A Champions League é a maior competição de clubes do mundo. A gente sabe, a gente cobre ela como tal. Tem mais dinheiro, tem mais craques, tem mais organização, tem regulamento mais claro, tem mais mídia, tem um hino que muita gente acha legal. Mas ela não tem, e nunca terá, uma coisa: a nossa alma. A minha, a sua, a do uruguaio, a do paraguaio, a do colombiano e até a do argentino que diz odiar sem saber direito o motivo.

Queira você ou não, todos somos sul-americanos. Não importa que você, como eu, fale português e o resto do continente fale espanhol. Há elementos históricos e culturais de toda a região. E nada transforma esses elementos em esporte de forma tão clara quanto a Libertadores.

A questão não é o lado negro do torneio. Os policiais protegendo o jogador visitante na cobrança de falta, objetos que voam no gramado, bagunça no regulamento, falta de condições mínimas de conforto e segurança em alguns estádios. Isso tem de acabar. Mas o modo de encarar cada confronto, a determinação das equipes de não aceitarem suas limitações para conseguir arrancar a vitória. Se não há técnica, que seja na força, na garra, na mente.

Na Liga dos Campeões, geralmente os melhores vencem. Na Libertadores, a lógica do futebol não é mais importante do que a capacidade de superar as pressões, a guerra de nervos, a altitude, as longas viagens, as diferentes condições de jogo em cada lugar. Tudo isso forma um pacote, e por isso vencer a Libertadores tem algo diferente. Não significa apenas que seu time tem mais futebol que os demais. Significa que ele é melhor em várias coisas.

Agora é a vez de o Atlético Mineiro estar perto disso, perto como nunca esteve em sua história. Talento por talento, parece claro que o time brasileiro tem mais que o Olimpia. Mas os alvinegros paraguaios têm alguns bons jogadores e sabem como poucos como lidar com todos os outros elementos que envolvem um duelo de Libertadores.

Por isso, hora de esperar para ver qual força prevalece. E, enquanto a hora não chega, olhar o especial que preparamos. Mostramos quais os caminhos para cada um dos times na decisão, quais serão os palcos dessa final, a história por trás disso e quem já chegou lá.

ANÁLISE

Onde pode estar o caminho para o título sul-americano de cada time.

PALCOS

Todas as finais de Libertadores que o Defensores del Chaco e o Mineirão já abrigaram.

PERSONAGENS

Que jogadores atleticanos e olimpistas já conquistaram a Libertadores.

CAMPEÃO LÁ, CAMPEÃO CÁ

Ronaldinho pode se tornar o sétimo jogador a ter título da Libertadores e da Liga dos Campeões. Veja quem são os outros.

REVIRAVOLTA NO PARAGUAI

Chegada do Olimpia à decisão está diretamente ligada à saída do presidente Marcelo Recanate e à competência do técnico Ever Hugo Almeida

HISTÓRIA 1

Copa Conmebol 1992, quando Atlético e Olimpia decidiram um título continental.

HISTÓRIA 2

O Olimpia x Atlético que marcou o início da carreira de Telê Santana