Por Emmanuel do Valle, do Flamengo Alternativo

De um lado, um grande clube de um país de certa tradição no futebol, mas com liga ainda um tanto incipiente em termos de profissionalismo. Do outro, um clube médio, ainda que ascendente, de um país com resultados melhores nas copas continentais, apesar de não figurar entre as grandes potências. Foram esses os dois personagens de uma das mais surpreendentes finais de torneios europeus em todos os tempos, a da Copa da Uefa de 1987, que completou 30 anos neste sábado. IFK Gotemburgo e Dundee United derrubaram gigantes para adquirirem o direito de disputar o prestigioso caneco, que acabou nas mãos dos suecos pela segunda vez, após o título de 1982. Foi há 30 anos, no dia 20 de maio de 1987.

O momento dos finalistas

O Dundee United, dirigido por Jim McLean (um ex-meia com passagem pelo rival Dundee FC), era um time em franca ascensão no futebol escocês dos anos 80. Num período de entressafra para os tradicionais rivais de Glasgow, Celtic e Rangers, agora eram os Tangerines e o Aberdeen do técnico Alex Ferguson a dupla que dava as cartas e disputava o chamado “New Firm”, algo como o “novo clássico”.

No período entre 1980 e 1987, o Aberdeen venceu três vezes a liga escocesa, mais quatro Copas e uma Copa da Liga, além da Recopa e da Supercopa europeia, nas quais bateu Real Madrid e Hamburgo nas decisões, respectivamente. O Dundee United, por sua vez, levantara no mesmo período o único título da liga de sua história, na temporada 1982/83, vencendo ainda por duas vezes a Copa da Liga (as duas primeiras taças de sua história) e também atingindo resultados continentais expressivos.

Na temporada seguinte à conquista de seu título escocês, o time cumprira campanha histórica na Copa dos Campeões, alcançando as semifinais, nas quais chegou a vencer a Roma de Falcão e Cerezo por 2 a 0 no jogo de ida, antes de cair por 3 a 0 na partida de volta na capital italiana graças a um pênalti até hoje bastante contestado entre os Arabs, como são conhecidos os torcedores do Dundee United.

Na Copa do Mundo do México, os Tangerines tiveram nada menos que cinco jogadores convocados pela seleção escocesa: os laterais Richard Gough (que logo após o Mundial seria negociado com o Tottenham) e Maurice Malpas, o zagueiro David Narey, o meia-armador Eamonn Bannon e o atacante Paul Sturrock. Para efeito de comparação, o Aberdeen cedeu quatro, enquanto Celtic e Rangers foram representados por apenas dois e um jogador, respectivamente.

Os quatro mundialistas remanescentes eram alguns dos destaques daquele elenco, formado quase inteiramente por escoceses – incluindo o centroavante Tommy Coyne, titular no início da temporada antes de ser negociado com o rival Dundee FC, e que mais tarde defenderia a seleção da Irlanda. A única exceção era o lateral-esquerdo reserva Chris Sulley, inglês vindo do Bournemouth e que também sairia antes do fim da campanha. O estilo típico do futebol escocês, com toque de bola, agilidade e triangulações no ataque, além de uma defesa marcando duro, também se fazia presente naquela equipe.

Se o Dundee United vivia o período mais vitorioso de sua história, o IFK Gotemburgo não ficava atrás. Já contava, inclusive, com um troféu europeu na bagagem, a mesma Copa da Uefa conquistada cinco anos antes. Naquela ocasião, a equipe dirigida pelo novato treinador Sven-Göran Eriksson despachara Haka Valkeakosken, Sturm Graz, Dinamo Bucareste, Valencia, Kaiserslautern e na decisão vencera as duas partidas contra o forte Hamburgo de Magath, Jakobs e Hrubesch (que levantaria a Copa dos Campeões, atual Champions League, no ano seguinte), incluindo um humilhante 3 a 0 dentro do Volksparkstadion na volta.

E, assim como o Dundee United, os suecos haviam chegado a uma semifinal da Copa dos Campeões – e mais recentemente, na temporada 1985/86. Outra coincidência: depois de abrirem uma considerável vantagem no jogo de ida (3 a 0 sobre o Barcelona), viram o adversário, favorito, reverter o placar no jogo de volta (o Barça devolveu os 3 a 0 no Camp Nou e venceu nos pênaltis).

