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Cidade: Londres
Estádio: Stamford Bridge (41.631 pessoas)
Técnico: Frank Lampard
Posição em 2019/20: 
Projeção: Brigar por Champions League
Principais contratações: Kai Havertz (Bayer Leverkusen-ALE), Timo Werner (RB Leipzig-ALE), Ben Chilwell (Leicester), Hakim Ziyech (Ajax-HOL), Malang Sarr (Nice-FRA), Thiago Silva (PSG-FRA)
Principais saídas:  Mario Pasalic (Atalanta-ITA), Nathan (Atlético Mineiro), Danilo Pantic (Cukaricki-SER), Willian (Arsenal), Pedro (Roma-ITA), Ethan Ampadu (Sheffield United), Michy Batshuayi (Crystal Palace), Kenedy (Granada-ESP)

Quem viu o Chelsea jogar notou que a principal fonte da sua instabilidade foi uma defesa pouco segura e desprotegida na transição. Quem não viu precisa apenas saber que os 54 gols sofridos foram a pior marca do clube na Premier League desde 1996/97. Por isso que, com o mercado finalmente aberto, Frank Lampard gastou € 170 milhões de euros em Timo Werner, Hakim Ziyech e Kai Havertz. Calma… tem alguma coisa errada aí.

É brincadeira, mas não totalmente. Não é apenas coincidência que o Chelsea teve sua pior defesa em mais de 20 anos porque, em boa parte daquele período, teve zagueiros dominantes como Marcel Desailly e John Terry. Agora, tem Andreas Christensen, Kurt Zouma, Antonio Rüdiger e Fikayo Tomori. Alguns bons, outros promissores, nenhum desse nível. Thiago Silva é desse nível, mas, como não jogará para sempre, é uma solução de curto prazo, e há questões sobre como lidará com o ritmo da Premier League aos 35 anos. Malang Sarr foi contratado para ser emprestado, e Ben Chillwell é bom reforço para a lateral esquerda.

Houve atenção com a defesa, mas é curioso que o grosso do investimento tenha sido feito no ataque. O Chelsea se viu em posição de muita força em um mercado minado pela pandemia. Havia vendido Hazard e Álvaro Morata sem poder reinvestir o dinheiro por causa do embargo de transferências. Contratos altos como os de Willian, Pedro e David Luiz chegaram ao fim ou foram repassados. De repente, enquanto todos editavam suas planilhas para avaliar os prejuízos financeiros do coronavírus, era o clube com mais poder de compra da Europa e aproveitou para contratar potenciais futuras estrelas por um preço mais baixo ou que pelas quais, em outras condições, não conseguiria competir.

O mercado diminuiu os problemas defensivos, e poder contar com N’Golo Kanté em plena forma, após problemas físicos que limitaram sua temporada a apenas 22 jogos pela Premier League, será essencial para o equilíbrio do time. A questão é que o Chelsea ainda parece estar a alguma distância de ter a solidez defensiva necessária para competir pelo título com clubes que banalizaram os 100 pontos, como Liverpool e Manchester City, a menos que Lampard consiga corrigir muitos erros no campo de treinamento.

Mais reforços ainda podem chegar e é provável que um deles use luvas. Kepa, o goleiro mais caro da história, terminou sua segunda temporada em Stamford Bridge como reserva de Willy Caballero porque Lampard simplesmente não confia mais nele. Em uma posição em que a força mental é tão importante quanto a atlética e técnica, se o treinador não acredita mais em um jogador, ele tende a também perder fé em si mesmo e, a cada falha, a situação apenas piora. O espanhol ainda é jovem e pode dar a volta por cima, mas começa a campanha como um grande ponto de interrogação.

A volúpia para atacar em contraste com um trabalho defensivo longe do ideal, característica inerente da inocência e da juventude, causou algumas situações engraçadas – para quem não torce para o Chelsea. A arrancada inicial pareceu assegurar vaga na Champions League. A queda brusca no miolo do campeonato a colocou novamente em jogo e uma segunda sequência positiva classificou a equipe com vitória sobre o Wolverhampton na última rodada, mas em quarto lugar, sendo ultrapassado pelo Manchester United. Esse foi apenas o exemplo mais amplo da instabilidade, mas temos alguns mais específicos se você preferir. Como derrotar o Tottenham e, três dias depois, levar um baile do Bayern de Munique. O próprio triunfo sobre o Wolves foi seguido por uma apresentação fraca na final da Copa da Inglaterra.

E é por isso que melhorar a defesa é tão importante e será a principal régua para medir o segundo ano de trabalho de Lampard. A excelência alcançada por Liverpool e Manchester City foi tamanha que eles ganharam as últimas três edições da liga com 32 vitórias em cada uma delas. Sete tropeços em um campeonato de 38 rodadas, o que deveria ser pouco, podem significar o fim do sonho. O Chelsea ficou a aproximadamente 30 pontos de distância do campeão nesses três anos, pior sequência desde que Roman Abramovich comprou o clube.

Aliás, desde a chegada do russo, em 2003, nunca houve mais de três temporadas sem o título ou pelo menos o segundo lugar. Não faz sentido cobrar o troféu de Lampard, ainda novato, em começo de trabalho, tendo herdado um time cheio de buracos e problemas, mas as ponderações da temporada passada, quando praticamente não havia expectativas e ele entregou uma vaga na Champions e uma final de copa, excelentes resultados, não existem mais. Recebeu jogadores de primeira linha, talentosos e experientes, e tem diversas maneiras de armar o time.

Ziyech, Havertz, Pulisic e Werner pintam como o quarteto ofensivo ideal para este começo, mas há profundidade com as pratas da casa Mason Mount, Callum Hudson-Odoi e Tammy Abraham, Loftus-Cheek e Ross Barkley. Tem que decidir entre Jorginho e Kovacic ao lado de Kanté, quem será o parceiro de Thiago Silva, quando usar Azpilicueta e quando dar chances a Reece James. O sarrafo subiu também para o seu trabalho.