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Por Daniel Souza e Guilherme Bianchini

Cidade: Vigo (Galícia)
Estádio: Balaídos (29.000)
Técnico: Óscar García (Espanha)
Posição em 2019/20: 17º (37 pontos)
Títulos: nenhum
Projeção: briga pela permanência
Principais chegadas: Tapia (V, Feyenoord), Miguel Baeza (MEI, Real Madrid Castilla) e Vadillo (ME/MD, Granada)
Voltaram de empréstimo: David Costas (Z/LD, Almería), Jozabed (MC, Girona) e Emre Mor (PD/PE, Olympiacos)
Principais saídas: Murillo (Z, pertence à Sampdoria), Bradaric (V/MC, pertence ao Cagliari), Pape Cheikh (MC, pertence ao Lyon), Rafinha (MEI/MC, pertence ao Barcelona), Juan Hernández (PD/PE, emprestado ao Sabadell), Smolov (A, pertence ao Lokomotiv Moscou) e Sisto (PE/PD, Midtjylland)
Time-base (4-3-3): Rubén Blanco (Iván Villar); Hugo Mallo, Aidoo, Araujo e Olaza (Juncà); Denis Suárez, Tapia (Okay Yokuslu) e Fran Beltrán (Brais Méndez); Emre Mor (Vadillo), Aspas e Nolito.

O Celta chega a 2020/21 após duas temporadas absolutamente constrangedoras. Se o futebol galego vive um momento péssimo com a queda do Deportivo La Coruña para a Segunda B (a terceira divisão espanhola), a situação do Celta, ainda que mantido na elite por mais um ano, está longe de poder contar muita vantagem. Afinal, o clube celeste foi o último antes da zona de rebaixamento nas duas últimas temporadas. O Leganés, primeiro clube do Z3, com um orçamento bem menor e enfrentando a perda de seus dois principais atacantes, não mandou o clube de Vigo para a Segunda por um triz.

O roteiro tem se repetido nos últimos anos: escolhas incoerentes e questionáveis para o cargo de treinador, apostas no mercado de transferências que não vingam, resultados ruins, mudanças de técnico durante a temporada, o pânico se instala e Iago Aspas salva a pátria no fim. Não costuma variar muito. Porém, trata-se de um clube que tem jogadores talentosos. Além do próprio Aspas, Santi Mina e Denis Suárez, que chegaram no ano passado, são jogadores respeitados. Na segunda metade da temporada, o Celta teve no seu elenco por empréstimo Rafinha Alcântara e Jeison Murillo (este último essencial para a melhoria defensiva do time).

Todo esse panorama é para entender o tamanho do absurdo que é esse time ter feito o papelão que fez nos dois últimos anos. Segue como treinador Óscar García, que chegou no mês de novembro para fazer seu primeiro trabalho em La Liga depois de experiências em ligas de segundo escalão na Europa. A permanência do técnico, que não conseguiu trazer melhoria significativa ao desempenho da equipe durante o ano, além de pouco experimentado numa liga desse nível, é bastante questionável.

Sem dúvida, o grande problema dos galegos há muitos anos é a defesa. Tanto individualmente quanto sob o ponto de vista coletivo, a falta de competitividade por ali é a grande responsável pelos péssimos resultados. Após a chegada por empréstimo de Murillo, em janeiro, o setor se tornou minimamente confiável. O colombiano foi o líder que faltava a essa defesa, e sua ausência para 2020/21 (o Celta não conseguiu negociar uma redução da opção de compra que tinha com a Sampdoria, embora ainda não tenha desistido) é bem preocupante. Ainda não chegaram reforços para suprir a baixa.

As principais novidades são do meio para frente: o ponta Vadillo, vindo do Granada, o meia da seleção peruana Renato Tapia e o jovem meia Miguel Baeza, oriundo da base do Real Madrid. O turco Emre Mor, contratado em 2017 com muita expectativa, volta de empréstimo disposto a deixar uma melhor imagem. Apostas interessantes, mas fica a sensação de que as maiores prioridades ainda não foram atacadas. Certamente, os apaixonados pelo clube celeste iniciam a temporada muito preocupados. A torcida é para que um novo Murillo apareça ainda nesta janela (caso o próprio não seja possível), ou então para que a qualidade técnica do ataque supere a fragilidade na defesa.