Não importa o momento, não importa o torneio, não importa o parâmetro. O Cruzeiro de 2003 merece sempre ser incluído como uma das maiores equipes que o futebol brasileiro já viu. Afinal, a Raposa não deixou pedra sobre pedra nas três competições que conquistou. Primeiro, se impôs sobre os rivais no Campeonato Mineiro. Depois, dominou o Flamengo e faturou a Copa do Brasil – com direito àquele inesquecível gol de letra. E viria ainda mais no Brasileirão. Na primeira edição dos pontos corridos, um líder insaciável. O time dos 100 pontos, o ataque dos 102 gols. O esquadrão que não tomou conhecimento de seus concorrentes, mesmo em tempos ainda abastados do futebol nacional. Com três rodadas de antecipação, consumou a taça até então inédita.

O Cruzeiro da Tríplice Coroa ainda contava com Vanderlei Luxemburgo no máximo de sua arte à beira do campo. Tinha um Alex em ponto de ebulição, tão genial quanto letal. Vários jovens talentos à disposição. Jogadores notáveis que fariam ainda mais nos anos posteriores da carreira, como Gomes, Edu Dracena, Wendel, Deivid, Felipe Melo, Cris, Luisão, Maldonado e Maicon. Veteranos que terminaram por se consagrar, sobretudo Zinho e Aristizábal. Ou aqueles que praticamente se bastaram pelo ano mágico, a exemplo de Mota e Augusto Recife, de participações importantes para já merecerem a lembrança. O mais importante é como a máquina engrenada funcionava, coletivamente muito eficiente. E cujo maquinista, o camisa 10, a botava para atropelar quem vinha pela frente.

O jogo que selou a coroação do Cruzeiro na Série A aconteceu em 30 de novembro de 2003. O Mineirão estava completamente abarrotado para o duelo contra o Paysandu – carrasco na grande frustração do ano anterior, a Copa dos Campeões. E para não deixar dúvidas de que os ares eram completamente diferentes, a Raposa soltou o grito de campeão. Mesmo sem Alex, os celestes bateram o Papão por 2 a 1. Contaram com um Zinho inspiradíssimo. No dia em que se tornou recordista (naquela perspectiva histórica) e faturou seu quinto título brasileiro, o veterano abriu o placar e viu Mota selar a vitória. Proporcionaram uma das tardes mais apoteóticas que Belo Horizonte já viveu, merecidamente. A façanha cruzeirense permanece inigualável no país.

Para celebrar a data memorável, aproveitamos para resgatar um documentário produzido pela Globo Minas na época, disponível no YouTube através do canal “Raposão Guerreiro”. Traz a campanha detalhada no Brasileirão, com gols e outras informações. Memórias saborosas aos torcedores celestes: