O meia Gustavo Boccoli, 28 anos, revelado na Portuguesa, é um dos maiores ídolos do futebol israelense na atualidade. Dono da camisa 7 do Maccabi Haifa, ele foi eleito o melhor jogador de Israel na última temporada e vive o melhor momento de sua carreira profissional. Neste bate-papo, Boccoli conta, de forma direta e sucinta, como anda o futebol em Israel e revela que poderá se naturalizar e defender as cores da seleção local.

Confira a entrevista

Você foi eleito o melhor jogador da temporada 2005/6 em Israel. Como está sendo seu momento profissional?
Muito bom, estou muito satisfeito em jogar neste país e sendo considerado e reconhecido profissionalmente, pois todo jogador espera este reconhecimento e aqui estou tendo – e aqui não deixa de ser um pais com um bom futebol. A liga de Israel é bastante competitiva.

O gol que você marcou frente ao Auxerre pela Copa Uefa foi o mais bonito da sua carreira?
Foi um dos mais bonitos sim, mas felizmente já marquei também outros gols tão ou mais bonitos que esse.

Acha que a equipe sentiu a derrota para o Rangers (2×0) na Copa Uefa? Jogar em Ibrox (estádio do Rangers) é dureza?
Foi um jogo muito difícil. Realmente, eles são muito fortes fisicamente, mas a equipe, mesmo com a derrota, se portou muito bem. Infelizmente, sofremos um gol logo no inicio da partida, o que dificultou muito, mas fizemos um bom jogo e estamos de cabeça erguida.

Quais as diferenças entre os jogos da Liga Israelense e as partidas das competições européias?
A atmosfera é totalmente outra. Quando se joga uma competição européia, é muito estimulante, pois já estamos acostumados em jogar a competição local. Também não deixa de ser uma porta pra que as equipes da Europa conheçam mais os jogadores daqui.

O Maccabi Haifa ambiciona vencer a Copa Uefa ou apenas chegar numa posição destacável?
Nosso pensamento é chegar o mais longe possível. Sabemos das dificuldades e que grandes equipes querem esse titulo, mas no futebol tudo e possível.

Israel já teve jogadores importantes jogando na Europa como o Haim Revivo (ex-Celta) e o Berkovic (ex-West Ham). Atualmente, a presença de jogadores israelenses, como o goleiro Aouate (La Coruña) e os meias Idan Tal (Bolton) e Benayoun (West Ham), em ligas importantes pode abrir o mercado para mais jogadores israelenses na Europa?
Com certeza! isto mostra que aqui temos jogadores de qualidade, e outras equipes começaram a olhar com mais atenção para nossa liga.

Você pretende se naturalizar israelense, como fez o seu companheiro de equipe, o atacante argentino Collauti (ex-Boca Juniors)?
Existe essa possibilidade. Se acontecer, ficarei muito feliz em representar a seleção de Israel, pois tenho vivido muitas coisas boas aqui.

Equipes recordistas de títulos nacionais, como o Hapoel e o Maccabi Tel Aviv, além do seu time, que é o atual tricampeão, não estão nem entre os quatro primeiros colocados na atual Ligat Ha´Al (liga Israelense de futebol). Acha que o campeonato está só no começo, e os grandes vão reagir, ou poderá haver surpresas?
Eu vejo que este ano muitas equipes se reforçaram, mas ainda nossa equipe tem grandes chances de ser campeã outra vez. Apenas necessitamos conciliar as duas competições (campeonato e Copa Uefa) e aí tenho certeza que entraremos na briga pelo titulo.

A ida do experiente Arik Benado, um dos ídolos do Maccabi Haifa, para o Beitar Jerusalém foi prejudicial à equipe?
É claro! ele era o capitão da equipe, e isso nos deu um baque, mas temos jogadores suficientes e capazes pra substituí-lo. Não acho que tenha abalado a equipe.

Como está sendo a adaptação do zagueiro chileno Olarra, que chegou nesta temporada, e como é a relação dos estrangeiros com os jogadores mais experientes da equipe como o Davidovich e o Keisi?
E muito bom ter na equipe um jogador da experiência internacional que tem o Olarra, e isso nos ajuda muito, principalmente em horas decisivas. A relação dentro do grupo de forma geral é tranqüila.

Como são os clássicos na Liga de Israel?
Não é diferente de nenhum outro clássico no mundo. São muito brigados, pois ninguém quer perder, sendo assim é muito disputado e muito bom de jogar, pois as torcidas comparecem em peso e fazem um espetáculo à parte.

Como é trabalhar com Ronny Levi, que é um treinador que utiliza bastante recursos tecnológicos nas análises das partidas?
Ele é um treinador jovem e quer sempre aprender novas técnicas. Ele tem trabalhado conosco como os times europeus, e isso é muito bom. Vejo nele muito potencial como treinador e gosto muito de trabalhar com ele.


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