O tempo se arrastava em Buenos Aires. Naquele momento, em que o relógio marcava 22 minutos do segundo tempo, o empate sem gols soava como uma dádiva para muita gente. A torcida xeneize balançava as estruturas da Bombonera. O aclamado Boca Juniors de Carlos Bianchi tinha pressa, em busca de seu gol. E o Paysandu de Darío Pereyra precisava se segurar heroicamente, com nove jogadores, um a menos em relação aos oponentes. A história, porém, mostraria que a façanha poderia ser maior. Que aquele Papão, já consagrado por grandes conquistas, poderia almejar mais. Poderia sonhar com um milagre não imaginado por tantos descrentes. Mas que estava no âmago de cada um dos heróis alvicelestes naquele 24 de abril de 2003.

VEJA TAMBÉM: Há 15 anos, o Paysandu conquistava a Copa dos Campeões e marcava o ápice de anos gloriosos na Curuzu

O coração dos torcedores bateu mais forte quando o goleiro Ronaldo quase entregou o ouro ao Boca, cobrando um tiro de meta arriscado. Jorginho consertou. Mais do que isso, o experiente defensor demonstrou uma calma que não seria comum àquele instante. Uma tranquilidade de quem parecia já pressentir o que estava prestes a ocorrer. O Paysandu passava a bola com calma. Aproveitava as brechas na defesa xeneize. E quando Iarley abriu livre na esquerda, ficava claro que o relâmpago esperado pelos alvicelestes estava prestes a descarregar. Ali, naquele mesmo bico da grande área. Burdisso e Calvo tentaram acertar o passo. Burdisso e Calvo passaram no vazio, joões sincronizados diante do corte seco. E o tiro certeiro, no canto de Pato Abbondanzieri, caiu como um duro golpe aos boquenses. Em um estádio que não se silencia, a dor se percebe no sentido oposto, com a barra aumentando o volume de sua cantoria. Era a história sendo feita. O Bombonerazo do Papão.

A história, aliás, já tinha sido feita para o Paysandu chegar até ali, naquele estádio tão mitificado. O Papão contava com um time que já poderia ser considerado o seu maior, responsável pelo maior título. Como se esquecer do acesso na Série B em 2001, emendado pela revanche contra o São Raimundo na final da Copa Norte de 2002 e, sobretudo, pela glória principal na Copa dos Campeões? Como ignorar aquela campanha com requintes de epopeia, passando por Corinthians, Fluminense e Náutico na fase de grupos, antes de derrubar Bahia e Palmeiras nos mata-matas? Como não exaltar a final apoteótica ao time de Givanildo Oliveira, ante o Cruzeiro?

A perda da invencibilidade dentro do Mangueirão foi revertida magistralmente no Castelão. Fábio Júnior abriu o placar aos cruzeirenses, mas o ídolo Vandick surgiu como salvador. Anotou uma tripleta ao Paysandu, virando e desempatando de novo quando Cris marcou o segundo da Raposa. No início do segundo tempo, Fábio Júnior fez mais um e deixou tudo igual novamente, 3 a 3. Pois o gigantismo do Papão seria materializado por Jobson, do alto de seu 1,73 m, decretando a vitória por 4 a 3 com uma cabeçada fulminante. Então, Givanildo tratou de fechar a casinha. E, nos pênaltis, a taça cairia nas mãos dos alvicelestes. O Cruzeiro não acertou uma cobrança sequer, em 3 a 0 com gols de Jobson, Vélber e Luís Fernando. Foi o carimbo para que os paraenses disputassem a Copa Libertadores de 2003, em feito inédito aos clubes do Norte.

No meio do caminho até a taça continental, houve o Campeonato Brasileiro de 2002, no qual o Paysandu se satisfez com a permanência na elite. Aconteceram mudanças, desde a saída de Givanildo, à perda de espaço de alguns jogadores importantes. Vandick e Zé Augusto não eram mais intocáveis no ataque, Marcão deixou o gol. Em compensação, chegaram também reforços para manter o moral do Papão elevado. Chegaram Robgol e Iarley, protagonistas naquela aventura continental dos alvicelestes. Já no comando, um treinador com tarimba para a missão além das fronteiras: Darío Pereyra.

FUTEBOL PORTENHO: Iarley relembra o Bombonerazo

O grupo do Paysandu na Libertadores 2003 não previa sossego. E isso foi importante para moldar o caráter do Papão. O time pegaria Cerro Porteño, Universidad Católica e Sporting Cristal, três oponentes com experiência internacional infinitamente maior. Enquanto lidava com as intempéries das viagens pela América do Sul, o clube conciliava a disputa do Parazão, em busca do tetracampeonato estadual.