A equipe do IFK que conquistara a Copa da Uefa cinco anos antes revelara – além do treinador – um punhado de bons jogadores, que logo se transfeririam para clubes de centros maiores do continente: o zagueiro Glenn Hysén defenderia mais tarde PSV, Fiorentina e Liverpool. O meia Glenn-Peter Strömberg faria história no Benfica e na Atalanta. O atacante Dan Corneliusson seria recrutado pelo Stuttgart e, mais tarde, também atuaria na milionária Serie A italiana pelo Como. Enquanto seu companheiro de ataque, o goleador Torbjörn Nilsson, seria vendido ao Kaiserslautern.

O time de 1987, agora treinado por Gunder Bengtsson, ex-assistente de Eriksson, trazia ainda alguns remanescentes do título anterior, como o goleiro Thomas Wernersson, o defensor Stig Fredriksson e os irmãos do meio-campo Tord e Tommy Holmgren. Contava ainda com o retorno de Glenn Hysén, após a passagem pelo PSV. Além de alguns reforços experientes dos vizinhos nórdicos, como o defensor Per Edmund Mordt, da seleção norueguesa, e o rodado atacante finlandês Jari Rantanen. No começo da campanha, o elenco também contava com o veloz atacante Johnny Ekström, logo negociado com o Empoli italiano.

Mas o destaque era a nova fornada de talentos revelada, a começar pelo lateral-direito Roland Nilsson, que mais tarde teria extensa carreira na Inglaterra, primeiro (e com mais destaque) no Sheffield Wednesday e depois no Coventry. As outras duas revelações logo tomariam o rumo do Ajax: o primeiro, logo após o novo título da Uefa, era o zagueiro Peter Larsson. O segundo, que conquistaria o torneio também pelos Ajacieden em 1992, era o centroavante Stefan Pettersson.

Com qualidade em boa medida no elenco, o clube também era vitorioso no cenário nacional no período. Entre 1982 e 1990, o campeão sueco era determinado de um modo peculiar: após a disputa da liga (Allsvenskan), que era considerada um título em separado, era realizado um playoff entre os primeiros colocados para definir o campeão sueco. O IFK venceu a liga em três temporadas (1982, 1984 e 1990), conquistando o título sueco em cinco ocasiões (nas três citadas, além de 1983 e 1987).

A trajetória até a decisão
O IFK Gotemburgo passou pela Inter
O IFK Gotemburgo passou pela Inter

Nas três primeiras fases, IFK Gotemburgo e Dundee United conseguiram avançar com relativa facilidade. Os suecos eliminaram os tchecos do Sigma Olomouc, os alemães orientais do Stahl Brandenburg e os belgas do Gent, vencendo sempre de maneira tranquila seus jogos em casa (goleou o Sigma e o Gent por 4 a 0 no Ullevi). Já os escoceses passaram com placares mais apertados no agregado e chegaram a perder dois jogos como visitantes, mas se valeram da força defensiva em casa para superar Lens, Universitatea Craiova e Hajduk Split.

Nas quartas de final, disputadas em 4 e 18 de março de 1987, foi a vez dos grandes embates para ambos os clubes e, consequentemente, as partidas mais memoráveis de suas campanhas. O IFK Gotemburgo mediria forças com a Inter de Milão de Zenga, Bergomi, Passarella e Altobelli, enquanto o Dundee United teria pela frente o Barcelona de Zubizarreta, Lineker e Mark Hughes.

No Ullevi, um jogo muito truncado disputado em gramado ruim entre suecos e italianos terminou 0 a 0. O técnico nerazzurro Giovanni Trapattoni se disse satisfeito com o resultado, mas ficaria mais feliz se tivesse marcado um gol fora de casa. E ainda destacou a superioridade física dos jogadores do IFK. Foi profético: na volta, no San Siro, a Inter teve sorte ao abrir o placar graças ao gol contra de Fredrikson numa tentativa malsucedida de recuo para o goleiro e ficou, em tese, bem perto da vaga. Mas nos minutos finais, numa jogada típica de pressão de fim de jogo, Pettersson apanhou um rebote de Zenga na pequena área e empatou, classificando os suecos.

