Grupo F: Bayern desponta e Arsenal quer mudar sua sorte

Bayern  de Munique, Arsenal, Olympiacos, Dinamo Zabreb

O cenário esperado

Talvez o grupo com divisão de forças mais evidentes. O Bayern de Munique se destaca como grande favorito, até pelo histórico recente contra o Arsenal na Champions. E, para um time que tem como obrigação reconquistar o continente, diante da pressão que se criou sobre Pep Guardiola diante do domínio na Bundesliga, assegurar a primeira posição da chave já se torna importante. Os Gunners, entretanto, também se destacam o suficiente para buscar a classificação para as oitavas de final. A não ser que o próprio time se complique, ficar à frente de Olympiacos e Dinamo Zagreb não parece ser problema. E mesmo os gregos se credenciam para o terceiro lugar, que leva à Liga Europa. Apesar das muitas novidades no elenco para esta temporada, a qualidade é superior à dos croatas.

O cenário possível

Nas últimas cinco edições da Champions, o Arsenal caiu nas oitavas de final. Nas últimas cinco edições da Champions, os Gunners só lideraram o seu grupo uma vez, quando acabaram eliminados pelo Milan, em 2011/12 – ainda que, no papel, os londrinos fossem mais fortes que o Monaco na edição passada. Diante de tal retrospecto, Wenger já percebeu a importância de terminar a primeira fase no topo da tabela. E o Bayern, algoz em duas oportunidades, talvez seja o melhor parâmetro possível para a equipe tentar se superar. Enquanto os bávaros oscilam neste início de temporada, o Arsenal pode manter as esperanças. Afinal, surpreender em Munique pode significar uma vida mais tranquila nos mata-matas. No mais, o Olympiacos é quem mais pode despontar como intruso da festa. A inferioridade é evidente, mas jogar na Grécia costuma ser missão indigesta. E os alvirrubros têm incomodado bastante na luta pela segunda vaga recentemente – em quatro anos, por duas vezes ameaçaram o próprio Arsenal, eliminaram o Benfica e, em 2014/15, ficaram a um ponto de derrubar a vice-campeã Juventus.

Jogador-chave

Cazorla foi o capitão do Arsenal contra o Everton, em torneio amistoso em Cingapura (AP Photo/Joseph Nair)

Santi Cazorla

Você pode dizer que o grande protagonista do Arsenal é Alexis Sánchez. Que Petr Cech chegou para ser um diferencial no gol dos Gunners. Que nenhum outro jogador do elenco possui mais reconhecimento do que Mesut Özil. Ainda assim, nenhum deles desempenha a função de Santi Cazorla. O meio-campista espanhol é o verdadeiro termômetro da equipe de Arsène Wenger e será essencial nos duelos contra o Bayernuq. Tem ótimas companhias na criação, é claro. Porém, nenhum deles consegue ser tão determinante ao ritmo do time– ainda mais adaptado como volante neste início da temporada, apesar das deficiências na marcação. A melhora do desempenho coletivo na última Premier League teve grande responsabilidade de Cazorla. Jogando principalmente como meia central, cadenciou o jogo e apareceu muito bem no ataque – entre gols e assistências, foram 18 na sua conta. Em um clube que costuma sofrer um bocado com lesões, a regularidade do camisa 19 se faz fundamental. E ainda é um diferencial para decidir jogos em um lance, muito graças à precisão de seus pés.

Fique de olho

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Os jovens talentos do Dinamo Zagreb

Assim como em suas últimas participações na Champions, o Dinamo Zagreb deve ser mero figurante. A possível classificação para os mata-matas da Liga Europa já seria motivo de grandes comemorações. Não é por isso, contudo, que deva ser um time ignorado na competição. Muito pelo contrário. Vale acompanhar atentamente alguns nomes da equipe croata, já que podem despontar em grandes equipes em breve – como os casos de Modric, Kovacic, Lovren e Mandzukic, exemplos das boas revelações do clube. Desta vez, o principal destaque é Ángelo Henríquez, atacante chileno que veio do Manchester United e fez parte da conquista da Copa América de 2015. Na ponta, Marko Pjaca é especulado no próprio Bayern e já desponta como titular na seleção croata, enquanto outra referência na frente é o bósnio Armin Hodzic, autor de seis gols na temporada. E o meio-campo ainda tem Marko Rog e Ante Coric, titulares absolutos no setor. Todos com 21 anos ou menos, prometendo iniciar suas próprias histórias na Champions.

O brasileiro

Douglas-Costa-Bayern

Douglas Costa

Para quem chegou com o enorme peso de ser alternativa a Arjen Robben e Franck Ribéry no elenco do Bayern de Munique, Douglas Costa tem feito jus à aposta e supera mesmo as expectativas. Tem sido já um dos protagonistas do time neste início da temporada, assumindo a responsabilidade e decidindo as partidas. É verdade que, ao contrário do que havia feito na maioria dos jogos da Seleção, Douglas vinha de excelentes momentos com o Shakhtar Donetsk. Dono de qualidade técnica e habilidade de sobra, é um ponta que parte para cima dos adversários, mas também cria muitas oportunidades aos companheiros. Ainda assim, as maiores exigências deverão vir mesmo nos mata-matas.

A contratação

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Esteban Cambiasso

O cenário econômico na Grécia anda caótico há algum tempo. Enquanto isso, o Olympiacos atravessa uma crise política, com o envolvimento do presidente e dono Evangelos Marinakis em caso de manipulação de resultados. Entretanto, esses fatores não foram suficientes para prejudicar os cofres em Pireu. Afinal, dinheiro não é problema para o magnata da navegação, por mais que os investimentos tenham diminuído nos últimos anos. E a mera presença na fase de grupos da Champions já garante uma boa grana. Assim, os gregos fizeram boas movimentações no mercado, dentro de seus limites, é claro. O nome mais tarimbado é o de Cambiasso, que chegou sem custos, mas alto salário. Apesar da idade, o argentino vem de grande temporada no Leicester e dará consistência ao meio de campo, além da tarimba essencial na LC. Além disso, a lista de reforços inclui o promissor goleiro Stefanos Kapino, que estava no Mainz 05; além de Alfred Finnbogason e Brown Ideye, ótimas alternativas ao ataque. Opções que dão profundidade ao elenco e credenciam uma eventual surpresa.

Na história

Bayern de Munique e Arsenal já estão acostumados a se enfrentar na Champions. Esta será a terceira vez nas últimas quatro temporadas que os times se cruzaram. E o primeiro duelo da dupla aconteceu em 2001, ano de doces lembranças para ambos os clubes. Enquanto os bávaros voltaram a faturar o título continental após 25 anos, os londrinos começariam a encaminhar a conquista da Premier League 2001/02. Naquela ocasião, contudo, o Bayern se impôs. Pela segunda fase de grupos, Tarnat e Scholl buscaram o empate por 2 a 2 em Londres e Élber fez o gol decisivo na vitória por 1 a 0 em Munique. Contando com Henry, Bergkamp, Vieira e Adams entre os destaques, o time de Wenger passou em segundo na chave e acabou eliminado pelo Valencia nas quartas de final. Justamente os adversários do Bayern decisão, que contou com Oliver Kahn em noite brilhante e festa dos alemães.