O Campeonato Holandês da temporada 2015/16 promete demais… só que não. Num futebol holandês que deve virar, mais e mais, produtor de talentos para brilharem em países maiores no futebol europeu, a animação para a próxima Eredivisie está em baixa. Se serve de consolo, isso pode sinalizar que nenhum clube larga como favorito excessivamente destacado, como Ajax e PSV largaram em 2014/15. O que abre espaço para equipes menores – AZ e Groningen são as bolas da vez, atualmente.

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Por mais que sempre seja favorito, o Trio de Ferro tem resultados pouco promissores, até agora, nos amistosos de pré-temporada. O campeão PSV até venceu o Lyon (2 a 0), mas perdeu para o Monaco (3 a 1); a uma semana de já enfrentar o Rapid Viena pela terceira fase preliminar da Liga dos Campeões, o Ajax empatou com o Wolfsburg (1 a 1) e caiu para o Saint-Etienne (1 a 0). E nesta quinta, o Feyenoord viu um time com três destaques seus em temporadas recentes (o Southampton de Clasie e Pellè, em campo, e Ronald Koeman, no banco) aplicar-lhe 3 a 0, em pleno De Kuip.

Enfim, esta Eredivisie será igual àquelas que passaram. Mas… tudo bem, acostuma-se. Eis aqui a primeira parte do guia do Campeonato Holandês 2015/16.

De Graafschap

Técnico: Jan Vreman

Destaque: Vincent Vermeij (atacante)

Fique de olho: Dean Koolhof (atacante)

Temporada passada: sexto lugar na segunda divisão (conseguiu o acesso na repescagem, superando o Volendam

Copas europeias: nenhuma

Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Thijs Bouma (D, Almere City), Tim Linthorst (D, Vitesse), Alexander Bannink (M, Emmen), Youssef El Jebli (M, Lienden), Erik Quekel (A, Den Bosch)

Principais saídas: Milan Massop (D, FC Eindhoven), Caner Cavlan (M, Heerenveen), Vlatko Lazic (M, não renovou contrato), Edwin Linssen (M, encerrou carreira) e Santy Hulst (A, não renovou contrato)

De volta à Eredivisie após três temporadas, os Superboeren têm condições de lutar contra o rebaixamento. A equipe de Doetinchem possui atacantes promissores para a realidade do futebol holandês (Vermeij é o melhor deles), e o técnico Jan Vreman já tem dois anos de trabalho à frente da equipe. Contudo, só as condições não bastam, porque a janela de transferências foi cruel com a equipe. Cavlan, Massop, Lazic: todos eles experientes, destaques na campanha do acesso, e deixaram o clube.

Algo até esperado. Afinal, a sina dos pequenos holandeses é negociarem seus jogadores promissores com os maiores, ou mesmo entre si. Foi o que ocorreu com o De Graafschap. Formando um elenco jovem demais – o mais velho é o atacante Quekel, com 28 anos – remanescentes terão de se esforçar bastante para impedirem que o destino seja ocupar alguma das três últimas posições da tabela. Talvez até a última, como ocorreu com o Dordrecht.

Roda JC

Técnico: Darije Kalezic

Destaque: Marc Höcher (atacante)

Fique de olho: Mitchell Paulissen (atacante)

Temporada passada: terceiro lugar na segunda divisão (conseguiu o acesso na repescagem, superando o NAC Breda)

Copas europeias: nenhuma

Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Gibril Sankoh (D, Henan Jianyi-CHN) e Jens van Son (M, FC Eindhoven)

Principais saídas: Guy Ramos (D, Wil-SUI), Martijn Monteyne (D, não renovou contrato), Danny Schreurs (M/A, não renovou contrato), Frank Demouge (A, não renovou contrato) e Johan Plat (A, Katwijk – clube amador)

Com a queda na temporada 2013/14, os Koempels deixaram a divisão de elite do futebol holandês sem representantes de Limburgo, uma das mais tradicionais províncias do país. Conseguiram voltar rapidamente, e até o fizeram de maneira surpreendente: o técnico René Trost foi demitido no final da temporada regular, e o time passou por turbulências. Pelo menos, se recompôs na hora mais apropriada: a Nacompetitie. Superando o NAC Breda num duelo emocionante, o Roda conseguiu o acesso. Mas precisará se cuidar muito para não fazer o caminho de volta na próxima temporada.

Há possibilidades. A base da equipe é formada por atletas que conhecem a Eredivisie (mesmo os reforços conhecem o campeonato; o leonês Gibril Sankoh esteve no Groningen por cinco anos), e o técnico Darije Kalezic mostra currículo razoável no país. Todavia, o elenco é irregular: os mais experientes têm pouco talento, e os habilidosos são jovens demais. Somente no meio e no ataque as coisas melhoram um pouco, com Tom van Hyfte e o reforço Van Son armando as jogadas para Höcher e Paulissen. Ainda assim, só o decorrer da temporada dará a resposta sobre a chance dos aurinegros escaparem.

Excelsior

Técnico: Alfons “Fons” Groenendijk

Destaques: Jeff Stans (meio-campista) e Tom van Weert (atacante)

Fique de olho: Carlo de Reuver (atacante)

Temporada passada: 15º

Copas europeias: nenhuma

Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Filip Kurto (G, Dordrecht), Bas Kuipers (D, Ajax), Nigel Hasselbaink (A, sem clube) e Brandley Kuwas (A, Volendam)

Principais saídas: Gino Coutinho (G, AZ), Jordy Deckers (G, VVV-Venlo), Daan Blij (D, Excelsior Maassluis – clube amador)

Se houvesse “rebaixado moral” no futebol, a Eredivisie da temporada passada deveria ter visto o clube de Roterdã cair. Com uma defesa extremamente irregular e um ataque que não conseguia compensar os erros do resto, os Kralingers correram tanto perigo de figurarem na zona de repescagem/rebaixamento quanto os três que efetivamente caíram, ou mesmo o salvo Heracles. Para a temporada 2015/16, há esforços inegáveis na janela de transferências.