Enquanto isso, o Dundee United, outro completo azarão, fazia valer seu bom desempenho defensivo em Tannadice Park para vencer o Barcelona por 1 a 0, obtido com um gol incrível de Kevin Gallacher, num chute de sem-pulo, quase da linha lateral, após sobra de bola da defesa azulgrana. Para a volta, no Camp Nou, imaginava-se uma pressão barcelonista quase insustentável. Mas os torcedores supersticiosos dos Tangerines poderiam se apoiar no retrospecto: os dois clubes já haviam se enfrentado antes pela Copa das Feiras na temporada 1966-67, quando a vaga ficou com os escoceses ao vencerem as duas partidas.

Dundee enfrentou (e eliminou) o Barcelona
Dundee enfrentou (e eliminou) o Barcelona

O Barcelona começou procurando se impor e criando chances, mas o Dundee United levava perigo em contragolpes e jogadas de bola parada. Perto do fim do primeiro tempo, os donos da casa abriram o placar com gol de Calderé, batendo da entrada da área aproveitando um rebote de cobrança de escanteio. O Barça iria para o intervalo em vantagem, mas ainda precisando de um gol para evitar os pênaltis.

Na volta, porém, quem começou assustando foi o Dundee, perdendo grande chance com Sturrock, após confusão na defesa catalã. Mais tarde, Thomson teve de se esticar para espalmar um chute venenoso de Marcos e uma cabeçada meio sem querer de Lineker. Aos 40 minutos do segundo tempo, apesar de o Barcelona ainda procurar o segundo gol, a partida parecia se encaminhar para a decisão nos pênaltis. Até que houve uma falta para os escoceses na ponta esquerda. Ian Redford levantou na área e o zagueirão John Clark subiu mais que a marcação e cabeceou decidido para as redes – a bola ainda tocou o travessão. Era o empate.

O gol foi uma ducha de água fria sobre os catalães, que agora precisariam tirar dois gols em pouco mais de cinco minutos. Mas quem marcaria novamente seriam os escoceses: aos 44, gastando tempo, Sturrock recebeu na ponta-esquerda, tabelou e recebeu de volta, vencendo a linha de impedimento do Barça. Foi à linha de fundo e cruzou à meia altura, para outra cabeçada, agora de Iain Ferguson. A classificação estava assegurada.

Nas semifinais, o IFK não teve dificuldade para despachar o Tirol Innsbruck austríaco – que também vinha surpreendendo ao deixar para trás o Sredets (nome de então do CSKA Sofia), o Standard Liège, o Spartak Moscou e o Torino. A goleada por 4 a 1 em Gotemburgo e a vitória simples por 1 a 0 na Áustria garantiram pela segunda vez os suecos na decisão do torneio.

Enquanto isso, o Dundee United teria nova batalha épica, contra o Borussia Mönchengladbach. Os dois clubes haviam se encontrado pela mesma competição cinco anos antes – curiosamente na primeira edição vencida pelo IFK Gotemburgo. Naquela ocasião, diante de uma forte equipe alemã treinada por Jupp Heynckes e na qual ponteava o meia Lothar Matthäus, os Tangerines reverteram uma derrota por 2 a 0 fora de casa com uma espetacular goleada de 5 a 0 em Tannadice Park.

Desta vez o adversário tinha equipe menos estelar, mas a classificação foi bem mais dramática. O empate sem gols na Escócia no jogo de ida deixou a disputa em aberto, mas a vaga começou a ficar na mão do Dundee quando Iain Ferguson abriu o placar, em cabeçada bem ao seu estilo, após cobrança de escanteio, no velho estádio Bökelberg a dois minutos do fim do primeiro tempo na partida de volta.

O segundo tempo foi marcado pela pressão constante do Borussia, pela valentia dos escoceses em defender a vantagem e ainda pelas decisões controversas do árbitro português José Rosa dos Santos, que distribuiu cartões amarelos a Sturrock e Ferguson (que ficaria suspenso do primeiro jogo da final) e marcaria um polêmico tiro livre indireto dentro da área do Dundee por sobrepasso de Thomson a seis minutos do fim. A cobrança de Uli Borowka, explodiu no pé da trave.

Nos acréscimos, após repelir mais um ataque alemão, Narey despachou a bola até a intermediária adversária, encontrando Kevin Gallacher. O ponteiro venceu a marcação e partiu na diagonal para o gol. Em vez de chutar, preferiu servir Ian Redford, que chegava desmarcado pelo centro. O meia driblou o goleiro Kamps e bateu cruzado para selar a classificação.

