Guia de La Liga 2020/21 – Elche

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Por Daniel Souza e Guilherme Bianchini

Cidade: Elche (Valencia)
Estádio: Manuel Martínez Valero (33.732)
Técnico: Jorge Almirón (Argentina)
Posição em 2019/20: 6º (Segunda)
Títulos: nenhum
Projeção: briga pela permanência
Voltaram de empréstimo: Manu Justo (PD, Celta B)
Principais saídas: Miguel San Román (G, pertence ao Atlético de Madrid), Tekio (LD, Volos), Juan Cruz (LE/Z, Osasuna), Andoni López (LE, pertence ao Athletic), Manuel Sánchez (V, aposentado), Iván Sánchez (MD/MEI/ME, Birmingham) e Jonathas (A, Al Sharjah)
Time-base (3-4-3): Édgar Badía; Dani Calvo, Verdú e Josema; Víctor Rodríguez, Mfulu, Folch e Fidel Chaves; Josan, Nino (Dani Escriche) e Pere Milla.

A província de Alicante volta a ter um representante na Primeira Divisão. Último dos 20 participantes a se confirmar em La Liga para a atual temporada, o Elche está de volta à elite após cinco anos. Embora não pareça tanto tempo, a trajetória do clube até esse novo acesso foi uma verdadeira saga, desde a temporada 2014/15, em que ficou em 13º lugar, mas foi rebaixado por violar regras referentes ao excesso de dívidas — o primeiro e, até hoje, único caso em que isso aconteceu no futebol espanhol).

A punição foi uma catástrofe para o clube, que mergulhou no fundo do poço e caiu para a terceira divisão após duas temporadas na segunda categoria. Voltou para a segunda na primeira tentativa, em 2017/18, e em 2019/20 conseguiu o mais improvável dos acessos para La Liga. Após ser derrotado pelo Fuenlabrada na penúltima rodada, o Elche precisava vencer o Oviedo e torcer por uma derrota do Fuenlabrada para o desesperado Deportivo La Coruña. Isso para buscar a última vaga dos playoffs de acesso.

O Elche venceu, mas o outro jogo foi adiado devido a um surto de COVID-19 no plantel do Fuenlabrada. Pior: quando o jogo fosse realizado, o Elche dependeria de um Deportivo já rebaixado, pois os outros jogos aconteceram e rebaixaram o clube da Galícia. Quando Deportivo e Fuenlabrada se enfrentaram de novo, 17 dias depois, o já rebaixado Dépor venceu por 2 a 1, classificando o clube valenciano para os playoffs. Após passar pelo Zaragoza, o Elche conquistou o acesso ao vencer o Girona por 1 a 0, com gol de Pere Milla aos 51 minutos do segundo tempo. Um roteiro absolutamente cinematográfico. Um milagre.

O jogo do acesso foi em 23 de agosto, de modo que o clube não teve tempo hábil algum para se preparar até aqui. Portanto, assim como as equipes que jogaram as fases finais dos torneios europeus, os dois jogos iniciais do Elche foram adiados. A estreia da equipe será somente no fim de semana do dia 27 de setembro, contra a Real Sociedad, em casa.

O técnico Pacheta, comandante dos dois acessos, deixou o Elche. O empresário de futebol argentino Christian Bragarnik, dono do clube desde novembro de 2019, trocou o profissional pelo argentino Jorge Almirón, conhecido por ter levado o Lanús à final da Libertadores de 2017. Almirón é um bom treinador, mas não tem experiência na Europa, e terá pouquíssimo tempo para implantar suas ideias. A escolha poderia ter sido ainda menos ortodoxa, pois o nome de Diego Maradona (o próprio), amigo de Bragarnik, chegou a ser ventilado para o cargo.

Antes fosse só a escolha de treinador o problema. De momento, apenas um jogador chegou ao clube, e não é exatamente uma novidade: o ponta Dani Escriche, que estendeu seu empréstimo por mais uma temporada. O time ainda perdeu peças essenciais, como os laterais titulares, Óscar Gil e Juan Cruz, e o meio-campista Iván Sánchez, além do atacante brasileiro Jonathas, decisivo na reta final da temporada. Caberá ao atacante Nino, capitão do clube, do alto de seus 40 anos de idade, liderar esse barco. Até o fechamento deste guia, havia menos de 20 atletas no elenco principal. A equipe deverá anunciar reforços até a estreia, mas, em meio a tantas adversidades, só com um novo milagre (ainda maior que o do acesso) o Elche permanecerá na Primeira Divisão.