Logo de cara na competição continental, um compromisso fora de casa ao Paysandu. Viajaram para enfrentar o Sporting Cristal em Lima. E a euforia não se conteve desde aquela estreia dos alvicelestes. Negaram qualquer síndrome de pequenez ao derrotarem os anfitriões por 2 a 0. Robgol abriu o placar, enquanto Sandro (futuramente Goiano) fechou a conta com um petardo. Segundo os jornais da época, a empolgação da torcida se sentiu nas ruas de Belém, “promovendo um carnaval fora de época”. Mal sabiam o que os esperava.

Na rodada seguinte, a massa alviceleste esgotou as entradas postas à venda e botou 40 mil no Mangueirão. Apesar de buscar o ataque do início ao fim, o Paysandu não saiu do empate sem gols com o Cerro Porteño. Ainda assim, prevaleceu o reconhecimento da multidão, que aplaudiu os jogadores, que mantiveram o clube na liderança do grupo. Os fiéis seriam recompensados no compromisso seguinte, contra a Universidad Católica, também em Belém. Não foi um jogo fácil, em que os visitantes abriram o placar e deixaram a torcida da casa apreensiva durante quase todo o primeiro tempo. Contudo, Robgol empatou no fim e faria mais um na etapa complementar, juntamente com Vélber. O triunfo por 3 a 1 tornava a classificação mais próxima.

Simultaneamente, a equipe ficou de fora da final no Campeonato Paraense. Mas isso foi o de menos quando o Paysandu se tornou o primeiro clube brasileiro naquela Libertadores a se confirmar nas oitavas de final, com duas rodadas de antecedência. O terceiro jogo consecutivo como mandante ajudou, na recepção ao Sporting Cristal. Robgol, sempre ele, e Jorginho carimbaram a vitória por 2 a 1. O comprometimento seguia. Segundo os próprios jogadores, o desejo era buscar a liderança para “evitar o Boca nas oitavas”. Já o início no Brasileirão era oscilante, indo de uma vitória por 2 a 1 sobre o Santos a uma goleada por 6 a 1 sofrida para o Corinthians.

E antes de pensar na fase seguinte, o Paysandu fechou Grupo 2 em completo domínio. Os “azarões” da chave se tornaram bicho-papões ao visitarem o Cerro Porteño em Ciudad del Este. A liderança se confirmou com uma imponderável goleada por 6 a 2 sobre o Ciclón, em noite inspiradíssima do tridente ofensivo. Vélber abriu o placar no primeiro tempo, que terminou empatado em 1 a 1. Já na segunda etapa, destruição total: Vélber anotou o segundo, antes que Robgol e Iarley aumentassem a margem. E quando os azulgranas ficaram com um a menos, já na reta final, Robgol e Iarley não tiveram piedade para repetir a dose. Por fim, na última rodada, empate por 1 a 1 contra a Católica. A defesa falhou, mas Sandro segurou a invencibilidade ao buscar o empate aos 44 do segundo tempo.

O êxtase com a campanha do Paysandu era evidente. E nem tinha como ser diferente, diante de tudo o que o time vinha fazendo. Uma equipe entrosada, que apresentava um futebol ofensivo e empilhava gols na Libertadores. Robgol, inclusive, terminou a fase de grupos como artilheiro. A classificação soberana no Grupo 2 passou a ser considerada como prova irrefutável da ascensão dos alvicelestes. Embora ainda enfrentassem dificuldades financeiras, os paraenses foram da seca estadual à vitrine continental. Um sucesso raro aos clubes do Norte-Nordeste, e que tinha uma repercussão ainda maior em tempos nos quais a Conmebol começava a expandir seu principal torneio, com a introdução recente de mais de dois representantes por país.

O frenesi se concentrava especialmente no trio de ataque. Robgol, Iarley e Vélber se complementavam. “O Robson é um goleador, o Vélber tem uma habilidade excepcional e eu tento dar as assistências, a velocidade. A gente se encaixou perfeitamente”, definia Iarley, na época. Três completos desconhecidos, com trajetórias bastante distintas naquele momento. Iarley chegara a tentar a sorte na Espanha, passando pela filial do Real Madrid, antes de defender Vasco e Ceará. Robson era bem mais experimentado, com outros grandes clubes do país no currículo, sobretudo nordestinos. Já Vélber era o novato, formado na Tuna Luso e trazido do Remo, com o qual travava uma disputa judicial.

Apesar das intenções do Paysandu, a primeira colocação no Grupo 2 não bastou ao time para escapar do Boca Juniors. Os xeneizes fizeram uma campanha morna na fase de grupos, suficientemente para avançar com sobras, mas ainda inferior à do Independiente de Medellín. E quatro dias antes do compromisso em Buenos Aires, mais uma injeção de adrenalina aos alvicelestes no Brasileirão, com o flamante empate por 4 a 4 ante a Ponte Preta.

