Guia de La Liga 2020/21 – Cádiz

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Por Daniel Souza e Guilherme Bianchini

Cidade: Cádiz (Andaluzia)
Estádio: Ramón de Carranza (25.033)
Técnico: Álvaro Cervera (Espanha)
Posição em 2019/20: 2º (Segunda)
Títulos: nenhum
Projeção: briga pela permanência
Principais chegadas: Ledesma (G, Rosario Central), Sotres (G, Salamanca), Jönsson (V, Konyaspor), Alejo (MD/ME, comprado em definitivo do Getafe), Jorge Pombo (MEI/ME/A, comprado em definitivo do Zaragoza), Panadero (ME/MD, Al-Wahda), Malbasic (PD/A/PE, comprado em definitivo do Tenerife), David Mayoral (PD/A/PE, Murcia), Choco Lozano (A, comprado em definitivo do Girona), Álvaro Giménez (A/PE, comprado em definitivo do Birmingham), Nano Mesa (A, comprado em definitivo do Eibar) e Negredo (A, Al Nasr)
Voltaram de empréstimo: Carmona (LD, Racing Santander), Matos (LE, Twente), David Querol (MD, Albacete), Javi Navarro (ME, Ponferradina), Christian Martínez (ME, Recreativo Huelva), Dani Romera (A, Alcorcón) e Jovanovic (A, Cartagena)
Time-base (4-2-3-1): Cifuentes; Iza Carcelén, Juan Cala, Marcos Mauro e Pacha Espino; José Mari, Bodiger (Jönsson), Salvi (Iván Alejo), Álex Fernández e Malbasic (Jorge Pombo); Negredo (Choco Lozano).

O Cádiz não foi o campeão da Segunda Divisão, mas perdeu o título para o Huesca basicamente por ter se desmobilizado totalmente depois de obter o acesso. A equipe foi líder praticamente de ponta a ponta e, num ano com particularidades que podem ser especialmente difíceis para os recém-promovidos, é provavelmente o que tem maiores expectativas. Dos três, também é o que estava há mais tempo de fora da elite: desde a temporada 2005/06. Desde então, foram sete temporadas na segunda divisão e sete na terceira (sendo seis delas em sequência). O torcedor do Cádiz sofreu, e muito, até obter essa tão esperada volta à elite.

No comando do clube desde 2016 está Álvaro Cervera, que também foi o comandante do acesso para a Segunda Divisão. Se La Liga é caracterizada pela riqueza de estilos das equipes, desde o jogo físico do Getafe de Bordalás a times absolutamente refinados com a bola, como o Sevilla de Lopetegui, Cervera e seu Cádiz têm se caracterizado por um estilo bastante próprio, que pode ser encarado como a antítese do tradicional tiki-taka espanhol. O treinador construiu uma identidade vitoriosa e uma bonita conexão com a cidade, transformando-se num ídolo local.

A equipe foi dominante na última temporada com um estilo marcado por pouquíssima posse de bola, transições rápidas, absoluta concentração defensiva, além de um espírito de luta até o final que rendeu muitos gols nos minutos decisivos dos jogos. A luta não se negocia – lema do treinador que se transformou em uma frase-símbolo do clube. Agora enfrentando semanalmente equipes muito mais fortes que as da Segunda Divisão, certamente Cervera irá dobrar a aposta em seu futebol de “guerrilha”.

Em termos de movimentação de mercado, o reforço que mais chama a atenção, sem dúvida, é o veterano atacante Álvaro Negredo, de 35 anos, que estava no futebol dos Emirados Árabes. Ele oferece experiência e poder de decisão ao ataque. Tão ou mais importante, no entanto, é a manutenção da espinha dorsal que trouxe sucesso na última temporada. Muitos eram jogadores emprestados que agora foram comprados em definitivo pelo clube. O atacante hondurenho Choco Lozano, o também atacante Nano Mesa e o meia direita Iván Alejo são os principais casos.

Para o gol, chega o argentino Ledesma, ex-Rosario Central, com a meta de competir com o veteraníssimo Cifuentes, de 41 anos. Porém, o principal jogador do time está no meio-campo: Álex Fernández, de 27 anos, formado na base do Real Madrid. O irmão de Nacho Fernández tem sido a grande referência técnica do Cádiz há alguns anos. Na última temporada, foi o artilheiro com 13 gols. O retorno à Liga certamente será marcado por um time disposto a lutar o tempo todo, que sabe perfeitamente suas limitações, mas tentará ao máximo capitalizar nos erros dos oponentes. Se vai ser suficiente para permanecer na elite, não se sabe, mas certamente Álvaro Cervera tem um plano.