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Por Daniel Souza e Guilherme Bianchini

Cidade: Eibar (País Basco)
Estádio: Ipurua (7.083)
Técnico: José Luis Mendilibar (Espanha)
Posição em 2019/20: 14º (42 pontos)
Títulos: nenhum
Projeção: briga pela permanência
Principais chegadas: Recio (MC/V, Leganés) e Damian Kadzior (MD/MEI, Dínamo Zagreb)
Voltaram de empréstimo: José Antonio Martínez (Z, Granada) e Roberto Olabe (MC/MEI, Extremadura)
Principais saídas: Ramis (Z, aposentado), Escalante (MC/V, Lazio), Cristóforo (MC/V, pertence à Fiorentina), Orellana (MD/MEI/ME, Valladolid), De Blasis (ME/MD) e Charles (A, Pontevedra)
Time-base (4-4-2): Dmitrovic; Arbilla, Paulo Oliveira, Bigas e Rafa Soares; Pedro León (Kadzior), Diop (Recio), Edu Expósito e Inui; Sergi Enrich e Kike García.

O time da menor cidade a ser representada na Primeira Divisão espanhola em toda a história segue firme para mais um ano. Fica repetitivo falar sempre, mas nunca é demais ressaltar. Eibar é uma cidade de menos de 30 mil habitantes do País Basco, e seu estádio, o Ipurua, tem capacidade para oito mil pessoas. Ainda assim, a equipe caminha para a sétima temporada seguida na Primeira Divisão. Isso jamais deve ser ignorado.

Apesar do feito, o último ano foi difícil, e as perspectivas para 2020/21 não são animadoras. O Eibar voltou da paralisação ameaçadíssimo pelo rebaixamento, mas uma pequena melhora nos resultados e o péssimo nível dos concorrentes fizeram com que a permanência viesse sem tantos sustos. Mas o 14º lugar já é um alerta de que o cenário de um clube que chegou a tangenciar disputas por vaga europeia mudou. A necessidade de remontar a equipe a cada temporada ganha contornos problemáticos em um contexto de pandemia e com uma janela curta. Ainda que reforços possam chegar, isso aconteceria com o campeonato já em andamento, comprometendo a adaptação ao modelo de jogo do clube.

José Luis Mendilibar, há cinco anos no comando (técnico há mais tempo dirigindo a mesma equipe de La Liga depois de Diego Simeone), se notabilizou por uma ideia clara que combina elementos de jogo direto com pressão alta e imposição física, mas sem abdicar de ter a bola quando necessário. Outro problema é que apesar de pequeno, o Ipurua e a torcida são parte fundamental da força do Eibar na Primeira Divisão. Enquanto a normalidade não se restaurar, pode-se dizer que o time basco é um dos que mais sentirá falta da totalidade do fator casa.

As saídas de peças como Orellana, Escalante, De Blasis e Charles, além da aposentadoria do capitão Iván Ramis, são um problema e tanto para o Eibar. Pior, todas essas saídas foram em fim de contrato, ou seja, não renderam dinheiro ao clube. Não à toa, a equipe ainda foi muito tímida no mercado. De mais significativo, apenas a chegada do experiente volante Recio, ex-Leganés, e do atacante polonês Damian Kadzior, ex-Dinamo de Zagreb. Nas próximas semanas da janela, a conhecida capacidade do clube basco de tirar coelhos da cartola no mercado, pagando pouco (ou nada), será testada ao limite.

A notícia mais positiva, sem dúvida, é a continuidade de Mendilibar, que terá provavelmente o seu maior desafio na luta pela permanência desde que chegou ao Eibar. Das principais referências em campo, o meio-campista Edu Expósito, o meia direita Pedro León e, principalmente, o ótimo goleiro Dmitrovic devem seguir no clube. Pelas mãos do sérvio passarão as esperanças dos armeros em mais um ano de La Liga.