Ruud Gullit foi um dos grandes jogadores do cenário europeu dos anos 80 e 90. Por onde passou, o meia foi inegavelmente ídolo e conquistou uma legião de fãs, sobretudo em seu país, na Holanda. Foi com a camisa laranja que, junto com Frank Rijkaard e Marco van Basten, Gullit reavivou o futebol nacional depois de alguns anos desde o fim da era Cruyff em campo, o elevando a ponto de fazer os holandeses serem campeões da Eurocopa pela primeira vez. Porém, foi na Itália em que ele teve chegou ao pico de sua carreira. Como um bom conhecedor do país da bota e do Calcio, o Tulipa Negra teceu críticas à Serie A em longa entrevista à Gazzetta dello Sport, na qual ainda falou sobre Maradona, racismo e a Juventus.

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“Não tenho acompanhado muito o Campeonato Italiano porque não tem transmissão na Holanda. Mas o que eu posso dizer é que é muito estranho ver os estádios sempre vazios”, comentou o ex-craque do Milan e da Sampdoria. “Teve um dia que eu decidi levar meu filho para assistir a uma partida entre Milan e Cesena, e eu estava tipo ‘o que é isso?’. Não tinha quase ninguém no estádio”, complementou o holandês, lamentando o baixo público da Serie A, algo que é cada vez mais recorrente. “O problema disso é que os estádios são velhos. E talvez seja só por isso mesmo, porque os resultados, internacionalmente falando, mostram que a interpretação do futebol que os italianos têm é a certa”.

O motivo da entrevista foi o lançamento de seu novo livro “Non Guardare la Palla” (em tradução livre, “Não Olhe para a Bola”), no qual ele expõe sua visão sobre o futebol no geral e conta algumas histórias, como a de ter ido ao show da Whitney Houston na noite anterior à final da Eurocopa de 1988, edição em que a Holanda saiu vitoriosa. Gullit também relembrou seus tempos no Milan, época em que a soberania no Calcio era comandada pelos rossoneri e pelo Napoli de Diego Maradona, Bruno Giordano e Careca. “Eu melhor do que Maradona naquela tempo? Jamais! Diego foi único. Era o absoluto”, respondeu o ídolo holandês quando questionado sobre seu potencial e o do argentino.

Gullit também foi perguntado sobre racismo, já que é negro e houve um caso recente em que Mario Balotelli foi ofendido por torcedores na Ligue 1 em função da sua cor de pele. “Na Itália me chamavam de ‘negro’, mas eu não considerava isso racismo”, opinou o ex-jogador. “Acho que eles só estavam assustados mesmo. Sempre dava o meu melhor em campo e, no final, eles me aplaudiam. É a mesma coisa que acontece com faltas. Se você me bater, eu vou revidar. Mas aí se você for para o chão e ficar reclamando, eu logo vou pensar ‘olha isso! Eu o machuquei’, e eu não quero isso, claro”.

Falando sobre Champions League, torneio do qual foi campeão duas vezes consecutivas, o holandês afirmou que a Juventus tem time para levantar a taça desta temporada. “Eles podem ser campeões! Assisti a Juventus na final em Berlim [de 2015] e não consigo escolher um favorito para este ano, mas acho que a Velha Senhora pode ganhar. A coisa mais importante é ela conseguir chegar ao final da temporada em forma”, ponderou.