Por que acompanhar o grupo

Dois clubes tradicionais buscando o se retorno às glórias, outros dois que buscam construir uma história de sucesso. Olimpia e Santos são dois pesos pesados na América do Sul, com cada um deles tendo três taças do principal torneio do continente. Já o Defensa y Justicia foi vice-campeão argentino na temporada 2018/19 jogando um grande futebol. O Delfín conquistou o seu primeiro título equatoriano em 2019, batendo a LDU na final, nos pênaltis. Tendem a ser duelos interessantes.

Ambição na Libertadores

Jesualdo Ferreira, do Santos

Santos

Como sempre, o Santos pensa em ir longe na competição. Ficar na fase de grupos seria um fracasso e, por isso, chegar às oitavas de final seria o primeiro passo. Para uma boa campanha, seria preciso ir pelo menos até as quartas de final, preferencialmente até a semifinal. Ir além disso é possível, claro, mas já deve complicar pensando nos times que possuem elencos mais fortes.

Olimpia

O Olimpia é um time que também entra com a ambição de vencer, como um tricampeão da Libertadores, mas o time não está entre os favoritos ao título. Ir até o mata-mata, porém, é o mínimo que espera de um time que investe como o clube paraguaio fez. A partir dali, o sorteio é fundamental para conseguir ir adiante. Com alguma sorte, ir até as quartas de final já seria uma boa campanha.

Delfín

O campeão equatoriano pode até sonhar com mata-mata, mas essa já será uma missão difícil considerando que tem Olimpia e Santos no grupo como concorrentes. Ainda assim, por ser o campeão do seu país, vai tentar derrubar os times maiores para chegar às oitavas de final – e tudo a partir disso pode ser considerado lucro. Realisticamente, é um time para se contentar com a vaga na Sul-Americana, se ficar na terceira posição do grupo – o que já significará superar um dos adversários.

Defensa y Justicia

Para um time que sequer conquistou um título na sua história, ir até as oitavas de final já seria muito. Embora não seja um time fraco tecnicamente, e que tem mostrado isso no Campeonato Argentino, a Libertadores deve ter um nível de exigência alto. A ideia inicial é fazer como o time fez ao longo da sua campanha na Sul-Americana, que teve bons jogos contra times como o São Paulo. Tentará repetir o desempenho contra outro brasileiro.

Como foram os últimos meses

Santos

O time foi vice-campeão brasileiro jogando um excelente futebol, mas perdeu o técnico Jorge Sampaoli. Trouxe outro nome grande, o experiente Jesualdo Ferreira, mas o time ainda está tentando se encontrar e ainda não conseguiu jogar um bom futebol. Precisará mostrar mais e o estilo deve ser diferente de Sampaoli. Resta saber se o time conseguirá ter um futebol compatível com o que o elenco pode oferecer.

Roque Santa Cruz, do Olimpia: ídolo aos 38 anos (divulgação)

Olimpia

O Olimpia conquistou o título paraguaio em 2019 conquistando o Apertura e o Clausura. O time foi dominante no seu país, conquistando os dois turnos com certa folga. No Apertua, nove pontos a mais que o rival Cerro Porteño; no Clausura, seis pontos a mais que o Libertad. Seu domínio foi tamanho que marcou 53 gols em 22 jogos, sofrendo só 15 gols. Em 2020, o Campeonato Paraguaio tem sete jogos e o Olimpia é o segundo colocado, dois pontos atrás do Libertad depois de sete jogos.

Delfín

Em 2019, o Delfín foi campeão pela primeira vez se classificando em quarto, mas crescendo no mata-mata. Derrubou o Independente del Valle nas quartas de final, usando a vantagem da melhor campanha, eliminou o líder da primeira fase, Macará, e vencer a LDU na final, nos pênaltis. É um time que sofre muitos gols, mas também costuma fazer os seus. Em 2020, o Delfín começou mal: em três jogos, uma vitória e duas derrotas.

Defensa y Justicia

A temporada argentina acaba em março e, portanto, a campanha que classificou o time à Libertadores acabou há um ano. Na atual temporada, 2019/20, o Defensa faz uma temporada apenas razoável, com 33 pontos em 22 jogos, com nove vitórias, seis empates e sete derrotas. O time vem bem nesta reta final do Campeonato Argentino e a última derrota foi em 10 de novembro, diante do Newell’s. Desde então, são nove jogos, com cinco vitórias e quatro empates. O último deles diante do líder, River Plate.

