Sporting Cristal (PER)
Racing (ARG)
Guaraní (PAR)
Deportivo Táchira (VEN)

Por Felipe Bigliazzi

Quando o Racing ingressar no gramado do Estádio Pueblo Nuevo de San Cristóbal para enfrentar o Deportivo Táchira, terceiro melhor classificado na temporada bolivariana, ficarão soterrados 12 longos anos de ausência da Academia na principal competição interclubes do continente. O Grupo, que parece acessível ao último campeão argentino, pode ser bastante equilibrado com rivais que apresentam contínuos projetos futebolísticos e exito doméstico. É o caso do Guaraní (PAR) que tenta implantar o tiki taka com o técnico catalão Fernando Jubero. Com passagem por La Masia – a famosa cantera culé – Jubero está no tradicional clube de Assunção há três temporadas desnudando um novo estilo de posse de bola ao combativo futebol paraguaio. O Sporting Cristal, atual campeão nacional, tenta driblar o péssimo desempenho recente das equipes peruanas na Libertadores, com o trabalho sério do argentino Daniel Ahmed.

O favorito

Racing Club

Em julho, nem o mais otimista torcedor do Racing,  se é que ele existe,  poderia imaginar o desenlace épico no Torneio Transição, quando o clube de Avellaneda anunciou um pacote com 13 reforços e a chegada do técnico Diego Cocca, flamante campeão da segunda divisão com o modesto Defensa y Justicia. Moldado no 4-4-2 clássico e especulativo, o Racing criou corpo até a consagração inesperada contra o Godoy Cruz. A experiência do goleiro Sebastián “Chino” Saja, vice campeão em 2007 com o Grêmio, se apresenta como um trunfo. A defesa conta com a linha formada pelos laterais Ivan Pillud e Leandro Grimi, além do miolo de zaga composto por Luciano Lollo e Yonathan Cabral. Para o lugar de Ricardo Centurión, o conjunto albiceleste foi atrás do paraguaio Oscar Romero do Cerro Porteño. Na estreia da temporada – derrota por 1 a 0 contra o Rosario Central –  Cocca usou o jovem Marcos Acuña pelo flanco esquerdo do meio campo, ao passo que Luciano Aued, Ezequiel Videla e Gaston Diaz fechavam a segunda linha racinguista com mais ímpeto do que criatividade. O ataque com Diego Milito e Gustavo Bou é o ponto alto do time.

O jogão

Racing Club x Sporting Cristal
3ª rodada, 10 de Março, 21h45, no Cilindro de Avellaneda, em Avellaneda

O confronto entre os campeões nacionais da Argentina e do Peru será marcado por reminiscências do confronto histórico na semifinal de 1997. O time comandado por Alfio “Coco” Basile venceu o jogo de ida por 3 a 2 em Avellaneda, com dois gols do zagueiro Claudio Ubeda. Na volta, no estádio Nacional de Lima, o Sporting Cristal dirigido pelo uruguaio Sérgio Markarian deu um show de bola nos argentinos, anotando 4 a 1 com uma exibição memorável de Nolberto  Solano, Julinho, Bonnet e Jorge Soto. Noite histórica para o conjunto Cervecero, localizado no bairro de Rímac em Lima, que assim chegava por primeira vez na final da Libertadores para enfrentar o Cruzeiro.

O craque

Diego Milito (Racing Club)

A histórica recente do Racing passa pelo biografia do ídolo Diego Milito. Revelado no clube de seu coração, Milito debuta no time principal em 1999, ano que ficaria marcado pela falência do Racing. Em 2001, alternando a titularidade com Rafa Maceratesi, sagra-se campeão com Mostaza Merlo, tirando o Racing de uma seca de 35 anos. Em 2003, na última participação racinguista na Libertadores, Milito amargou a eliminação nos pênaltis contra o América de Cali em pleno Cilindro. Sua carreira na Europa foi marcante, tanto com a camiseta do Genoa, como também pelo Zaragoza. Foi na Internazionale que fez história, anotando os gols decisivos da Tríplice Coroa – inclusive os dois contra o Bayern na final da Champions League –  da temporada 2009-2010 sob o comando de Mourinho. Resignou dinheiro e regressou ao Racing para ser campeão de maneira inesperada, liderando o time com maestria e formando uma dupla de ataque letal com Gustavo Bou.