As finais
IFK Gotemburgo e Dundee United decidiram a Copa da Uefa de 1986/87
IFK Gotemburgo e Dundee United decidiram a Copa da Uefa de 1986/87

No dia 6 de maio veio o primeiro jogo da decisão em Gotemburgo. O IFK marcou aos 38 minutos do primeiro tempo, quando Stefan Petterson testou para o chão uma cobrança de escanteio e a bola quicou na frente de Billy Thomson e encobriu o goleiro. Foi talvez a única falha do arqueiro escocês num jogo em que ele brilhou impedindo diversas chances do ataque sueco – mesmo atuando durante quase todos os 90 minutos com seis pontos na cabeça após um choque quando saiu para uma defesa aos pés do mesmo Petterson no início da partida.

O resultado aparentemente agradou às duas partes: os suecos, apesar das chances desperdiçadas, gostaram de não ter sofrido gol em casa e confiavam em balançar as redes no jogo da volta – como haviam feito em todas as partidas anteriores. Já o técnico dos Tangerines, Jim McLean, achava a derrota por um gol de diferença plenamente reversível no Tannadice Park, até porque contaria de novo com o supenso goleador Iain Ferguson.

Na segunda partida da decisão, precisando de gols, o Dundee foi a campo escalado num 4-3-3. Jim McLean sacou da equipe o criativo meia Eamonn Bannon e o polivalente David Bowman para a entrada do ponteiro Kevin Gallacher e o retorno de Ferguson.

O time que tentaria reverter a derrota na Suécia tinha Thomson no gol, Holt como lateral-direito, Clark de zagueiro central, o capitão Narey como o beque mais de saída de jogo e Malpas na lateral-esquerda. No meio, McInally e Redford atuavam centralizados pelos lados direito e esquerdo, respectivamente. Kirkwood, o terceiro vértice, encostava mais nos homens de frente. No ataque, o driblador Gallacher era o ponta aberto pela direita, enquanto Iain Ferguson e Paul Sturrock faziam a dupla de área, com o segundo frequentemente caindo pelo lado esquerdo.

O IFK Gotemburgo, por sua vez, trocou apenas o meia-direita, saindo Magnus Johansson e entrando o lateral de origem e bom apoiador Roland Nilsson, numa substituição já feita durante a primeira partida. De resto, a equipe mantinha seu 4-4-2 simples, formando duas linhas de quatro.

Na primeira jogavam os laterais Carlsson pela direita e o experiente Fredriksson pela esquerda, com Peter Larsson e Hysén formando a boa dupla de zagueiros. No meio, Roland Nilsson era escalado aberto pela direita, com Tommy Holmgren fazendo o mesmo papel na esquerda. Michael Andersson e Tord Holmgren armavam e combatiam pelo centro. Na frente, o veloz Lennart Nilsson e o brigador Stefan Pettersson pressionavam a saída de bola e também se revezavam na ajuda ao bloqueio do meio-campo.

O jogo decisivo
IFK Gotemburgo e Dundee United decidiram a Copa da Uefa de 1986/87
IFK Gotemburgo e Dundee United decidiram a Copa da Uefa de 1986/87

Desde o início, a opção do técnico Jim McLean por alterar o esquema se mostrou não ter sido a mais acertada. A missão dos escoceses de tentar reverter a derrota de 1 a 0 sofrida em Gotemburgo era dificultada enormemente pela disposição das duas equipes em campo. O jogo ficou muito concentrado no meio, já que os suecos, em maior número no setor e maiores fisicamente, congestionavam o centro do campo, dificultando a troca de passes do Dundee e o obrigando a recorrer à bola longa, procurando especialmente Gallacher na ponta-direita.

A facilidade do IFK em “encaixotar” os Tangerines durante todo o primeiro tempo também se deu pela falta de um meia aberto autêntico pelo lado esquerdo na equipe escocesa. Assim, enquanto Fredriksson marcava Gallacher e dupla Peter Larsson-Hysén cuidava dos dois homens de área do Dundee, Carlsson sobrava pelo lado direito para completar a cobertura, já que Roland Nilsson, ao apoiar por aquele lado, também ajudava a segurar as subidas de Malpas. A desvantagem dos suecos pelo miolo do meio-campo, por sua vez, era suprida pelo recuo de um dos homens de frente – ou até dos dois, em determinados momentos.