Destaques individuais

Santos

O grande nome do Santos é Yeferson Soteldo. Ele foi o principal destaque do time na temporada 2019, provando o seu valor. É um ponta habilidoso, capaz de criar espaços e decidir jogos. Foi o jogador mais decisivo do Santos vice-campeão brasileiro com suas jogadas que abrem defesas fechadas. Também é muito bom em contra-ataques. Vale destacar também o veterano Carlos Sánchez, 35 anos, que dá muita dinâmica no meio-campo.

Olimpia

Embora tenha contratado Emmanuel Adebayor, o destaque do time é Roque Santa Cruz, que foi inclusive artilheiro do Campeonato Paraguaio com 11 gols (junto com William Mendieta, aquele mesmo, ex-Palmeiras, que já se mandou para o Juárez, do México). Capitão do time, o atacante, de 38 anos, é uma referência no ataque. Desde 2016, quando voltou, tem sido destaque do time.

Delfín

Em um time desmontado depois do título equatoriano, o Delfín tem poucos jogadores para confiar. Um deles é Carlos Garcés, atacante e capitão do time. Aos 30 anos, está no clube desde janeiro de 2017, é o maior responsável pelos gols. Na temporada 2019, foram 47 jogos e 23 gols marcados. Destes, 15 gols em 34 jogos no Campeonato Equatoriano. O camisa 11 já começou o ano com dois gols em dois jogos.

Carlos Garcés, do Delfín

Defensa y Justicia

Ruben Botta é uma contratação recente, mas tem ido muito bem desde que foi contratado, em janeiro. É um ponta, gosta de atuar pelos lados do campo, embora também possa jogar como um meia ofensivo. Sua principal característica é o drible e é um jogador bastante perigoso também nos cruzamentos para a área. Aos 30 anos, é um jogador experiente, que inclusive estava no Tigre vice-campeão da Sul-Americana para o São Paulo em 2012. Passou por muitos times, mas se destacou mesmo no Pachuca, do México, e no San Lorenzo, que defendeu de 2017 até janeiro de 2020.

Señor Libertadores

Carlos Sánchez, do Santos (Foto: Divulgação)

Santos: Carlos Sánchez

Carlos Sánchez é o grande nome do Santos em termos de Libertadores. O uruguaio foi campeão da Libertadores em 2015 pelo River Plate, com o técnico que ainda está lá, Marcelo Gallardo. O jogador tem 22 partidas de Libertadores no currículo. Jogou o torneio pelo Godoy Cruz, River Plate e pelo próprio Santos, em 2018.

Olimpia: Miguel Samúdio

Um dos jogadores mais experientes do Olimpia, o lateral Miguel Samudio tem 52 jogos pela Libertadores no currículo. É uma quantidade enorme, raramente encontrada. O paraguaio, 33 anos, jogou o torneio por Libertad, Cruzeiro e Olimpia. É um jogador rodado, que também passou pelos mexicanos América e Querétaro. Voltou ao Paraguai, para defender o Olimpia, em julho de 2019.

Delfín: Oscar Benítez

O Delfín é um time de pouca experiência na Libertadores. Até por isso, tem um elenco com poucos jogadores já rodados no principal torneio sul-americano. O mais rodado nesse sentido é Oscar Benítez, argentino que disputou o torneio pelo Lanús, seu clube de formação, em 2014. Depois, foi para a Europa defender Benfica e Braga, voltou para o Boca Juniors, jogou também no Argentinos Juniors, San Luis, do México e chegou em janeiro ao Delfín.

Defensa y Justicia: Neri Cardozo

Neri Cardozo, o camisa 10 do time, tem 33 anos e é um dos destaques do time. Tem boa qualidade técnica e muita experiência. Começou a carreira no Boca Juniors, onde conquistou a Libertadores em 2007, mas era apenar um reserva. Teve uma carreira importante também no México, onde jogou por Jaguares, Monterrey e Querétaro antes de voltar à Argentina para defender o Racing. Jogou a Libertadores também pelo Monterrey e pelo Racing. Está no Defensa desde agosto de 2019, depois da ótima campanha que o time tinha feito com o vice-campeonato.

