Era um time que tentava se remontar, após um grande susto no primeiro semestre. O Atlético Mineiro passou oito das 19 rodadas do Campeonato Brasileiro na lanterna, mas uma reação salvou o time do rebaixamento. O segundo semestre seria de reconstrução. De repente, o time se viu com a chance de ganhar um título continental. E a agarrou. Justamente batendo o Olimpia.

Há 21 anos, alvinegros de Minas Gerais e de Paraguai fizeram a final de uma competição sul-americana. Foi na primeira edição da Copa Conmebol. Um torneio que surgiu como a versão da América do Sul para a Copa da Uefa e que nem era uma prioridade do Galo naquele final de 1992.

Para se ter uma ideia, na primeira fase, o Atlético eliminou o Fluminense com goleada por 5 a 1 diante de apenas 6 mil pagantes em Belo Horizonte. O desempenho convincente animou a torcida. Nas quartas de final, 17,8 mil foram ao Mineirão nos 3 a 0 sobre o Atlético Junior (COL). Nas semifinais, foram 33 mil empurrando o time e vendo um gol contra bem bizarro (após jogada individual do zagueiro, está no vídeo abaixo) nos 2 a 0 do Galo sobre o El Nacional (EQU).

Na decisão, veio o Olimpia. O time paraguaio não vivia uma grande fase. Não conseguira uma vaga na Libertadores daquele ano e não conseguiu para o ano seguinte. Era um time que se renovava após a geração multicampeã da virada da década de 1980 para 1990. Mas era uma equipe experiente, com jogadores conhecidos e rodados. Os principais eram argentinos: o goleiro Goycochea (sim, o da Copa de 1990) e o técnico Perfumo (ídolo do Cruzeiro na época de jogador).

A campanha paraguaia não enchia os olhos. Eliminou o fraco Oriente Petrolero, da Bolívia, nas oitavas de final. Depois, passou pelo pequeno Deportivo Español e o Gimnasia La Plata, ambos argentinos, na disputa de pênaltis. Nesses dois confrontos, conseguiu a façanha de obter quatro empates por 0 a 0 em sequência.

O time mineiro misturava alguns jogadores já experientes, como João Leite, Alfinete, Paulo Roberto e Sérgio Araújo, com alguns garotos que tentavam se firmar, casos de Ryuller, Negrini, Moacir e Aílton (que, dez anos mais tarde, reencontraria o Olimpia em uma final continental, como destaque do São Caetano que perdeu a decisão da Libertadores de 2002).

O Atlético prevaleceu. Levou 60 mil torcedores ao Mineirão para vencer por 2 a 0 no jogo de ida. Em Assunção, no pequeno estádio Manuel Ferreira, segurou o 0 a 0 até o último minuto, quando sofreu um gol que não mudaria o rumo da competição. E, em cima do Olimpia, o Galo conquistou seu primeiro título continental.

A Libertadores 2013 pode ser a revanche paraguaia. Ou um sinal de que o destino atleticano necessariamente passa por um encontro com o maior clube do Paraguai.