Na véspera da partida contra o Boca Juniors, já na Argentina, Darío Pereyra mantinha a cautela. Jogava o favoritismo para os boquenses, embora dissesse que seus comandados tinham a possibilidade de surpreender. Ao veterano uruguaio, o sucesso se resumiria a um trinômio: tranquilidade, personalidade e determinação. Além disso, o professor tratou de fazer os jogadores sentirem a responsabilidade, apresentando a grandeza dos adversários. Levou os atletas para uma visita ao museu xeneize, indo além dos ensinamentos habituais sobre o estilo de jogo.

Enquanto o Paysandu sabia muito bem quem e o que enfrentaria, a imprensa argentina conferiu certo desdém aos paraenses. “Não trataram a gente com respeito não, tanto que a resenha que rolava lá em Buenos Aires é que eles iam nos golear, que ia ser uns 5, 8 a 0, por aí. No dia que chegamos lá, que fomos treinar e fazer o reconhecimento da La Bombonera, existia um burburinho muito grande de que eles iam engolir a gente”, declarou Robgol, ao Lance. Independentemente disso, Carlos Bianchi certamente tinha consciência do obstáculo que encararia. Não à toa, Carlos Veglio, antigo ídolo xeneize e assistente técnico naquela época, foi o “espião” nos 6 a 2 contra o Cerro Porteño. Levou um brasileiro que conhecia os jogadores e fez suas anotações.

Já o Paysandu, mais do que enfrentar um grande time, enfrentaria as probabilidades. Até então, o Boca Juniors havia perdido apenas dois jogos contra brasileiros em casa pela Libertadores. O primeiro deles, sucumbindo ao Santos de Pelé, na final de 1963. Depois, em tempos enfraquecidos, perdendo para o Cruzeiro de Ronaldo na fase de grupos em 1994. Além disso, o histórico recente deixava na memória as vezes em que os xeneizes foram carrascos dos brasileiros, sobretudo ante o Palmeiras na virada do século.

“É aquela coisa: eu sempre fui um cara que trabalhei muito a motivação. Então, eu sempre falava a meus companheiros, sempre fui, assim, um líder… E eu sempre falava para eles o seguinte: ‘Ó, tem o jogo de volta!’. A gente vencer na Bombonera sabia que ia ser difícil. Eu não podia chegar lá e falar ‘vamos vencer aqui, vamos vencer aqui’, que os caras, de repente, (retrucariam) ‘ah, esse cara tá louco’. Mas não é um fato esse, a gente pode vencer. Como eu disse para eles: ‘A gente pode vencer o jogo, porque é 90 minutos, é onze contra onze, independente de qualquer lugar. O jogo aqui vai ser muito difícil, vamos tentar empatar. Vamos empatar… Se não der para vencer, vamos empatar, porque tem o jogo de volta no Mangueirão. No Mangueirão, nós somos fortes'”, relembrou Iarley, em entrevista ao Futebol Portenho, em 2003.

Após um belíssimo recebimento da torcida do Boca, com direito a bandeirão e tudo, o jogo começou aberto. O Paysandu não se acanhou e também buscava o ataque. Antes dos 20 minutos, Ronaldo e Abbondanzieri já tinham feito boas defesas. Entretanto, o duelo ganhou novos rumos aos 22. O árbitro Carlos Amarilla viu um desentendimento entre Robgol e Clemente Rodríguez, expulsando ambos. Não havia dúvidas sobre qual a perda mais custosa, embora a saída do centroavante não tenha levado Darío Pereyra a realizar mudanças táticas. Os xeneizes terminaram o primeiro tempo tentando pressionar principalmente pelo alto, nas bolas alçadas. Liderado pelo capitão Sandro, o sistema defensivo alviceleste dava conta do recado. Além disso, o Papão buscava suas escapadas na base dos contra-ataques.

Já no segundo tempo, a situação do Paysandu se tornou mais difícil. Aos dez minutos, o meio-campista Vanderson acertou uma cotovelada em Schelotto, imediatamente expulso por Amarilla. O Boca Juniors vinha para cima e até tentava se aproveitar da pilha dos paraenses, já que o árbitro não estava muito para conversa. No entanto, aos 22 minutos, o trinômio de Darío Pereyra preponderou. A tranquilidade de Jorginho e do resto do time em construir a jogada. A personalidade em partir para cima com um a menos. A determinação de Iarley, ao enfrentar a marcação e mandar a bola para dentro. O relâmpago. O milagre.

A Bombonera aumentou a voz depois do gol. Soltou fogos. O prodígio Tevez entrou em campo, reforçando o ataque. Mas nada seria capaz de intimidar aquele Paysandu. Ninguém seria capaz de romper o esforço defensivo. O goleiro Ronaldo faria mais algumas boas defesas e Iarley incomodaria com sua velocidade em outros contragolpes, por mais que não tenham rendido novos gols. Além disso, o ataque do Boca Juniors estava desencontrado, mandando várias boas chances para fora. O épico não foi interrompido. Apito final, 1 a 0 no placar, massa alviceleste em transe.

