O primeiro Campeonato Português após o título da seleção na Eurocopa está prestes a começar e promete fortes emoções. Ao mesmo tempo em que o futebol doméstico lusitano continua com seus velhos problemas, a competição nacional tem atrativos bem próprios. Alguns deles estão destacados nesta primeira parte do guia, que aborda o tricampeão Benfica, o forte Braga e os recém-promovidos Chaves e Feirense, entre outros.

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AROUCA

Técnico: Lito Vidigal

Temporada passada: 5º lugar

Destaque: Nuno Valente (M)

Competições europeias: Liga Europa (3ª pré-eliminatória)

Objetivo: Liga Europa

Principais chegadas: André Santos (M, Metz-FRA), Anderson Luís (M, Estoril), Bruno Lopes (A, Criciúma), Rafael Crivellaro (M, Wisla Cracóvia-POL), Anderson Pico (D, Dnipro-UCR), Vitor Costa (D, Avaí), Marlon de Jesús (A, El Nacional-EQU), Sancidino Silva (A, Benfica B).

Principais saídas: Pintassilgo (M, Sporting Covilhã), Roberto Rodrigo (A, Moreirense), David Simão (M, CSKA Sofia-BUL), Lucas Lima (D, Nantes).

O Arouca inicia a temporada atual com expectativas bem diferentes – e melhores – do que em 2015/16. No campeonato passado, o time fez campanha sólida, terminou em quinto lugar e se classificou pela primeira vez na história para uma competição europeia de alto nível. Para se ter uma ideia, foi a única vez em três anos na primeira divisão que a equipe teve média superior a um gol marcado por jogo. A nova temporada começou com Lito Vidigal mantido no banco de reservas e a empolgação renovada da torcida, que viu o time eliminar o Heracles, da Holanda, e passar ao playoff da Liga Europa. Para manter a boa fase, o clube investiu no mercado. Dentre os contratados, o mais conhecido é o lateral-esquerdo brasileiro Anderson Pico, 27 anos, ex-Grêmio e Flamengo. Com um bom elenco na mão e muita confiança de torcedores e dirigentes, o sereno Lito Vidigal tem tudo para fazer mais um bom trabalho.

BELENENSES

Técnico: Julio Velázquez

Temporada passada: 9º lugar

Destaque: Gerso Fernandes (A)

Competições europeias: nenhuma

Objetivo: meio da tabela

Principais chegadas: João Diogo (D, Marítimo), Gerso Fernandes (A, Estoril), Mica Pinto (D, Sporting B), Komnen Andric (A, OFK Beograd-SER), Fernando Llorent (M, Poli Timisoara-ROM), Oriol Rossel (M, Vitória de Guimarães), João Afonso (D, Mafra), Luís Silva (M, Chaves), Dinis Almeida (D, Reus-ESP), André Moreira (G, União da Madeira), Florent Hanin (D, St. Gallen-SUI).

Principais saídas: João Amorim (D, Desportivo Aves), Rafael Amorim (D, Tondela), Tiago Almeida (D, Moreirense), Ricardo Ribeiro (G, Acadêmica), Tiago Silva (M, Feirense).

A temporada começa com o Belenenses dividindo suas atenções entre o que ocorre dentro de campo e os tumultuados acontecimentos fora dele. A direção do clube está numa batalha judicial contra a empresa que detém as ações majoritárias da Sociedade Anônima Desportiva (SAD) que é, de fato, quem manda no negócio. Por outro lado, a diretoria tenta se defender dos ataques do Gil Vicente, que vê no Belenenses um dos culpados pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional não ter acatado a decisão da Justiça de recolocar os gilistas na primeira divisão. Em campo, o técnico espanhol Julio Velázquez conta com pelo menos três jogadores de seu país para fazer uma campanha que, ao menos, mantenha o time na elite sem passar sustos. Portanto, a ideia de contar só com portugueses no elenco, como na temporada passada, foi deixada de lado. Entre os lusitanos, vale a pena ficar de olho nos atacantes Gerso Fernandes e Abel Camará.

BENFICA

Técnico: Rui Vitória

Temporada passada: Campeão

Destaque: Jonas (A)

Competições europeias: Liga dos Campeões (fase de grupos)

Objetivo: título

Principais chegadas: André Carrillo (A, Sporting), Franco Cervi (A, Rosario Central-ARG), André Horta (M, Vitória de Setúbal), Guillermo Celis (M, Junior Barranquilla-COL), Óscar Benítez (A, Lanús-ARG), Andrija Zivkovic (A, Partizan-SER).

Principais saídas: Renato Sanches (M, Bayern Munique-ALE), Nico Gaitán (M, Atlético Madrid), Nuno Santos (A, Vitória de Setúbal).

