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Por Daniel Souza e Guilherme Bianchini

Cidade: Bilbao (País Basco)
Estádio: San Mamés (53.289)
Técnico: Gaizka Garitano (Espanha)
Posição em 2019/20: 11º (51 pontos)
Títulos: 8 (último: 1983/84)
Projeção: briga por Europa League
Principais chegadas: nenhuma
Voltaram de empréstimo: Peru Nolaskoain (V/Z, Deportivo La Coruña) e Iñigo Vicente (PE/A, Mirandés)
Principais saídas: Mikel San José (V) e Beñat (MC)
Time-base (4-3-3): Unai Simón; Capa (De Marcos), Unai Nuñez (Yeray), Iñigo Martínez e Yuri; Dani García, Unai López (Sancet) e Muniain; Iñaki Williams, Raúl García (Villalibre) e Iñigo Córdoba (Morcillo).

Após uma era em que foi presença constante na Europa League, chegando a participar da Champions em 2014/15, o Athletic vive uma fase de inconsistência em La Liga, e chega ao terceiro ano consecutivo ausente de competições europeias. Apesar da política restritiva de contratações, paga altos salários a seus principais jogadores (além das multas rescisórias muito acima do padrão de mercado), como forma de proteção contra o interesse de gigantes europeus. Não dá para dizer que é um clube com pouco investimento.

Dessa forma, a pressão por uma boa temporada é grande. Em 2019/20, a equipe começou bem na liga, mas à medida que foi avançando na Copa do Rei, perdeu fôlego no certame de pontos corridos. Apesar de um esboço de recuperação após a paralisação, derrotas cruciais dentro do San Mamés impediram uma classificação para a Europa League. O melhor momento do último ano foi exatamente na Copa, em que se classificou para uma final histórica contra a arquirrival do País Basco, a Real Sociedad.

Em um ato histórico, no entanto, os clubes acordaram que a final será disputada apenas quando a torcida estiver liberada, abrindo mão da vaga direta à Europa League que o campeão teria direito. Essa final será disputada em algum momento da atual temporada. Apesar da expectativa pela decisão (que pode ser o primeiro título de Copa do Athletic desde 1984), é grande a cobrança por um desempenho mais consistente ao técnico Gaizka Garitano, no cargo desde 2018.

O Athletic tem uma defesa forte, com os talentosos Iñigo Martínez, Yeray Álvarez e Unai Nuñez como opções para a zaga, além dos ótimos Ander Capa e Yuri Berchiche nas laterais. O modelo de Garitano apoia-se bastante no setor, mas há fortes críticas quanto à fraca produção ofensiva. O time depende imensamente de lampejos criativos de Iñaki Williams e Iker Muniain, além do oportunismo e da imposição física de Raúl García, autor de 15 gols na última Liga. Ainda assim, nas duas últimas temporadas, o Athletic fez apenas 41 gols no campeonato. Pouco para quem tem ambições altas.

Ainda não houve chegadas, embora haja a possibilidade forte da volta de Javi Martínez, recém-campeão da Champions pelo Bayern. O clube tem renovado seu elenco na medida do possível, com o ciclo de alguns jogadores históricos se encerrando. No meio-campo, os veteranos Beñat Etxebarria e Mikel San José deixaram o Athletic ao fim de 2019/20. Por outro lado, as esperanças no jovem Oihan Sancet, de 20 anos, são altas. A saída mais simbólica, contudo, é a de Aritz Aduriz, a grande referência de muitos anos, autor de 172 gols pelo clube. Ficam as muitas memórias, sendo a última delas o lindo gol marcado contra o Barcelona, seu último na carreira, e talvez o mais bonito.