Novos reforços

Santos

O Santos perdeu jogadores importantes do seu elenco, incluindo titulares como Victor Ferraz, Gustavo Henrique e Jorge, e não teve muito como trazer jogadores. Contratou Raniel, atacante que veio do São Paulo, e o lateral direito Madson, que estava no Athletico Paranaense e era vinculado ao Grêmio.

Olimpia

O Olimpia contratou Derlis González, que estava no Santos emprestado pelo Dynamo de Kiev, Diego polenta, zagueiro que estava no Los Angeles Galaxy, Nicolás Domingo, volante do Independiente e Emmanuel Adebayor, que estava sem clube. Adebayor é o grande destaque dos contratados, porque o jogador, de 35 anos, formará um ataque experiente.

Emmanuel Adebayor com a camisa do Olimpia

Delfín

O time campeão equatoriano foi desmontado e perdeu muitos jogadores. Chegaram muitos jogadores e, entre os principais, José Valencia, atacante colombiano do Central Córdoba, da Argentina; Oscar Benítez, ponta argentino que veio do San Luis, do México; Jhon Cifuente, atacante que estava sem clube; o goleiro venezuelano Alain Baroja, que veio do Caracas; Martín Alaniz, ponta que veio do Cafeteros, do México; o zagueiro Agustín Ale, que veio do River Plate-URU; o último reforço que chegou foi Jonathan González, lateral que veio do Dorados de Sinaloa.

Defensa y Justicia

O time contratou alguns jogadores importantes, como Rubén Botta, de 29 anos, que veio do San Lorenzo, o mais badalado dos reforços. Chegaram também Washington Camacho, uruguaio experiente que chegou do Tijuana, o volante Matías Laba, argentino que estava no Unión La Calera, do Chile. Chegou também Nicolás Leguizamón, emprestado pelo Colón.

O técnico

Hernan Crespo, do Defensa y Justicia (Photo by Rodrigo Valle/Getty Images)

Santos

Jesualdo Ferreira é um nome de peso e importância em Portugal e aceitou o desafio de treinar o Santos depois de passar quatro anos no Al Sadd, do Catar. Antes, passou pelo Egito, no Zamalek. Ainda no exterior, foi técnico do Panathinaikos, por dois anos, e do Málaga, por um curto período de quatro meses. Em Portugal, dirigiu o Braga, Sporting, Benfica, Boavista e Porto, seu principal trabalho, onde ficou quatro anos, de 2006 a 2010, e conquistou três títulos da liga, além de duas Copas e uma Supercopa. Aos 73 anos, encara um desafio na América do Sul, em um clube histórico como o Santo.

Olimpia

Daniel Garnero tem 50 anos e está no Olimpia desde janeiro de 2018. Ex-jogador, marcou época no Independiente enquanto estava em campo. Como técnico, já está no Paraguai há praticamente cinco anos, quando assumiu o Sol de América, em 2015, e passou também pelo Guaraní, de 2016 a 2017. Aliás, conquistou o título Paraguaio justamente pelo Guaraní, no Clausura de 2016. Depois, enfileirou taças pelo Olimpia: Apertura e Clausura em 2018 e repetiu o feito em 2019. Em 2008, o ainda jovem técnico conquistou a Copa Suruga no comando do Arsenal de Sarandí, que foi o seu primeiro trabalho.

Delfín

O time mudou de técnico recentemente. Contratou Carlos Ischia, argentino, no dia 1º de março, substituindo o jovem Ángel López, espanhol de 36 anos que acabou deixando o clube depois de apenas três partidas do Campeonato Equatoriano. Ischia, de 63 anos, é experiente e já passou pelo futebol uruguaio, onde dirigiu o Deportivo Quito, em 2011/12, o Barcelona-EQU e o Aucas. Seu último trabalho tinha sido o Strongest, da Bolívia, de onde saiu em março de 2018.

Defensa y Justicia

Sem dúvida a maior estrela do time é o técnico. E nem tanto pelo seu trabalho ainda incipiente na função. Hernán Crespo tem 44 anos e foi escolhido como técnico do time argentino em janeiro. Depois de tirar suas licenças na Europa, treinou o Parma sub-19 e o Modena, antes de retornar à Argentina para dirigir o Banfield, onde ficou de janeiro a setembro de 2019. Agora, assume um time que tem um grande desafio pela frente na competição continental. O início tem sido bom: são cinco jogos, com duas vitórias e três empates.