O Mundial Interclubes de 1999 foi um grande duelo. O Palmeiras, campeão da Libertadores, chegou para a disputa com um time forte, entrosado e com muitos bons jogadores. Enfrentava um time também muito forte, o Manchester United, que tinha vencido aquela final épica da Champions League contra o Bayern, com uma virada nos acréscimos. O duelo prometia ser equilibrado e assim foi. Um confronto que não teve um grande favoritismo do lado europeu, como foi se tornando comum à medida que o tempo passou. Ali, o Palmeiras mostrou força, encarou, mas acabou perdendo em uma falha individual, e logo de um dos seus maiores ídolos, o goleiro Marcos.

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O Palmeiras tinha Alex como camisa 10, era o grande craque do time. Tinha também nomes importantes como Marcos, Arce, César Sampaio e Zinho, além de Paulo Nunes e Asprilla – este último um reforço para o Mundial, não estava no time campeão da América no primeiro semestre do ano. Comandado por Luis Felipe Scolari, o time chegava forte à disputa. O Palmeiras chegava forte, mas teria do outro lado um adversário  com prestígio e com força.

O Manchester United era basicamente o time campeão da Champions League, com exceção do goleiro Peter Schmeichel, que deixou o clube após a conquista. O titular foi Mark Bosnich e os Diabos Vermelhos atuaram com o meio-campo recheado, em vez dos dois atacantes de costume: Mark Bosnich; Gary Neville, Mikael Silvestre, Jaap Stam e Denis Irwin; Nicky Butt, Roy Keane, Paul Scholes, David Beckham e Ryan Giggs; Ole Gunnas Solskjaer. Dwight Yoke, que era titular normalmente, estava no banco. Andy Cole ficou fora, machucado. O técnico, como foi durante 26 anos de 1986, era Alex Ferguson.

O gol de Roy Keane, aos 35 minutos, veio depois de uma grande jogada de Ryan Giggs pelo lado esquerdo. O galês chegou à linha de fundo, cruzou alto, Marcos saiu mal do gol e não achou nada e o meio-campista irlandês chegou para tocar de pé direito para o fundo da rede e marcar. Depois do gol, o Manchester United viu o Palmeiras jogar, pressionar e tentar muitas vezes o gol. Alex, que já tinha perdido uma chance no começo do jogo, foi o nome em foco. Fez um gol anulado por impedimento e deu muito trabalho ao goleiro australiano Bosnich, que teve que trabalhar muito para impedir o gol alviverde. Asprilla e Oséas, que entrou no segundo tempo, também tiveram suas chances.

A pressão foi tanta que Luiz Felipe Scolari tirou o volante Galeano com nove minutos do segundo tempo para colocar o atacante Evair. Mesmo assim, o time não perdeu o meio-campo e dominou a segunda etapa. A BBC, na época, relatou a situação assim:

“O time de Ferguson pareceu estar jogando consigo mesmo, contente em deixar os sul-americanos darem o entretenimento aos espectadores japoneses. Bonisch de novo salvou com três defesas do mais alto nível antes do apito final. Primeiro, defendeu uma cabeçada de Oséas à queima roupa no reflexo, depois ele parou um contra-ataque do rápido Júnior antes de finalmente espalmar um voleio espetacular de Alex de fora da área. O ataque violento só foi parado quando o árbitro alemão Hellmut Krug apitou o fim do jogo”.

O site do Manchester United também relatou o jogo ressaltando o quanto a atuação do goleiro australiano foi decisiva para a conquista daquela taça. Uma taça que, é importante lembrar, foi o primeiro Mundial (ou Intercontinental, como chamavam na Europa) de um time britânico, algo que o próprio técnico Alex Ferguson valorizou na época.

“Jogado em Tóquio diante de 53.372 torcedores, o jogo não foi um clássico do padrão do Manchester United. Na verdade, o goleiro Mark Bosnich foi obrigado a fazer um grande número de ótimas defesas e poderia facilmente ter sido nomeado o jogador da partida (Ryan Giggs ganhou esse título… E as chaves de um carro novo)”.

O Palmeiras de 1999 chorou no vestiário uma derrota sofrida em um jogo que fez o suficiente para ao menos empatar o jogo. Pelo futebol apresentado, não seria nenhuma surpresa se o time de Felipão tivesse empatado ou mesmo virado a partida. Alex, que jogou uma grande partida, teve ao menos três chances que quase marcou, além do gol anulado por impedimento. O Palmeiras foi gigante em Tóquio e conseguiu se impor diante de um Manchester United histórico. Não venceu, mas participou de um grande jogo, que fica marcado na história das duas equipes.

É com histórias assim que o Palmeiras se tornou o grande clube que é. E é essa história que aqueles que o presidente reeleito Paulo Nobre, a diretoria e aqueles que estão no comando do Palmeiras precisam trabalhar para retomar. O que se vê do Palmeiras em 2014 não condiz com a sua história. Por isso, é preciso sempre lembrar a história para colocar o Palmeiras em seu lugar, porque o que se vê atualmente são anos e anos de dirigentes colocando o Palmeiras em uma posição muito menor.

Veja os melhores momentos do jogo:

O jogo completo:


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