Até meados de 1986, Emilio Butragueño não era exatamente uma estrela internacional. Grande promessa do Real Madrid, o atacante de 22 anos havia completado a sua segunda temporada como titular dos merengues, já aparecendo como protagonista na conquista do Campeonato Espanhol. Chegou à Copa do Mundo com cinco gols pela seleção espanhola, quatro deles em amistosos. No entanto, depois daquele 18 de junho, ficou difícil não conhecer El Buitre. O artilheiro teve uma das atuações individuais mais fantásticas dos Mundiais. Balançou as redes quatro vezes para deixar a “Dinamáquina” em pane, diante da goleada por 5 a 1, e classificar a Fúria às quartas de final da Copa de 1986.

Sensação daquela competição, com 100% de aproveitamento e três vitórias contra adversários pesados na fase de grupos, a Dinamarca começava a ser colocada como uma das candidatas ao título. E parecia reforçar esta impressão quando Jesper Olsen abriu o placar em Querétaro, diante da Espanha. Ledo engano. Antes do intervalo, Butragueño buscou o empate depois de uma bobeira da zafa. Para, no segundo tempo, protagonizar o seu show particular. El Buitre balançou as redes mais três vezes, combinando potência e oportunismo. Só não terminou aquela partida com uma “manita” porque Andoni Goikoetxea cobrou o primeiro pênalti concedido aos espanhóis. No segundo, já nos instantes, finais, coube ao jovem atacante encerrar a goleada.

 

Naquele dia, Butragueño se tornou apenas o sexto jogador na história das Copas a marcar quatro gols em um mesmo jogo. O espanhol se juntou a lendas como Willimowski, Ademir de Menezes, Kocsis, Fontaine e Eusébio. Era o primeiro em 20 anos a registrar o feito. E acabou igualado (e superado) apenas pelos cinco gols de Oleg Salenko contra Camarões em 1994. Na sequência daquele Mundial, a Espanha não teve vida longa, caindo diante da Bélgica nos pênaltis. El Buitre, por sua vez, viveria temporadas fantásticas com o Real Madrid, se tornando pentacampeão espanhol e um dos maiores ídolos da história do clube.


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