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Por Daniel Souza e Guilherme Bianchini

Cidade: Madri (Madri)
Estádio: Santiago Bernabéu (81.044)
Técnico: Zinédine Zidane (França)
Posição em 2019/20: 1º (87 pontos)
Títulos: 34 (último: 2019/20)
Projeção: briga pelo título
Voltaram de empréstimo: Lunin (G, Oviedo), Odriozola (LD, Bayern), Reguilón (LE, Sevilla), Ødegaard (MEI/MD, Real Sociedad) e Borja Mayoral (A, Levante)
Principais saídas: Areola (G, pertence ao Paris Saint-Germain), James Rodríguez (MEI, Everton) e Brahim (PD/PE, emprestado ao Milan)
Time-base (4-3-3): Courtois; Carvajal, Varane, Sergio Ramos e Mendy; Casemiro, Kroos e Modric (Valverde); Rodrygo (Isco), Benzema e Hazard (Vinícius Júnior).

Zinédine Zidane é uma caixinha de surpresas. Depois de emendar um tricampeonato consecutivo da Champions League, resolveu ir embora. Sem comandar nenhuma outra equipe, voltou ao Real Madrid para estancar a sangria de um time em crise, mas não parecia adequado para a ocasião. Em uma Liga destinada a Barcelona ou Atlético, tomou a frente e conquistou o título com méritos. Terá agora o desafio de um bicampeonato doméstico, que os blancos não alcançam desde 2008.

No mercado atual, o que mais chama a atenção é a mudança de perfil do Madrid. Sem gastar nenhum dinheiro com reforços, a maior meta é aliviar os cofres do clube e negociar qualquer peça excedente do elenco, além de apostar na evolução dos jovens promissores contratados nas últimas janelas. Em outras palavras: o fim da mentalidade galáctica e a adoção de uma política pragmática para enfrentar um período de restrições econômicas.

O pragmatismo também dá o tom dentro de campo. Com pouco tempo para mudanças significativas, tudo leva a crer que Zidane apostará na continuidade de um modelo que se apega à solidez defensiva para garantir os resultados. Do meio para frente, o método do treinador já é conhecido: liberdade para os valores individuais resolverem. Para quem se dá ao luxo de ter o Karim Benzema dos anos recentes, a tática quase sempre funciona. Mas se o francês só dá motivos para o madridista sorrir, o mesmo não se pode dizer de Eden Hazard.

Com o belga, a sensação é de um grande reforço que ainda não estreou. Além das várias lesões que impediram uma sequência em 2019/20, o jogador já virou alvo de reclamações por suposta falta de comprometimento com a forma física. É com essa pressão que o camisa 7 inicia uma temporada definitiva para sua carreira no Real Madrid. Se estiver concentrado, livre de lesões e jogando o que sabe, eleva a equipe a outro patamar, e ninguém lembrará dos momentos ruins; caso repita o último ano, se tornará mais um problema para o clube — assim como acontece na bizarra situação de Bale.

Em meio às incertezas com Hazard, as portas se abrem para Rodrygo e Vinícius Júnior enfim darem o passo adiante. Ambos tiveram bons momentos e foram importantes no título espanhol, mas o interminável rodízio de Zidane no ataque impediu que os brasileiros alcançassem maior regularidade. A cada jogo, é impossível adivinhar quem o francês escalará nas pontas. Por vezes, a decisão acaba sendo por mais um meia, já que Kroos, Modric, Valverde e Isco (este em menor escala) costumam receber muitos minutos.

A escolha de um meio-campo povoado pode se tornar ainda mais frequente com Martin Ødegaard, a principal novidade para 2020/21. Depois de empréstimo bem-sucedido à Real Sociedad, o norueguês, hoje com 21 anos, está pronto para brilhar no clube que o contratou quando ainda era um adolescente de 16. Reguilón, que também se destacou na condição de emprestado, no Sevilla, não teve a mesma sorte de Ødegaard. Com muitas propostas, a venda do canterano é questão de tempo. Entenda-se os motivos de Zidane ou não, o treinador faz por merecer um voto de confiança na busca pela extensão do legado vitorioso.