O confronto entre Juventus e Lyon traz dois times em momentos bem diferentes. Os italianos são favoritos, não só porque são os atuais campeões do seu país e líderes na Serie A, mas também porque fizeram uma primeira fase muito melhor. Só que o Lyon tem as suas armas e aqui mostrando os principais aspectos destes dois times e deste confronto.

Juventus

Por Felipe Lobo

Paulo Dybala, da Juventus (Divulgação)

Como foi a campanha na fase de grupos

A Juventus foi a primeira colocada do Grupo D, terminando bem à frente do Atlético de Madrid, o segundo classificado. Terminou com cinco vitórias e um empate, ainda sem qualquer derrota. A estreia foi em um 2 a 2 com o Atlético no Wanda Metropolitano, antes de vencer o Bayer Leverkusen por 3 a 0 em Turim. Fechou o primeiro turno com uma vitória por 2 a 1 sobre o Lokomotiv Moscou, novamente na Itália.

Repetiu a vitória por 2 a 1 na abertura do returno, e voltaria a vencer no seu último jogo em casa, diante do Atlético de Madrid, mas com o placar magro de 1 a 0. Na última rodada, na Alemanha, a Juve venceu o Leverkusen por 2 a 0, sem dar qualquer chance para o azar e se classificando com seis pontos de vantagem para o segundo colocado. A Velha Senhora passou pela fase de grupos sem sustos, mesmo sem nem precisar contar muito com os gols de Cristiano Ronaldo – que fez dois nos seis jogos da fase de grupos.

Como vem desde então

Quando a fase de grupos da Champions League terminou, a Juventus disputava a liderança com a Inter, que tinha vantagem de dois pontos. Só que de lá para cá, a Juve retomou a liderança e conseguiu abrir seis pontos da Inter. Só que a vice-líder não é mais os nerazzurri, e sim a Lazio, que tem um ponto a menos. A disputa pelo título segue acirrada e o time de Maurizio Sarri segue com altos e baixos.

Foram três derrotas desde o fim da fase de grupos. Uma delas foram para a Lazio, pela Supercopa da Itália, depois de já ter perdido na Serie A. Quem também bateu os bianconeri foram Napoli e Verona, ambos na Serie A.

As novidades no mercado de inverno

A Juventus até fez uma contratação no mercado de inverno, mas o jogador não veio para o clube.Dejan Kulusevski foi comprado junto à Atalanta por € 35 milhões, mas foi imediatamente repassado ao Parma, clube que ele já defendia por empréstimo desde o começo da temporada. Como ele passou da Atalanta à Juventus, foi feito um novo contrato de empréstimo até o fim da temporada com os Ducali para o jogador sueco de 19 anos.

Se não houve chegadas, houve saídas. Emre Can, que sequer tinha sido inscrito pelo clube na Champions League, foi para o Borussia Dortmund. Mario Mandzukic foi para o Al Duhail, do Catar. Mattia Perin, que virou terceiro goleiro no começo da temporada depois da volta de Gianluigi Buffon, foi emprestado ao Genoa. E, por fim, Marko Pjaca, também sem espaço, foi emprestado ao Anderlecht.

O cara do time no momento

Só poderia ser um: Cristiano Ronaldo. O atacante está em uma série incrível: são 11 jogos consecutivos fazendo gols na Serie A. Igualou o recorde que era de Gabriel Batistuta na temporada 1994/95 e que foi igualado na temporada passada por Fabio Quagliarella. Ronaldo já soma 21 gols em 21 jogos na Serie A, o que o deixa apenas atrás do iluminado Ciro Immobile, com 27 gols até aqui. No total, Cristiano Ronaldo tem 30 jogos e 25 gols, somando todas as competições. Com tudo isso e o seu histórico em Champions League, sendo o maior artilheiro da competição com 128 gols, é para ficar de olho.

Um nome para ficar de olho

Entre os jogadores que cresceram de produção está Paulo Dybala. Na Champions, o argentino tem sido um dos mais importantes jogadores do time, decidindo os jogos e fazendo uma boa temporada. O jogador, de 26 anos, tem até aqui 32 jogos em todas as competições, 12 gols e 12 assistências. Na Champions League, ele fez três gols nos seis jogos da fase de grupos. Com boas atuações, é titular no ataque e, por vezes, Gonzalo Higuaín fica no banco para que joguem Cristiano Ronaldo e Dybala. Tem capacidade de decidir em bolas paradas, outro dos seus trunfos.

Calcanhar de Aquiles

As bolas aéreas são um grande problema para a Juventus, curiosamente. A equipe que já foi referência em se defender em situações assim tem sofrido muito nesse time de lance. Na Serie A, a Juventus é um dos times que menos ganha bolas pelo alto, à frente apenas de Sassuolo, Napoli e Lazio. Maurizio Sarri tem trabalhado para corrigir esse problema, mas é algo que ainda faz a equipe ter problemas. A ausência de Giorgio Chiellini no começo da temporada talvez tenha influenciado nisso. Com o zagueiro de volta, é possível que esse quesito melhore.

