perdendo chance incrível. O Brasil respondeu com um chute forte de Roberto Dinamite, que exigiu muito reflexo do goleiro Martin. Ainda no primeiro tempo, num contra-ataque tramado por Falcão, Zico e Rivelino, Gil foi lançado pelo lado esquerdo da área, limpou dois zagueiros e disparou uma bomba de pé esquerdo para abrir o placar. Na etapa final, Zico recebeu de Roberto, cortou um zagueiro e chutou. O arqueiro deu rebote nos pés de Gil, que limpou a jogada e concluiu com força para fechar o marcador.

No jogo de fundo, em Nova York, a Itália explorou falhas defensivas da Inglaterra para dominar o primeiro tempo e sair na frente com dois gols de Graziani, completando cruzamentos da ponta direita. Na etapa final, porém, os ingleses precisaram apenas dos oito minutos iniciais para virar o jogo. Logo de saída, Royle disputou bola com Zoff e Channon apanhou o rebote para descontar. Depois, Thompson cabeceou de longe e de novo Royle fez o corta luz, tirando do alcance de Zoff, para o empate. Por fim, Channon recebeu lançamento pelo lado direito e se antecipou à defesa para colocar o time de Don Revie na frente. Esgotada fisicamente, a Itália não conseguiu reagir, e o jogo terminou violento. Com o resultado, o Brasil agora liderava isolado o quadrangular com quatro pontos, dois a mais que a dupla europeia.

A decisão

A Inglaterra jogou suas últimas fichas em uma goleada sobre o Team America na Filadélfia, abrindo a rodada no mesmo dia 31 (estranhamente, uma segunda-feira) de Brasil x Itália, mas ficou num insuficiente 3 a 1 (dois gols de Keegan e um de Gerry Francis, com Scullion diminuindo para o combinado). Mais tarde, às 16h de Brasília, no que seria a decisão do torneio, em New Haven, o Brasil tinha a vantagem do empate e trazia Marco Antônio de volta à lateral esquerda e Amaral na quarta-zaga, no lugar de Beto Fuscão. A Itália, por sua vez, precisava vencer por qualquer placar já que o saldo de gols era favorável.

E logo no primeiro minuto parecia que os italianos teriam sua revanche da decisão da Copa de 1970, quando Marco Antônio, em disputa com Graziani, tocou com a mão na bola perto da linha lateral do lado esquerdo da defesa brasileira. Causio cobrou a falta levantando para a área, Leão saiu em falso e a bola bateu na coxa de Fabio Capello, indo para o fundo das redes. O Brasil reagiu e empatou aos 28. Lula recebeu lançamento vindo da defesa, fez boa jogada pela ponta esquerda e centrou rasteiro para Gil. O lateral Rocca não conseguiu cortar, e o Búfalo encheu o pé para fuzilar Zoff.

Time da Itália – em pé: Zoff, Rocca, Antognoni, Graziani, Bellugi e Benetti; agachados: Capello, Causio, Roggi, Facchetti e Pulici.

Time da Itália – em pé: Zoff, Rocca, Antognoni, Graziani, Bellugi e Benetti; agachados: Capello, Causio, Roggi, Facchetti e Pulici.

Perto do fim do primeiro tempo, o jogo foi esquentando. Primeiro Orlando deu um rapa em Pulici, e o italiano o encarou. Aos 44, Lula dividiu duas vezes no pé de ferro com Benetti e depois com Pecci, acabando por ser expulso, com um certo exagero por parte do árbitro uruguaio Ramón Barreto. A confusão que se seguiu interrompeu a partida por quase oito minutos – Rivelino foi ao juiz exigindo que Rocca trocasse suas chuteiras de travas de ferro (que vinham riscando as canelas brasileiras) por outras comuns.

Na etapa final, com Givanildo no lugar de Falcão, o Brasil cresceu no jogo, com mais dinamismo na cobertura do meio-campo e mais rapidez e decisão na criação de jogadas. Aos sete minutos, Rivelino lançou Gil, que fez jogada digna de Jairzinho pela direita, ganhando de Facchetti e de Rocca antes de chutar para virar o jogo. Precisando da vitória, a Itália partiu para o ataque e, mesmo com um jogador a mais, deixou espaços no setor defensivo. Escapou de sofrer o terceiro gol quando Roberto Dinamite fez grande jogada pela ponta esquerda, centrou rasteiro, Zoff não achou nada, mas Marco Antônio, com o gol aberto, inacreditavelmente bateu por cima. Mais tarde, o lateral-esquerdo vascaíno voltaria a ser personagem, ao levar uma solada de Bettega em sua coxa direita, o que provocou a expulsão do atacante italiano. Agora eram dez contra dez.

Aos 28 minutos, Givanildo recebeu na intermediária italiana, percebeu o avanço de Zico e passou ao meia, que em velocidade driblou três zagueiros de uma vez antes de marcar, coroando uma bela jogada de deslocamento. E dois minutos mais tarde, Roberto recebeu belo passe de Getúlio da direita, matou no peito, tirou Roggi da jogada e bateu forte, vencendo Zoff. Estava decretada a goleada, que repetia o placar do Estádio Azteca, quase seis anos antes. Descontrolada, a Itália abriria a caixa de ferramentas: o centroavante ainda levaria uma banda de Roggi num lance isolado no meio-campo, mas o árbitro faria vista grossa. Depois seria Causio a agredir Rivelino com um pontapé. Desta vez, não houve como deixar passar. Nos minutos finais, Gil ainda desperdiçaria uma boa chance de completar seu hat-trick, mas a vitória e o título já estavam mais do que assegurados.

Ao final, o Torneio Bicentenário teve sua valia à Seleção. Preparou testes difíceis contra adversários fortes da Europa, assim como abriu o caminho para tantos nomes de destaque que acabariam ganhando espaço no elenco nacional a partir de então. Além disso, apesar da ideia frustrada de se formar uma seleção da NASL, também ficou gravado na história do futebol nos Estados Unidos como um dos principais torneios já realizados no país. Se os americanos já estavam acostumados a receber clubes estrangeiros com frequência desde a década de 1960, a competição ofereceu uma nova experiência. Que, no entanto, não frutificou de imediato, com o declínio do ‘soccer’. O fervor só se espalharia mesmo pelo país 18 anos depois, com a realização da Copa do Mundo de 1994.

A conquista deu uma certa estabilidade para Brandão tocar o processo de renovação à sua maneira. O Brasil concluiria a excursão derrotando o Pumas UNAM por 4 a 3 em San Francisco e a seleção mexicana por 3 a 0 em Guadalajara. De volta ao Brasil, ainda confirmaria o título da Taça do Atlântico batendo o Paraguai por 3 a 1 no Maracanã e, no fim do ano, venceria a União Soviética por 2 a 0 no mesmo estádio, inclusive com mais um belo gol de Zico. Na temporada seguinte, porém, as críticas se intensificariam com a performance ruim na vitória de 1 a 0 sobre a Bulgária. As atuações pouco convincentes nos amistosos extraoficiais contra a seleção paulista, o Combinado Fla-Flu e o Millonarios colombiano também não ajudaram. Mas a gota d’água foi a decepcionante exibição no empate em 0 a 0 contra a seleção da Colômbia em Bogotá, na abertura das Eliminatórias para a Copa do Mundo – resultado considerado inaceitável para a época (eram outros tempos mesmo). Seis dias depois, em 26 de fevereiro de 1977, o treinador pedia demissão do cargo. Partiria para fazer história no Corinthians outra vez. E, em 3 de março, Cláudio Coutinho já faria sua estreia no comando da Seleção, rumo à Copa do Mundo de 1978.


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