San Lorenzo (ARG)
São Paulo (BRA)
Corinthians (BRA)
Danubio (URU)

Por Felipe Bigliazzi

Quis o sorteio de Luque que o Grupo 2 fosse devidamente etiquetado como “da morte” antes mesmo da definição do Corinthians como o representante brasileiro na primeira fase da Libertadores. A tranquila classificação contra o Once Caldas colocou o Timão de forma contundente na rota do tricampeão São Paulo e do atual campeão San Lorenzo. Pouco cotado nas apostas, o bravo Danubio, campeão da última temporada do futebol uruguaio, assume o papel de azarão apostando na manutenção do ciclo do jovem treinador Leonardo Ramos; no entanto as partidas do meia Camilo Mayada –  que foi para o River – assim como do arqueiro Salvador Ichazo trazem ainda mais interrogações.  O São Paulo manteve a base do vice campeonato nacional com algumas contratações pontuais, que todavia não passam de apostas. O San Lorenzo tenta retomar a pegada do primeiro semestre do ano passado quando, por fim, conquistou por primeira vez a América; a derrota frente ao River na Recoba desnudou a queda técnica graças as ausências de Ortigoza e Romagnoli, além da saída de Walter Kannemann, Nacho Piatti e Angel Correa – os dois últimos já no final da Libertadores 2014.

O favorito

Corinthians

O Corinthians demonstrou contra o Once Caldas que fará um semestre forte. O ano sabático de Tite e as arestas aparadas no vestiário se fazem notar com um time coeso e remodelado no 4-1-4-1. Elias, preso ao lado de Ralf por Mano Meneses durante boa parte do segundo semestre, ganhou liberdade com Tite para flutuar na linha de armadores ao lado de Renato Augusto, Emerson Sheik e Jadson. Ralf, como nunca, esta como encarregado de barrar os “enganches” e “mediapuntas” rivais. Elias é o fator surpresa, com seu vigor e inteligência para furar as defesas rivais e exercer a pressão na saída de bola. A contratação de Vagner Love e o bom rendimento de Danilo como falso 9 trazem ainda mais alento. A defesa também se mostra mais firme com Fabio Santos compensando as subidas de Fagner. O miolo de zaga tem em Gil seu ponto forte, com Felipe e Edu Dracena brigando por uma vaga de titular.

O jogão

Corinthians x São Paulo
Quarta, 18 de Fevereiro, na Arena Corinthians, em São Paulo

Uma atípica noite copeira de Quarta de Cinzas delineada pelo confronto entre as duas equipes mais populares de São Paulo, em jogo promete esvaziar o sistema Anchieta-Imigrantes por algumas horas para delírio dos foliões. O segundo Majestoso da história da nova casa Corinthians deve ser intenso como pede o clichê de dita competição, com ligeiro favoritismo alvinegro. O São Paulo tenta se valer das três estrelas no peitos e do peso do tricolor em noites copeiras, assim como de seu notório poderio individual. Muricy tenta acertar os detalhes de seu 4-4-2. No último sábado contra o Bragantino testou uma formação no 3-4-3 com Dória como líbero e Centurión estreando bem no ataque ao lado de Pato e Kardec. O argentino não poderá atuar na estreia, mas o sistema pode ser mantido após a melhor atuação coletiva do tricolor em 2015.

O craque

Paulo Henrique Ganso

Não fosse o título de “O craque”, Nestor Ortigoza e Pichi Mercier poderiam assumir o posto de peça fundamental para o êxito do San Lorenzo no acirrado Grupo 2. A dupla de volantes do San Lorenzo foi implacável na última edição da Libertadores, constituindo o alicerce azulgrana na conquistada continental. Renato Augusto, Emerson Sheik e Elias também poderiam ser escolhidos, não somente pela qualidade técnica, como pela consciência tática apresentada nesse novo ciclo. Contudo, cabe a Paulo Henrique Ganso fazer a Libertadores do tamanho de seu talento. Ao lado de Michel Bastos forma o ponto alto do conjunto tricolor, por ora atuando pelos lados do campo – artimanha de Muricy para deixar Ganso livre dos volantes rivais. O meia é peça fundamental para manter a nova ideia de jogo de Muricy que consiste na manutenção da posse de bola. A categoria e o passe entre linhas são marcas certas, faltando a maior participação nos grandes jogos e maturidade tática para suprir o frágil sistema coletivo do São Paulo.