Há outro aspecto que o time tem sofrido: manter o placar quando sai em vantagem. A Juventus por vezes acaba perdendo pontos por ceder empates ou até viradas em gols depois de estar em vantagem. É um time que por vezes sente dificuldade em controlar o jogo, algo que é importante, ainda mais em eliminatórias.

A avaliação atual sobre o treinador

Maurizio Sarri tem vivido uma certa pressão em Turim. Com a história que construiu pelo Napoli, jogando um futebol até melhor que a própria Juventus quando os dois times disputaram o título ponto a ponto. A Velha Senhora não conseguiu jogar bem com consistência nesta temporada, oscilando entre ótimos jogos e outros não tão bons. Há uma sensação que Sarri precisa entregar mais, que o time precisa ser mais Sarri do que tem sido. Por outro lado, é uma mudança drástica se pensarmos que o técnico era Massimiliano Allegri na temporada passada, afeito de outro tipo de futebol. Nesse sentido, a Juventus tem conseguido os resultados, Cristiano Ronaldo tem feito os gols e a equipe segue como uma das mais fortes da Europa. Com tudo isso, Sarri sabe que mostrar bom futebol na Champions é uma ótima forma de convencer. E o técnico, apesar de tudo, precisa disso.

Lyon

Por Leo Escudeiro

Moussa Dembélé, do Lyon (Reprodução)

Como foi a campanha na fase de grupos

Enquanto comemorava sua classificação ao mata-mata da Champions League, o Lyon foi alvo de protestos de sua torcida mais fanática, os Bad Gones, e uma cena bastante ilustrativa da tensão entre clube e seguidores ficou clara com a discussão de Depay e Marcelo com os torcedores, que haviam levado uma faixa de burro para o brasileiro.

Desde então, os ânimos se arrefeceram, Marcelo e a torcida se reconciliaram e o Lyon teve mais algumas boas notícias. Porém, aquele episódio segue como uma ilustração apropriada da campanha opaca e bagunçada do time na fase de grupos. O time chegou à rodada final com duas vitórias, duas derrotas e um empate nos cinco primeiros jogos. Contra um RB Leipzig classificado e sem força total, sofreu para conseguir o empate que rendeu a classificação – e tendo ainda a sorte de ver o Zenit, que acabou com um ponto a menos, ser derrotado pelo Benfica.

Pouco digno de nota na fase inicial, o Lyon teve contra o Benfica seu melhor resultado, vitória por 3 a 1 em casa. Foi também nesta partida que apresentou o melhor de seu futebol até agora em todas as competições nesta temporada – ainda assim, só no primeiro tempo. A bem da verdade, os comandados de Rudi Garcia fazem hora extra nesta edição da Liga dos Campeões antes mesmo de entrarem em campo contra a Juve.

Como vem desde então

Era difícil piorar em relação ao que havia mostrado até ali, com a passagem rápida de Sylvinho no comando técnico seguida por um princípio ruim de Rudi Garcia. O time não melhorou significativamente, mas pelo menos conseguiu resultados importantes desde então para se colocar em um momento da temporada em que ainda pode definir seu sucesso ou fracasso.

O momento relativamente bom começou uma semana depois do fim da participação na fase de grupos da Champions League. O 4 a 1 sobre o Toulouse pela Copa da Liga Francesa foi o famoso “chutar cachorro morto”, mas serviu para dar ânimo. Enfrentando o Bourg-en-Bresse, da terceira divisão, aplicou um 7 a 0 pela Copa da França. Fez ainda sua melhor partida inteira diante do Bordeaux, em 11 de janeiro, vencendo fora de casa por 2 a 1, na exibição de maior qualidade técnica que teve em toda a campanha 2019/20, e, por fim, garantiu vaga na final da Copa da Liga e também na semifinal da Copa da França, eliminando nesta última o vice-colocado da Ligue 1 Olympique de Marseille.

Essa pequena ressurreição ganha maior significado quando lembramos que veio junto a um dos momentos mais difíceis na temporada, quando os lyonnais perderam dois de seus melhores jogadores por lesão. Memphis Depay e Jeff Reine-Adelaïde romperam o ligamento cruzado anterior e são dúvidas para sequer voltarem ainda nesta temporada. O crescimento poderia ser maior com a presença dos dois, embora haja na crônica francesa quem pense que a melhora aconteceu justamente pela equipe deixar de jogar tanto em função do neerlandês.

Ainda assim, a instabilidade que lhe é característica voltou, o time teve uma sequência de quatro jogos sem vitórias (duas derrotas e dois empates), só encerrada na última rodada. Com os pontos desperdiçados, se vê ainda a seis pontos do G4 e sempre com aquela impressão de que alguns retoques bastam para decolar domesticamente.