Señor Libertadores

Julio Cesár Cáceres, Guaraní (PAR)

O veterano defensor Julio Cesar Cáceres vai para a sua derradeira participação em Libertadores com a camisa do Guaraní. Ao lado de Nelson Zelaya, formou a dupla de zaga do memorável Olímpia de 2002 que venceu o tricampeonato contra o São Caetano. Em 2007, viu desde o banco de reservas o Boca Juniors levar o título com um Riquelme magistral; depois entraria em colisão no vestiário com o maior ídolo xeneise, abreviando sua passagem por La Boca. Com passagem discreta pelo Atlético Mineiro, teve seu ponto alto da carreira ao disputar 3 Copas do Mundo com a seleção paraguaia. No Guaraní atua como zagueiro ao lado dos também trintões Eduardo Fillipini e Tomas Bartomeus.

Fator campo

Cilindro de Avellaneda

O Pueblo Nuevo de San Cristóbal poderia ser agraciado nessa seção, graças ao calor, a umidade relativa do ar e a fiel torcida do Deportivo Táchira – conhecida por ter a maior média de público da Venezuela nas últimas temporadas. Eis que, não há como fugir do obvio e reafirmar a força da torcida do Racing. Esta que bancou 35 anos de fila, rebaixamento e a falência do clube, nunca deixando de alentar a La Acade como se não houvesse amanhã. O recebimento ao time na semifinal de 1997 contra o Sporting Cristal é um dos pontos altos da Libertadores no quesito arquibancada. Uma chuva de papel picado com incrível quantidade de rolo de bobina, somados a um enorme bandeirão  que cobria o setor de sua barrabrava, a temida La Guardia Imperial. Nos resta apreciar esses momentos de pura festa, que de acordo ao novo código disciplina da Conmebol, jamais voltaremos a ver.

O clichê

Time venezuelano é galinha morta

Todo time venezuelano é inconscientemente posto como terceira ou quarta força de qualquer grupo da Libertadores. O Deportivo Táchira, com seu jogo reativo deste 4-4-2 ortodoxo que assola o futebol bolivariano, tenta repetir o feito de chegar as quartas de final, como na Libertadores de 2004 quando foi eliminado pelo São Paulo dirigido por Cuca. O jovem Daniel Faria aposta na solidez defensiva imposta pelos zagueiros Wilker Angel e Carlos Lopez. No meio de campo, destaque para o veloz Yohandry Orozco, ponteiro da seleção vinotinto que teve passagem fugaz pelo Wolfsburg. No ataque, a dupla Pablo Fernandez e Gelmin Rivas se mostrou afiada nos contra-ataques diante do Cerro Porteño.

Fique de olho

Fernando Fernandez (Guaraní)

O atacante Fernando”Queso” Fernandez foi eleito o melhor jogador do futebol paraguaio em 2014, graças a seu faro goleador ratificado com a artilharia da temporada com 31 gols. A cria do Guaraní foi cobiçada por clubes da Argentina, inclusive o próprio Racing flertou com a possibilidade de sacar a maior individualidade de um de seus rivais nesse Grupo B. O espanhol Fernando Jubero costuma escalar Fernando Fernandez no ataque ao lado de Federico Santander. Julian Benitez, destaque do Nacional Querido na última Liberadores, chegou para ser seu garçom pelo flanco esquerdo do ataque.

Curiosidade

A Argentina reafirma sua hegemônica escola de treinadores através continente, sendo que 3 deles foram campeões nacionais: Gustavo Costas com o Indendiente Santa Fé(Colômbia), Gustavo Quintero com o Emelec(Equador) e Daniel Ahmed com o Sporting Cristal(Peru). Esta edição terá a participação de 11 “professores” argentinos contra 5 de Brasil e Uruguai. Daniel Ahmed, chegou ao Sporting Cristal no final de 2013, e logo em sua primeira temporada conduziu os Cerveceros ao título nacional. O próximo desafio é recolocar o conjunto de Rímac de forma contundente em âmbito continental. O jovem treinador costuma atuar no 4-1-4-1 com o centroavante uruguaio Sergio Blanco como referência,  formando o tridente de ataque com Irven Avila e Cesar “El Picante” Pereyra,  recém contratado junto ao Belgrano de Córdoba.