Señor Libertadores

Rogério Ceni

Rogério Ceni, capitão do São Paulo, levanta a Copa Libertadores de 2005 (Foto: Runs Chiri/São Paulo FC)
Rogério Ceni, capitão do São Paulo, levanta a Copa Libertadores de 2005 (Foto: Runs Chiri/São Paulo FC)

Após grande suspense, o ídolo tricolor decidiu prorrogar o seu contrato por mais um semestre sem esconder de ninguém a gana ímpar de disputar a Libertadores pela última vez. Uma carreira que ficará marcada por seu ponto alto justamente na edição da Libertadores de 2005, onde pôde anotar gols decisivos contra Palmeiras, Tigres do México e River Plate, além de defesas fundamentais que culminaram no tricampeonato. Foi apenas em 2004, em sua oitava temporada como titular, que Rogério Ceni enfim debutou na principal competição interclubes do continente. Em 2004,  no retorno do São Paulo após 10 anos de hiato, acabaria caindo na semifinal agonicamente frente ao Once Caldas. Rogério Ceni disputará sua nona Libertadores, sendo o maior artilheiro  do São Paulo na competição com 14 gols, um a mais do que Luis Fabiano e três na frente do tridente Pedro Rocha, Muller e Palhina. Para colmo, Rogério Ceni também é o jogador com maior número de jogos com a camisa tricolor em Libertadores, com 82 encontros defendendo a meta tricolor.

Fator campo

Nuevo Gasomentro 

Estádio Nuevo Gasometro, em Buenos Aires, casa do San Lorenzo (AP Photo/Victor R. Caivano)
Estádio Nuevo Gasometro, em Buenos Aires, casa do San Lorenzo (AP Photo/Victor R. Caivano)

A torcida do San Lorenzo é conhecida na Argentina como a mais criativa do país, inovando em melodias oriundas de hits rockeiros e da cumbia local. Os hinchas azulgranas passaram por maus bocados nos anos 80, amargando o rebaixamento e a perda arbitrária do antigo Viejo Gasometro, saudosa cancha situada na Avenida La Plata, no bairro de Boedo. Com o retorno à terra santa – impulsada por uma força conjunta de sócios e torcedores – e o sonho consumado de conquistar a América por primeira vez, os azulgranas vivem um momento épico em sua história. A força de sua fidelidade se faz notar no Nuevo Gasometro, situado na periferia de Buenos Aires – mais precisamente no bairro de Bajo Flores. Na temporada passada o Nuevo Gasometro foi o trunfo do conjunto cuervo com o retrospecto de seis vitórias e um mísero empate frente a Unión Española na primeira fase. O Corinthians deve comemorar o fato que o San Lorenzo ter sido punido pela Conmebol com um jogo com portões fechados devido ao espetacular recebimento pirotécnico na final do ano passado diante do Nacional Querido.

O clichê

“São Paulo e Corithians são os favoritos para avançar no Grupo 2”

Talvez seja o raciocínio lógico para muitos, no entanto o San Lorenzo deve ser respeitado por ser o atual campeão. Possui jogadores de muita personalidade e familiaridade com jogos truncados que permitam o jogo mais brusco. Paton Bauza vai por sua terceira conquista pessoal, tentando recuperar o futebol do primeiro semestre de 2014, apostando nos novos contratados – Franco Mussis, Sebastian Blanco e Matias Caruso. O Danubio tenta surpreender com o bom trabalho nas categorias inferiores e o jogo pouco convencional imposto por Leonardo Ramos. O sucesso do Defensor Sporting na última edição da Libertadores – quando foi semifinalista ao vencer Cruzeiro e Nacional de Medellín – serve de alento ao Danubio e alerta para São Paulo e Corinthians.

Fique de olho

Juan Ignacio Gonzalez, do Danubio

O jovem Juan Ignacio González – não confundir com Ignacio Maria “Nacho” Gonzalez que também foi criado nas categorias de base do Danubio e formou parte do elenco celeste na Copa do Mundo de 2010 –  é a maior aposta individual do Danubio nesta Libertadores. Após a venda da dupla Gonzalo Porras e Camilo Mayada –  que partiram para o Nacional(URU) e River Plate(ARG) respectivamente – coube ao meia destro, que atua pelo flanco esquerdo, assumir o papel de protagonista do quadro de La Curva. Aos 21 anos, González tenta repetir o êxito de De Arrascaeta e Felipe Gedoz, que surpreenderam o continente no ano passado.

Curiosidade

A ligação entre São Paulo e San Lorenzo

São Paulo e San Lorenzo se enfrentam no dia 18 de Março pela quarta rodada no Morumbi. Paulo Silas é um laço entre os dois clubes. Um dos destaques do time de Cilinho ao lado de Muller e Careca, Silas se consagrou na Argentina com a camiseta do San Lorenzo, vencendo o campeonato Apertura de 1995 sob o comando de Bambino Veira. Foram 4 confrontos oficiais, todos pela antiga Copa Mercosul, com saldo de duas vitórias para cada lado. Em 1995, ainda em ritmo de festa pela construção do Nuevo Gasometro, o São Paulo bateu o Ciclón por 3 a 2 com direito a golaço de Leonardo. O jogo é erroneamente confundido como o cotejo de inauguração da nova casa do San Lorenzo.