As novidades do mercado de inverno

Com € 38 milhões investidos, de acordo com números do Transfermarkt, o Lyon foi a segunda equipe francesa que mais gastou em contratações nesta janela, ficando atrás apenas do Monaco. O grande destaque não poderia ser outro: Bruno Guimarães. O brasileiro, ex-Athletico Paranaense, foi disputado por equipes como Atlético de Madrid e Arsenal, mas a influência de Juninho Pernambucano pesou, com o ídolo do clube dizendo ao jovem que o tornaria o “melhor volante do mundo”. Idealmente, Guimarães deve ser nome importante na busca de Rudi Garcia por um setor de meio de campo mais técnico e capaz de dominar as partidas.

Guimarães, que fez sua estreia apenas na última rodada da Ligue 1, já que disputava o Pré-Olímpico com a seleção brasileira, se junta a Karl Toko Ekambi, reforço para o ataque que deu bom dinamismo ao time desde então, e a outro brasileiro, Camilo, que estava na Ponte Preta e cuja transferência pouca gente entendeu.

Tino Kadewere, destaque do Le Havre, na segundona francesa, também foi contratado, mas terminará a temporada na equipe da Normandia. De saída, apenas Lucas Tousart, para o Hertha Berlim, mas este também só ao fim da temporada

O cara do time no momento

Desde a lesão de Memphis Depay, Houssem Aouar não se furtou de sua responsabilidade de líder técnico desta equipe ainda irregular. O garoto, de apenas 21 anos, acentuou as qualidades mostradas desde sua estreia na Ligue 1, há quase três anos, e aumentou sua influência no jogo ofensivo lyonnais, não só na criação como na definição: já são seis gols marcados em 2020.

Nome seguido de perto por gigantes europeus há anos e vivendo um crescimento pessoal na temporada atual, Aouar dificilmente ficará no clube para a próxima temporada. E Jean-Michel Aulas, presidente do OL, não tenta esconder o garoto dos holofotes. Pelo contrário, basicamente colocou a etiqueta de “à venda”, acenando à própria Juve, em entrevista na semana passada ao Tuttosport: “Ele precisará desse jogo para se colocar no centro das atenções. Um dia ou outro, farei uma transferência com meu amigo Andrea Agnelli (presidente bianconero)”.

Um nome para ficar de olho

Na ausência de Reine-Adelaïde e Depay, outro a voltar a crescer com destaque foi o centroavante Moussa Dembélé, com dez de seus 20 gols na temporada marcados só em 2020. Dono de uma boa presença na área, mas também de boa movimentação fora dela para abrir espaços no corredor central e servir seus companheiros, Dembélé teve sua saída especulada diante de interesse de clubes da Premier League, mas permaneceu em Lyon e demonstrou desde então por que Aulas se esforçou para mantê-lo.

Com o faro de gols apurado, pode causar problemas à defesa da Juventus se tiver espaços. Ainda assim, seu desempenho também dependerá muito do tipo de serviço que receberá de seus companheiros.

Calcanhar de Aquiles

A imprensa francesa gosta de usar bastante um termo que eu também passei a adotar no meu vocabulário: partida de referência. Uma atuação pontual em que tudo ou quase tudo deu certo e em que lições valiosas foram deixadas sobre o que buscar no restante da temporada. Todo time de sucesso tem sua partida de referência na temporada, e é justamente a ausência desta ao Lyon que apresenta um grande problema à equipe.

Entre problemas de lesão, erros de escalação e aparente falta de repertório para algo muito mais sofisticado, Rudi Garcia não conseguiu levar o Lyon a essa tal de partida de referência. Diante de um adversário tão qualificado quanto a Juventus, seus comandados não terão sequer um jogo do passado recente para usar de norte para a missão quase impossível que enfrentarão.

Avaliação atual sobre o treinador

Notavelmente, o trabalho de Rudi Garcia não é bom. As observações positivas estão todas espalhadas nos pontos acima, mas não são suficientes para fazer de seu desempenho um sucesso. A aposta em Sylvinho era grande, fracassou, e Garcia era dos poucos nomes disponíveis no mercado – razão também pela qual a pressão por sua saída não é maior do que tem sido. De qualquer forma, não mostrou até agora ser o nome para levar o projeto à frente a longo prazo.

A seu favor, ao menos, Rudi Garcia pode argumentar que tem acertado ao manter o DNA do Lyon de clube formador, dando espaço a jovens como Maxence Caqueret e Rayan Cherki, este de apenas 16 anos. Com as chegadas de Ekambi e Bruno Guimarães, tem uma chance nesta reta final de provar que o que lhe faltava era algum material humano – mas isso não parece provável a esta altura.

NA TV

Lyon x Juventus
Quarta, 26/02, 17h
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Juventus x Lyon
Terça, 17/03, 17h
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