A Liga dos Campeões contou com grandes times nos últimos 25 anos. Equipes que entraram para a história por suas conquistas e seus craques, mas não conseguiram quebrar um tabu. Desde 1990, nenhum clube consegue ser bicampeão do torneio. Uma façanha restrita pela última vez ao lendário Milan de Van Basten, Baresi, Gullit, Maldini, Rijkaard e tantos outros ídolos. Mais do que levantar a taça duas vezes, a equipe de Arrigo Sacchi é considerada uma revolucionária, pelas inovações que trouxe ao futebol. E ratificou o jogo eficiente e extremamente técnico com o feito na Europa, alcançado em 23 de maio de 1990, há exatos 25 anos.

Naquela época, a Champions tinha um formato bastante distinto. Era preciso passar por cinco fases de mata-matas para conquistar o título. Se o caminho era mais curto e havia apenas um representante por país, em contrapartida os clubes de ligas menores eram bem mais fortes, base de suas seleções nacionais, especialmente antes da Lei Bosman. Além disso, chegar à Copa dos Campeões era uma tarefa tão difícil quanto conquistá-la aos italianos, considerando o nível excepcional da Serie A entre as décadas de 1980 e 1990.

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Assim, a trajetória daquele Milan começou no Campeonato Italiano de 1987/88. Depois de anos difíceis, quando o clube chegou a ser rebaixado, os rossoneri quebraram o jejum de nove anos sem o título nacional. Ficaram três pontos acima do Napoli de Maradona e Careca, além de superarem a Roma (Boniek e Völler), a Sampdoria (Mancini e Vialli), a Juventus (Michael Laudrup e Scirea), a Inter (Zenga e Bergomi), o Torino (Muller e Polster), a Fiorentina (Ramón Díaz e Roberto Baggio), entre outros adversários. Só timaços. E isso porque apenas os violetas e os romanistas conseguiram bater os romanistas durante toda a campanha.

O primeiro título do bicampeonato do Milan na Champions, em 1988/89, começou com vitórias sobre o Levski Sofia, com direito a quatro gols de Van Basten em Milão. Na sequência, os italianos fizeram um duelo lendário contra o Estrela Vermelha nas oitavas de final. Após o empate por 1 a 1 no San Siro, o jogo em Belgrado foi cancelado por causa da neblina que tomava conta do Estádio Marakana, quando os iugoslavos venciam por 1 a 0. No novo duelo, empate por 1 a 1 e vitória milanista apenas nos pênaltis, derrubando o timaço que contava com Stojkovic, Savicevic e Prosinecki. Após o empate por 0 a 0 na Alemanha, a vítima nas quartas foi o Werder Bremen, com outro gol decisivo de Van Basten.

Mais emblemática do que a final naquela campanha, talvez tenha sido a semifinal diante do Real Madrid, pentacampeão espanhol naqueles anos. No Bernabéu, os gigantes não saíram do 1 a 1. Só que os rossoneri humilharam os merengues na visita a Milão. Com Hugo Sánchez, Bernd Schuster e Butragueño do outro lado, o time de Arrigo Sacchi goleou por 5 a 0. Uma noite especial, com gols de Donadoni, Rijkaard, Gullit, Van Basten e Ancelotti. Por mais que o Steaua Bucareste tivesse Hagi, Lacatus, Petrescu e um título continental três anos antes, o favoritismo do Milan era amplo. E assim se cumpriu, com os 4 a 0 no Camp Nou. Dois gols de Van Basten e dois de Gullit, donos das três Bolas de Ouro entre 1987 e 1989.

Já o bicampeonato teve como primeiro desafio o HJK Helsinque. A dificuldade aumentou bastante nas oitavas, novamente contra o Real Madrid, desta vez para jogos mais parelhos: vitória por 2 a 0 em San Siro e derrota por 1 a 0 no Bernabéu, com a classificação apenas no placar agregado. Quem também deu trabalho nas quartas de final foi o KV Mechelen, de Preud-Homme, Marc Wilmots e Lei Clijsters. Após o empate por 0 a 0 na Bélgica, Van Basten e Marco Simone marcaram os gols apenas na prorrogação em Milão.

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Nas semifinais, outra vez o maior desafio. O Bayern de Munique vinha de um tricampeonato alemão, estrelado por Kohler, Augenthaler, Reuter e Thon. Van Basten garantiu a vitória por 1 a 0 em Milão e, após o placar inverso no tempo normal em Munique, Stefano Borgonovo anotou o gol da classificação na prorrogação. Para garantir os milanistas na final em Viena, contra o Benfica. Aos 22 do segundo tempo, Rijkaard quebrou a defesa comandada por Aldair, enquanto Baresi e Maldini seguraram o perigoso ataque comandado por Valdo e Magnusson. A taça outra vez voltava ao San Siro.

O sonho do tri até persistiu por alguns meses, mas acabou nas quartas de final, pelo Olympique de Marseille. Após o empate na Itália, os marselheses venciam por 1 a 0 no Vélodrome até os 33 do segundo tempo. Foi quando os refletores do estádio falharam, os rossoneri se recusaram a voltar ao gramado e acabaram perdendo por WO. Abriram o caminho para o feito do Estrela Vermelha naquele ano, batendo o próprio Marseille na decisão em Bari. Nada que estrague o tamanho do feito dos milanistas nas duas temporadas anteriores.

Extra: Reparem bem nas mãos de Baresi na foto que abre o post. Pois é: uma flâmula da seleção brasileira. Em junho de 1989, o time de Lazaroni encarou o esquadrão de Arrigo Sacchi. Com os milanistas colocando os reservas para jogar no segundo tempo, o placar não saiu do 0 a 0.