A compactação e a força no bloqueio ajudavam o IFK a sair em perigosos contragolpes, arriscando chutes da entrada da área. E seu gol, aos 22 minutos da etapa inicial, sai justamente de uma jogada assim: um lançamento e um contra-ataque. Após uma cobrança curta de falta na intermediária, Sturrock estica demais a bola e Peter Larsson se antecipa com um chutão em direção à ponta esquerda do ataque sueco. Lennart Larsson corre em direção à bola marcado por Clark, limpa o zagueiro com um corte para dentro e bate rasteiro. A bola entra bem no canto de Thomson, e a torcida escocesa emudece.

Além de uma grande ducha de água fria na torcida, era o primeiro gol sofrido pelo Dundee United em Tannadice na competição. Ironicamente, o IFK Gotemburgo havia marcado em todos os seus jogos como visitante. Outro fator que pesaria fortemente contra os escoceses a partir daí seria o desgaste pela temporada avassaladora, na qual além da longa caminhada no torneio continental, também brigaram pelo título da liga (que ficou com o Celtic) e, entre o primeiro jogo e o segundo da final da Copa da Uefa, decidiram a Copa da Escócia em Hampden Park, também saindo derrotados diante do Saint Mirren com direito a um gol anulado que até hoje gera controvérsias.

Os escoceses tentaram responder com uma cabeçada de Ferguson que acertou o travessão aos 32, mas o primeiro tempo terminou com o IFK na frente, e o Dundee United precisando de um pequeno milagre de três gols para o título. Na volta para a etapa final, o time da casa conseguiu chegar ao empate aos 15 minutos. Ferguson ganhou uma disputa de bola pela meia direita, desceu após se livrar da marcação e cruzou. O zagueiro John Clark dominou de costas para o marcador, girou, deu um belo drible de corpo e bateu no canto de Wernersson. Um gol de centroavante.

Àquela altura, o Dundee United já equilibrava o duelo do meio-campo, especialmente após a entrada do criativo Eamonn Bannon no lugar de Redford, e intensificava a pressão sobre a defesa sueca, enquanto o estádio, antes silencioso, agora se inflamava. Houve uma chance clara com Kevin Gallacher completando de primeira um lançamento de Narey que Clark desviou de cabeça na entrada da área, mas a bola passou por cima do travessão. Mas no restante do jogo, a falta de pernas dos escoceses depois de mais de 70 jogos na temporada era nítida, assim como a frieza e a seriedade dos suecos.

No fim, o empate foi o suficiente para o IFK Gotemburgo levantar outra vez a Copa da Uefa, sob o aplauso dos torcedores do Dundee United, que também não deixaram de reconhecer e exaltar a bravura de seus jogadores. O gesto, aliás, motivou a Uefa a conceder à torcida escocesa o troféu Fair Play.

Lennart Nilsson, IFK Gotemburgo, levanta a taça da Copa da Uefade 1986/87
Lennart Nilsson, IFK Gotemburgo, levanta a taça da Copa da Uefade 1986/87
Após a final, caminhos distintos

Após o título, os suecos voltariam a ter boas participações nos torneios continentais por um certo tempo, especialmente em meados dos anos 90. Na Liga dos Campeões de 1992/93, num grupo com Milan, PSV e Porto, acabaram na segunda colocação (inclusive derrotando os holandeses nas duas partidas), quando apenas o primeiro avançava – no caso, os rossoneri.

Dois anos depois, brilhariam ainda mais, vencendo de forma categórica o grupo em que também figuravam o Manchester United de Alex Ferguson e o Barcelona de Johan Cruyff, além de um bom time do Galatasaray. Cairiam de pé, nas quartas de final, eliminados nos gols fora de casa após dois empates com o Bayern de Munique.

O Dundee United, por outro lado, apesar de voltar a vencer a Copa da Escócia em 1994 e em 2010, nunca mais faria campanha digna de nota nas copas europeias. A rigor, só venceria partidas eliminatórias contra clubes de países bem menos expressivos, como Irlanda do Norte, Malta, Islândia e Andorra. Rebaixado na liga escocesa em 2016, joga na próxima semana o playoff decisivo para o retorno à elite contra o Hamilton Academical.

Jogadores do IFK Gotemburgo comemoram o título da Copa da Uefa de 1986/87
Jogadores do IFK Gotemburgo comemoram o título da Copa da Uefa de 1986/87