Milhares de torcedores foram receber o time do Paysandu no aeroporto em Belém. Milhares de torcedores que gritavam “é campeão”. E aquela seria uma semana especialmente movimentada na Curuzu. Carlos Germano foi anunciado como novo reforço para o gol, fazendo sombra a Ronaldo e Alexandre Fávaro – que perdeu espaço durante a fase de grupos da Libertadores, após falhar no Parazão. Na sexta-feira, aconteceu o desembarque. No sábado, uma folga pedida pelos jogadores e concedida por Darío Pereyra. Já no domingo, compromisso pelo Brasileirão contra o São Paulo. Goleada por 5 a 2 do Papão, com três gols de Robgol. O matador estava faminto. Uma pena que não estaria à disposição para o reencontro no Mangueirão.

O jogo de volta pelas oitavas de final da Libertadores aconteceu em 15 de maio, após outras duas partidas pelo Brasileiro. Os desfalques, aliás, seriam um grave problema ao Paysandu no reencontro com o Boca Juniors. Além de Robson e Vanderson, Rodrigo e Tinho também se tornaram desfalques. Quatro titulares fora. E a febre pela façanha na Bombonera acabou suplantada pela frustração no Mangueirão abarrotado por 65 mil. Os alvicelestes não quiseram saber se seria mais difícil voltar para casa na madrugada, diante da greve de motoristas e cobradores que afetou os serviços de ônibus em Belém naquela semana. O retorno, todavia, seria cabisbaixo – em meio a engarrafamentos de até 15 quilômetros e transportes improvisados em caminhões, peruas e até carroças.

O Paysandu esteve distante de repetir a solidez vista em Buenos Aires. Desconcentrado, o time cometia erros tolos atrás, dava espaços. A defesa, que já vinha comprometendo, terminou de ruir. Schelotto deixou o Boca Juniors em vantagem no primeiro tempo. Já no início da etapa complementar, um belo chute de Lecheva deu esperanças ao Papão. Em vão. Endiabrado, o atual técnico xeneize acabou com os alvicelestes, naquela que considera a melhor atuação de sua carreira. Anotou mais dois gols cobrando pênalti, enquanto Delgado também deixou o dele. Para piorar, os paraenses tiveram Wellington e Sandro expulsos. No fim, Burdisso marcou contra o próprio patrimônio, mas o segundo tento dos anfitriões pouco adiantaria. A vitória por 4 a 2 selou a classificação boquense às quartas de final. O ídolo Vandick pendurou as chuteiras logo após a derrota, sentindo o peso da idade, bem como a frustração da massa alviceleste.

Aquele jogo foi um divisor de águas para o Boca Juniors. O time embalou na Libertadores, passando a atuar com três atacantes a partir de então, Tevez confirmado após a boa exibição em Belém. Os xeneizes eliminaram Cobreloa e América de Cali, antes de se impor contra o Santos na decisão. Já o Paysandu precisou se refazer. Ainda seguiu com um desempenho digno no Brasileirão, com o ápice em julho, ao derrotar o timaço do Cruzeiro. Só que em tempos nos quais os destaques do futebol nacional eram ainda mais voláteis às propostas estrangeiras, o sucesso cobrou seu preço. Robgol saiu ao Japão e o carrasco Iarley seria adorado na Bombonera que ferira meses antes. Depois disso, uma irregularidade na contratação dos substitutos ao ataque levou o Papão a ser punido com a perda de pontos no STJD. A permanência na Série A, uma posição acima da zona de rebaixamento, já representou um alívio. Mas nada que afetasse aquela noite inesquecível de 24 de abril. Uma noite eterna aos alvicelestes e memorável a tantos outros torcedores que tiveram a honra de acompanhá-la.

* Agradecimento especial ao amigo Caio Brandão, pela ajuda com o material primordial da época.

Ficha técnica

BOCA JUNIORS
Abbondanzieri; Ibarra (Calvo), Burdisso, Crosa e Rodríguez; Battaglia (Moreno), Cascini, Cagna (Tevez) e Donnet; Schelotto e Delgado
Técnico: Carlos Bianchi

PAYSANDU
Ronaldo; Rodrigo (Gino), Jorginho, Tinho e Luis Fernando; Vanderson, Sandro, Lecheva (Bruno) e Iarley; Vélber (Rogerinho) e Robgol
Técnico: Dario Pereyra

Gol: Iarley aos 22 minutos
Juiz: Carlos Amarilla (Paraguai)
Cartões amarelos: Cascini, Donnet, Iarley e Ronaldo
Cartões vermelhos: Rodríguez, Robson e Vanderson
Local: La Bombonera, em Buenos Aires


Os comentários estão desativados.