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Por Daniel Souza e Guilherme Bianchini

Cidade: Madri
Estádio: Wanda Metropolitano (67.829)
Técnico: Diego Simeone (Argentina)
Posição em 2019/20: 3º (70 pontos)
Títulos: 10 (último: 2013/14)
Projeção: briga por título
Principais chegadas: Grbic (G, Lokomotiva Zagreb) e Carrasco (PE, comprado em definitivo do Dalian Pro)
Voltaram de empréstimo: Nehuén Pérez (Z, Famalicão), Mollejo (PD/PE/A, Deportivo La Coruña) e Kalinic (A, Roma)
Principais saídas: Adán (G, Sporting Lisboa) e Caio Henrique (LE, Monaco)
Time-base (4-4-2): Oblak; Trippier, Giménez, Felipe (Savic) e Renan Lodi; Saúl (Correa), Thomas, Koke e Carrasco; Marcos Llorente e Morata.

A temporada 2019/20 do Atlético de Madrid teve dois momentos bastante distintos. O primeiro foi de frustração por não corresponder às expectativas, e até a vaga na próxima Liga dos Campeões estava em risco. Depois da épica classificação contra o Liverpool em Anfield, porém, tudo mudou. A paralisação forçada em razão da quarentena não interrompeu a evolução da equipe, apesar da inesperada eliminação para o RB Leipzig nas quartas de final da competição europeia.

O Atlético de 2020/21 será o primeiro ou o segundo? Essa é a pergunta cuja resposta ditará os rumos colchoneros na décima temporada de Diego Simeone à frente da equipe. Sem grandes contratações nem perdas significativas, o técnico precisa reencontrar a regularidade — de atuações e de resultados — para o Atleti voltar a sonhar com grandes títulos. Por tudo que já fez no cargo, parece loucura questionar o argentino, mas evoluir e apresentar alternativas é necessário para se manter na primeira prateleira da Espanha e da Europa.

Principal reforço na temporada anterior, João Félix oscilou entre momentos apagados e lampejos de genialidade — suficientes para notar o tamanho de seu potencial. A irregularidade é totalmente compreensível para um jovem de 20 anos. O esperado salto de nível do português pode ser elemento suficiente para recolocar os rojiblancos no patamar de Barcelona e Real Madrid. Desde o título em 2013/14, o Atlético nunca havia terminado a Liga tão distante do campeão (17 pontos). E no retrovisor aparece o Sevilla, que se mostra disposto a brigar por um lugar no pelotão de frente.

A ausência de Griezmann após a polêmica transferência para o Barcelona foi bastante sentida nos números: o artilheiro da equipe em 2019/20, Morata, marcou apenas 16 gols, ao passo que o francês costumava anotar pelo menos 20 tentos por temporada. O vice-artilheiro foi o próprio João Félix, com 9. Garantia de gols na primeira passagem pelo clube, Diego Costa decepciona desde o retorno, e já parece estar em fase decadente da carreira. Em meio a incertezas no setor ofensivo, Simeone deu um grande golpe de mestre: transformou o volante Marcos Llorente em atacante.

Contratado diretamente do rival Real Madrid na temporada anterior, o sobrinho-neto de Paco Gento ainda não havia se encontrado no novo clube até marcar os gols da classificação em Anfield, logo antes da pandemia. A qualidade na frente não era mera casualidade, já que Llorente, na nova posição, foi o melhor jogador colchonero quando a bola voltou a rolar. Além do sangue novo no ataque, a defesa completou uma reformulação bem-sucedida com as entradas de Trippier, Felipe e Renan Lodi. Mas para que o Atlético retome a regularidade, será fundamental recuperar o melhor de Koke e Saúl, dupla que esteve bem abaixo em 2019/20.