Atlético Nacional (COL)
Barcelona (EQU)
Libertad (PAR)
Estudiantes (ARG)

Nenhuma outra chave da Libertadores 2015 possui tanto equilíbrio. Tudo bem que o tal “grupo da morte” tenha mais favoritos e o 4 conte, na somatória, com os clubes que mais vezes estiveram no torneio. Não é por isso, entretanto, que deve se menosprezar a combinação de tradição e qualidade apresentada pelo Grupo 7. Todos os quatro concorrentes possuem mais de 10 Libertadores nas costas, sendo que Atlético Nacional, Estudiantes e Libertad já figuraram entre os melhores nos últimos anos. Nenhum deles vive o seu ápice atualmente, mas dá para pensar no torneio como uma oportunidade de ascensão. Pelo que fizeram em 2014, Atlético Nacional e Libertad estão um passo à frente, embora Estudiantes e Barcelona não devam ser descartados da briga pelas duas vagas.

O favorito

Atlético Nacional

Você pode até achar estranho tanto destaque ao Atlético Nacional. De fato, os verdolagas sofreram grandes perdas. Os mexicanos fizeram a rapa no elenco, em especial o Monterrey, que pagou caro em Cardona e Mejía, da mesma forma como o Atlético Mineiro levou Cárdenas. Porém, o time de Medellín se mexeu na reposição. Pode não ter o mesmo talento dos que saíram, mas ganha tarimba. Camilo Vargas é ótima novidade, goleiro reserva da Colômbia na Copa e que vinha em excelente fase pelo Santa Fe. Andrés Ramiro Escobar e Jairo Palomino possuem rodagem internacional. Já o ataque ganha os paraguaios Velázquez e Zeballos (ex-Botafogo), experientes na Libertadores. Levando em conta o bom trabalho do técnico Juan Carlos Osorio e as campanhas consistentes nos torneios continentais, com o vice-campeonato na última Copa Sul-Americana, dá para acreditar na classificação, desde que o encaixe das novas peças não demore.

O jogão

Estudiantes x Libertad

O duelo entre argentinos e paraguaios tem história. O Libertad trás ótimas lembranças ao Estudiantes, já que foi um de seus adversários na caminhada rumo ao título em 2009. Nas oitavas de final, os pincharratas enfiaram 3 a 0 em La Plata (com gols da ótima dupla Boselli e Fernández), antes de segurarem o 0 a 0 na visita a Assunção. Muito mudou nas duas equipes desde então. Ainda assim, pela representatividade que tiveram na Libertadores durante a última década, ambos tem peso para protagonizar grandes jogos na briga.

O craque

Ismael Blanco

BlancoO veterano argentino combina qualidades importantes para o Barcelona acreditar que pode avançar de fase nesta Libertadores. Além da experiência de quem atuou por anos na Europa e foi campeão da Sul-Americana com o Lanús, o atacante possui boa capacidade técnica e um faro de gol apurado. Desde que chegou a Guayaquil, Blanco anotou 14 tentos em 24 partidas, levando sua equipe ao vice-campeonato nacional. Balançou as redes inclusive no clássico com o Emelec na decisão, ameaçado de “extradição” em uma brincadeira do presidente Rafael Correa, torcedor fanático dos rivais. Ao lado do potente Marlon de Jesús, que estava no México, forma uma linha ofensiva para ficar de olho.

Señor Libertadores

Juan Sebastián Verón

La Brujita pode não entrar em campo. Mas nenhum outro clube possui um presidente que conhece tão bem a Libertadores quanto o Estudiantes. Não à toa, após perder o promissor Joaquín Correa para a Sampdoria, Verón acabou investindo em um time mais copeiro. Juan Sánchez Miño volta à Argentina, depois de surgir no Boca Juniors. A lateral agora conta com a raça de Álvaro Pereira, formando par uruguaio ao lado de Matías Aguirregaray. E a defesa ainda tem Sebá Domínguez no banco, após anos defendendo o Vélez. No elenco, alguns parceiros de Verón no título de 2009 permanecem, a exemplo de Desábato e Ré.

Fator campo

Estádio Nicolás Leoz

Sem uma torcida tão calorosa, não dá para dizer que o Libertad possui um caldeirão. Mas é possível para chamar o estádio acanhado de alçapão, especialmente pela forma como os paraguaios conseguem fazer os seus resultados dentro de casa. Nos últimos dez anos, o Libertad disputou 44 partidas em casa na Libertadores, conquistando 63% dos pontos disputados – longe de seus domínios, esse aproveitamento cai para apenas 38%. Entre as vítimas no Estádio Nicolás Leoz, muitas camisas pesadas, como River Plate, San Lorenzo, Nacional-URU, Palmeiras e Fluminense. Além do mais, com tantos árbitros caseiros na competição, dá sempre para esperar alguma ajuda ao clube de coração do homem que mandou na Conmebol por 27 anos.

O clichê

Experiência pesa em Libertadores

Se disserem que rodagem pese na Libertadores, acredite que isso influenciará no Grupo 7. Afinal, todos os clubes da chave garantiram a sua cota de veteranos. O Estudiantes sai na frente, com quatro trintões na equipe que enfrentou o Independiente Del Valle pela primeira fase. O Atlético Nacional também possui os seus medalhões, sobretudo na defesa liderada por Elkin Calle. Do lado do Barcelona, são alguns veteranos estrangeiros, como o atacante Federico Nieto.  Já o Libertad, de ídolos como Rodrigo Múñoz, Pedro Benítez e Sergio Aquino, possui o jogador mais velho da chave: o atacante Rodrigo López, de 37 anos, que foi o artilheiro do último Campeonato Paraguaio com 19 gols.

 

Fique de olho

Guido Carrillo

GuidoA principal referência no ataque do Estudiantes durante os últimos meses é um novato. Guido Carrillo tem 23 anos e se tornou o principal herdeiro de Mauro Boselli. Dono de ótimo porte físico e de presença de área, o centroavante foi o artilheiro do time nas três últimas edições do Campeonato Argentino – e, no Torneio Final de 2014, só ficou atrás de Mauro Zárate na lista geral. Apesar da pouca idade, chegou a ser capitão no último semestre e teve sua transferência especulada a clubes europeus, como Benfica e Porto.

Curiosidade

Dentre os quatro treinadores do Grupo 7, o nome mais experiente é o de Rubén Israel, comandante do Barcelona. O uruguaio já trabalhou em seis países e dirigiu a seleção de El Salvador. O clube que mais o marcou, no entanto, é justamente o Libertad. Na primeira passagem por Assunção, entre 2007 e 2008, conquistou o inédito tricampeonato nacional e foi quadrifinalista da Libertadores. Voltou ao Gumarelo em 2012, para ganhar mais duas vezes a liga e se tornar o treinador mais vitorioso da história do clube. Atual técnico dos alvinegros, Pedro Sarabia o substituiu no ano seguinte. O ex-zagueiro da seleção paraguaia era o capitão nos primeiros títulos de Israel, e certamente aprendeu bastante com o antigo treinador, faturando o Apertura e o Clausura em 2014.