Ganhar o inédito tetracampeonato é algo que está nos planos do Benfica para esta temporada. Mas não só isso. Assim como em ocasiões anteriores, o clube almeja fazer frente aos gigantes europeus na Liga dos Campeões, o que, evidentemente, não será fácil – embora não seja impossível. O maior campeão português da história, com 35 títulos, perdeu a estrela Renato Sanches. Por sua vez, trouxe o atacante Carrillo, que teve problemas com a direção do Sporting, seu ex-clube. No banco, Rui Vitória passou de contestado a aplaudido após a volta por cima no campeonato passado. Assim, se o Benfica é naturalmente sempre um dos favoritos ao título português, quando o clima interno ajuda – como parece acontecer agora – sua força aumenta ainda mais.

BOAVISTA

Técnico: Erwin Sánchez

Temporada passada: 14º lugar

Destaque: Erivelto (A)

Competições europeias: nenhuma

Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Edu Machado (D, Chaves), Talocha (D, Vizela), Digas (A, Salgueiros), Mickael Meira (G, Atlético CP), Fábio Espinho (M, Moreirense), Lucas (D, Hamilton-ESC), Erivelto (A, Al-Mesaimeer-QAT), Idé (A, Alcanenense).

Principais saídas: Diego Lima (M, Zimbru-MDA), Afonso Figueiredo (D, Rennes-FRA), Rúben Ribeiro (M, Rio Ave), Paulo Vinícius (D, Apollon Limassol-CYP), Zé Manuel (A, Vitória de Setúbal).

O torcedor do Boavista sabe que está prestes a começar mais um campeonato que será pautado pela briga contra o rebaixamento. O clube segue em reconstrução e ter se mantido na primeira divisão é uma grande vitória. Até por isso, o acordo com a operadora de TV MEO, que deve injetar € 13,5 milhões nos cofres dos axadrezados, talvez tenha sido a melhor notícia da pré-temporada. Em campo, o investimento é mais uma vez é em jogadores baratos e pouco conhecidos. Um trunfo para o técnico boliviano Erwin Sánchez é o atacante Erivelto, artilheiro da segunda divisão na temporada 2014/15, quando fez 23 gols pelo Sporting Covilhã. No meio-campo, a aposta é na experiência de Fábio Espinho.

BRAGA

Técnico: José Peseiro

Temporada passada: 4º lugar

Destaque: Rafa (A)

Competições europeias: Liga Europa (fase de grupos)

Objetivo: Liga dos Campeões

Principais chegadas: Lazar Rosic (D, Vojvodina-SER), Luís Aguiar (M, Peñarol-URU), Tomás Martínez (M, Defensa y Justicia-ARG), Ricardo Horta (A, Málaga-ESP), Marko Bakic (M, Belenenses).

Principais saídas: Luiz Carlos (M, Al-Ahli Jeddah-SAU), Crislan (A, Tondela).

José Peseiro é a principal novidade no Braga para esta temporada. O ex-técnico do Porto retorna ao clube em que foi campeão da Taça da Liga em 2012/13, com a missão de, pelo menos, mantê-lo como quarta força do futebol português. O torcedor bracarense, porém, sonha com mais. O título da Taça de Portugal na temporada passada ainda está fresco na memória e 10 mil pessoas lotaram o centro histórico de Braga para a apresentação do elenco de 2016/17. Com Peseiro no comando, a torcida pode esperar uma equipe mais sólida defensivamente, que prioriza o jogo seguro. Com poucas contratações de peso e na iminência de perder o atacante Rafa, sua maior estrela (quem chegar com pelo menos € 20 milhões leva o jogador), o Braga aposta na força do conjunto e na confiança do novo treinador para tentar um novo título de uma das taças ou, quem sabe, beliscar uma terceira colocação no campeonato nacional.

CHAVES

Técnico: Jorge Simão

Temporada passada: vice-campeão da 2ª divisão

Destaque: Rodrigo Battaglia (M)

Competições europeias: nenhuma

Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Emanuel Novo (G, Famalicão), Rafael Lopes (A, Acadêmica), Simon Vukcevic (A, ENP-CYP), Luís Alberto (M, Tondela), Ricardo Nunes (G, Vitória de Setúbal), Felipe Lopes (D, Wolfsburg-ALE), Nemanja Petrovic (D, Maccabi Netanya-ISR), Fábio Martins (A, Paços de Ferreira), Paulinho (D, União da Madeira), Rodrigo Battaglia (M, Rosario Central), Félix Mathaus (D, Acadêmico Viseu).

Principais saídas: Edu Machado (D, Boavista), Siaka Bamba (M, Cova da Piedade), Diogo Cunha (M, Famalicão), Luís Barry (A, Desportivo Aves), Mike Moura (D, Sporting Covilhã), Luís Pinto (A, Sporting Covilhã), Stéphane (D, Acadêmico Viseu), Luís Silva (M, Belenenses)

O Desportivo de Chaves vai para sua 14ª participação na divisão de elite do futebol português – e a primeira neste século. O clube está de volta ao principal campeonato do país após 17 anos, tempo também em que a famosa região de Trás-os-Montes ficou sem representante na primeira divisão. Sem o rei do acesso, Vítor Oliveira, que comandou o time na temporada passada e preferiu não se manter no cargo, a responsabilidade cai sobre Jorge Simão, que em 2015/16 esteve no banco do Paços de Ferreira. O Chaves foi ao mercado, renovou bastante o elenco e conta com a empolgação da torcida para manter-se na elite do futebol lusitano.

