Há 15 anos, Ronaldinho vivia seu mais inesquecível clássico com o Barça, ovacionado pelo Bernabéu

Há exatos 15 anos, Ronaldinho vivia uma de suas maiores noites com a camisa do Barcelona. O auge do Bruxo no Camp Nou foi recheado de momentos mágicos e sorrisos escancarados. Aquele 19 de novembro de 2005, de qualquer maneira, guardaria uma partida especialmente emblemática à arte do craque: depois de destruir o Real Madrid nos 3 a 0 do Santiago Bernabéu, o brasileiro seria ovacionado pela torcida merengue. Um raro reconhecimento que, se não é exatamente exclusivo a ele, ressalta a excelência de R10 naquele período.

O Real Madrid vivia o fim de sua era galáctica. Zidane, Ronaldo, Beckham, Raúl, Roberto Carlos e Casillas estavam em campo, treinados por ninguém menos que Vanderlei Luxemburgo. Já o Barcelona carregava consigo o favoritismo, mais consistente desde o título na temporada anterior, e pronto para conquistar a Champions League pouco depois. Além de Ronaldinho, Frank Rijkaard podia escalar sua constelação com Xavi, Deco, Puyol e Edmílson, além de Iniesta saindo do banco. Também despontava um garoto chamado Lionel Messi, então com 18 anos, confirmando pouco a pouco o fenômeno em que se transformaria. Já os holofotes recaíam sobre Eto’o, na primeira partida em Madri depois de provocar os merengues na conquista de La Liga 2004/05. A promessa era de muitas vaias, com Ronaldo tentando pressionar o camaronês nas entrevistas prévias.

Ronaldinho tinha visitado o Bernabéu duas vezes nas temporadas anteriores. Em seu primeiro ano com o Barça, os catalães venceram por 2 a 1 e seria do camisa 10 a assistência para o gol da vitória, anotado por Xavi aos 41 do segundo tempo. Na campanha seguinte, os merengues deram o troco e ganharam por 4 a 2, ainda que o bruxo tenha anotado um dos tentos blaugranas. E então viria a apoteose, pela 12ª rodada de La Liga 2005/06. Naquele momento, os barcelonistas ocupavam a segunda colocação, um ponto à frente dos madridistas. O Osasuna era o surpreendente líder. Mas foi exatamente naquele dia que o Barcelona saltou à ponta da tabela, para não sair mais e levar o bicampeonato espanhol.

O primeiro gol naquela partida foi de Eto’o, aos 15 minutos. Messi arrancou e o centroavante dominou na entrada da área. Mesmo cercado, conseguiu girar e bater no canto. O show de Ronaldinho ficaria ao segundo tempo do clássico, ainda que já infernizasse seu jovem marcador merengue, um tal de Sergio Ramos. No primeiro de seus dois gols, aos 13 minutos, R10 arrancou do meio de campo, para entortar Sergio Ramos e Helguera, antes de tirar do alcance de Casillas. Já aos 32, mais uma disparada alucinante, sem conseguir ser parado pelos madridistas e estufando as redes. Foi neste instante que a torcida do Real Madrid se rendeu ao gênio e começou a aplaudi-lo. Não havia rivalidade que impedisse o reconhecimento.

“Era a grande partida de Ronaldinho e ele voltou a aparecer. Seus dois golaços, a uma semana de ser nomeado Bola de Ouro, passarão à história dos clássicos. É o número um. Salgado, Ramos e Helguera tiveram um pesadelo. O Bernabéu acabou aplaudindo seus chapéus, canetas, fintas e uma definição de outro mundo”, destacou, no dia seguinte, o jornal Mundo Deportivo. “O Barça tem um mágico na equipe, o melhor jogador do mundo porque tem tudo, incluindo a humildade para manter os pés no chão e não mudar sua forma de ser com os elogios que recebe. Não é um craque. É o craque”.

O espanto também ecoava entre os companheiros de Barcelona. Xavi disse que “se alguém tinha dúvidas sobre a Bola de Ouro, elas desapareceram”. Eto’o exaltou “os dois gols que são para colocar no museu”. Já Puyol apontaria que “Ronnie fez genialidades incríveis”. Rijkaard arrematou: “O que fez Ronaldinho no segundo tempo foi simplesmente maravilhoso, para desfrutar o futebol”.

Ronaldinho, por sua vez, não escondeu a empolgação pelo clássico ímpar: “O que mais me emociona é sair aplaudido. Nunca me esquecerei desta noite. Poucos jogadores recebem uma coisa assim em sua carreira. A cada vez em que acredito ter vivido o melhor momento, me acontece algo que supera e é melhor. Só quero dar graças a Deus por me dar saúde para fazer o que gosto e agradecer as pessoas pelo carinho”.

Aquela foi a maior vitória do Barcelona sobre o Real Madrid no Bernabéu em 30 anos, desde a temporada 1984/85. E a noite especial teria seu real desfecho cerca de uma semana depois, em 28 de novembro, quando Ronaldinho foi mesmo anunciado como ganhador da Bola de Ouro. O camisa 10 já tinha vencido o prêmio da Fifa no ano anterior, mas a condecoração da France Football era inédita a ele. A concretização da ovação, marcando aquela que acabaria sendo sua última grande temporada pelos blaugranas.