ESTORIL

Técnico: Fabiano Soares

Temporada passada: 8º lugar

Destaque: Kléber (A)

Competições europeias: nenhuma

Objetivo: meio da tabela

Principais chegadas: José Moreira (G, Olhanense), Gustavo Tocantins (A, Portuguesa), Thiago Cardoso (D, Macaé), Luís Ribeiro (G, Feirense), Matheus Índio (M, Vasco da Gama), Alisson Farias (A, Internacional), Ailton Silva (D, Neftchi-AZE), Kléber (A, Beijing Guoan-CHI).

Principais saídas: Gerso Fernandes (A, Belenenses), Anderson Luís (D, Arouca), Babanco (D, AEL Limassol-CYP), Pawel Kieszek (G, Córdoba-ESP), Léo Bonatini (A, Al Hilal-SAL), Bruno Miguel (D, Acadêmico Viseu), Diego Carlos (D, Nantes-FRA), Leandro Chaparro (M, Freamunde).

Quem gosta de futebol alternativo deve ficar de olho no time do Estoril, que conta com uma série de jogadores “lado B” do futebol brasileiro. Mais da metade do elenco é formado por atletas do Brasil, incluindo nomes como os atacantes Gustavo Tocantins (ex-Corinthians) e Alisson Farias (ex-Internacional), o meio-campista Gladestony (ex-São Paulo e Internacional) e o lateral-direito Lucas Farias (ex-São Paulo). A principal esperança da equipe é o atacante Kléber, outro brasileiro, que retorna ao clube após uma rápida passagem pelo futebol chinês.

FEIRENSE

Técnico: José Mota

Temporada passada: 3º lugar na segunda divisão

Destaque: Tiago Silva (M)

Competições europeias: nenhuma

Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Peçanha (G, Viitorul Constanta-ROM), Vítor Bruno (M, Cluj-ROM), Luís Aurélio (M, Nacional), Paulo Monteiro (M, União da Madeira), Luís Rocha (D, Freamunde), Ricardo Dias (M, Belenenses), Tiago Silva (M, Belenenses), Vaná (G, ABC), Flávio Ramos (D, Paysandu), Tasos Karamanos (A, Panionios-GRE).

Principais saídas: Agostinho Carvalho (D, Fafe), Giorgi Makaridze (G, Moreirense), Serginho (D, Créteil-Lusitanos-FRA), Hélder Castro (D, Olympiakos Nicosia-CYP).

Responsável pela arrancada na reta final e a conquista do emocionante acesso para a primeira divisão, o técnico José Mota foi mantido no comando do Feirense, que disputará a elite do futebol português pela quinta vez em sua história. O objetivo é conseguir algo inédito para o clube: não ser rebaixado logo na primeira temporada após o acesso. Para isso, Mota faz o discurso de que o time será ofensivo, dentro de suas possibilidades. O elenco é recheado de jogadores de pouca expressão, muitos deles oriundos de centros menos conhecidos do futebol mundial.

MARÍTIMO

Técnico: Paulo César Gusmão

Temporada passada: 13º lugar

Destaque: Fransérgio (M)

Competições europeias: nenhuma

Objetivo: Liga Europa

Principais chegadas: Pedro Coronas (D, Moreirense), Brito (A, Rec. Libolo-AGO), Jean Cleber (M, CSA), Christiano (D, Sport), Felipe (M, Rio Preto), Bruno Nunes (A, Portuguesa), Shaher (M, Vitória de Setúbal), Régis (M, Atlético Goianiense), Gottardi (G, Nacional), Esquerdinha (M, Skenderbeu-ALB), Samuel Santos (D, Botafogo-SP).

Principais saídas: Romain Salin (G, Guingamp-FRA), João Diogo (D, Belenenses), Rúben Ferreira (D, Vitória de Guimarães), Fernando Ferreira (M, Tondela).

O principal nome do Marítimo nesta temporada está no banco de reservas. O técnico Paulo César Gusmão, com passagens por grandes clubes do futebol brasileiro, inicia seu primeiro trabalho em Portugal com um objetivo ambicioso: colocar a equipe na zona de classificação da Liga Europa. Não fosse a contratação do próprio PC Gusmão, dificilmente o Marítimo seria apontado como candidato à vaga. Mas, ao investir no treinador, a diretoria sinaliza ter cartuchos para queimar em busca de algo que não acontece desde 2011/12. O elenco, sem grandes estrelas, tem vários jogadores que saíram de times pequenos e médios do Brasil e querem mostrar serviço.

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