No gol, posição que foi alvo de dúvidas durante todo o ano passado, o polonês Filip Kurto tem mais talento para ocupar de vez a posição, embora às vezes seja irregular. Já habituado ao time em que atuou emprestado em 2014/15, o lateral esquerdo Bas Kuipers pode evoluir. E Kuwas, de boas atuações no Volendam, é reforço elogiável no ataque. De mais a mais, há gente que pode ajudar: Daan Bovenberg, Rick Kruys, Luigi Bruins, Van Weert, Jordan Botaka, De Reuver. Só que não bastam os prognósticos. Só provando dentro de campo que não são incógnitas é que o time deixará o Excelsior distante do desespero passado na Eredivisie recente.

Heracles Almelo

Técnico: John Stegeman

Destaque: Thomas Bruns (meio-campista)

Fique de olho: Wout Weghorst (atacante)

Temporada passada: 14º

Copas europeias: nenhuma

Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Tim Breukers (D, Twente), Robin Gosens (D, Vitesse), Wout Droste (D, Cambuur), Peter van Ooijen (M, Go Ahead Eagles) e Paul Gladon (A, Sparta Rotterdam)

Principais saídas: Dennis Telgenkamp (G, Emmen), Bart Schenkeveld (D, não renovou contrato), Jeroen Veldmate (D, Viborg-DIN), Simon Cziommer (M, não renovou contrato), Denni Avdic (A, AZ) e Bryan Linssen (A, Groningen)

Se um time da elite holandesa perde para outro da quarta divisão alemã num amistoso de pré-temporada, é sinal de que há muito a ser consertado ainda. É o caso dos Heraclieden. Vindos de uma campanha fraquíssima na temporada passada (lembremos, perderam os sete primeiros jogos no Campeonato Holandês), levaram 3 a 0 do Viktoria Köln, da Regionalliga oeste. Pior: a janela de transferências já fez muitos deixarem Almelo. Um deles, Bryan Linssen, goleador dos Almelöers nas duas últimas temporadas, e principal responsável em campo por afastar o perigo da queda.

Claro, nem tudo está perdido. O Heracles bateu o FC Oss no amistoso mais recente (2 a 1). E contratou vários defensores – alguns deles, capazes de melhorarem o setor, como Breukers e Droste. Além disso, a base da equipe pode ser refeita tendo como novos destaques gente que já apareceu bem no time, como Bruns, Weghorst, Mark-Jan Fledderus e Oussama Tannane. Todavia, a equipe terá de evoluir muito se quiser passar uma temporada mais tranquila. Um começo menos turbulento é necessário, e a mudança terá de ir além do novo escudo ostentado na camisa.

ADO Den Haag

Técnico: Henk Fräser

Destaque: Édouard Duplan (atacante)

Fique de olho: Gervane Kastaneer (atacante)

Temporada passada: 13º

Copas europeias: nenhuma

Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Édouard Duplan (A, Utrecht), Ruben Schaken (A, Inter Baku-AZE), Giovanni Korte (A, Dordrecht), Ludcinio Marengo (A, Volendam) e Kenji Gorré (A, Swansea City-GAL/ING)

Principais saídas: Wilson Eduardo (D, Sporting-POR), Ricky van Haaren (M, Dinamo Bucareste-ROM), Oleksandr Iakovenko (A, Fiorentina-ITA) e Mike van Duinen (A, Fortuna Düsseldorf-ALE)

O 13º lugar na temporada passada deixou o recado de que o time de Haia precisava melhorar. Isso até foi feito. Mas não da maneira necessária: até agora, na janela de transferências, o clube privilegiou demais o ataque. Mesmo que Duplan e Schaken sejam bons reforços e que Marengo esteja acostumado ao pega-pra-capar de times pequenos, ainda seriam recomendáveis mais cuidados defensivos. Dinheiro para comprá-los, o clube tem, com o aporte financeiro recém-chegado da empresa chinesa United Vansen.

Enquanto isso não acontece, resta afinar o entrosamento já existente com os jogadores disponíveis na defesa – alguns deles até capacitados, como o goleiro Martin Hansen e o zagueiro Vito Wormgoor. No ataque, Michiel Kramer esteve a ponto de ir para o Bani Yas, dos Emirados Árabes. Mas o negócio fracassou, e sua permanência (pelo menos por enquanto) é muito auspiciosa. Afinal, Kramer foi um dos principais goleadores da Eredivisie passada. Bastam alguns reforços na defesa, e a chance de ficar na primeira divisão aumentará bastante para o Den Haag.

NEC

Técnico: Ernest Faber

Destaque: Sjoerd Ars (atacante)

Fique de olho: Mohamed Rayhi (atacante) e Navarone Foor (meio-campista)

Temporada passada: campeão da segunda divisão

Copas europeias: nenhuma

Objetivo: escapar do rebaixamento/vaga nos play-offs por Liga Europa

Principais chegadas: Hannes Halldórsson (G, Sandnes Ulf-NOR), Bart Buysse (D, Cercle Brugge-BEL), Janio Bikel (M, Heerenveen) e Mohamed Rayhi (A, PSV)

Principais saídas: Stan Bijl (G, Magreb ’90 – clube amador), Tobias Haitz (D, Viktoria Köln-ALE), Giovanni Gravenbeek (D, não renovou contrato) e Kevin Conboy (D, não renovou contrato)

Conseguir 101 pontos numa só temporada é uma façanha elogiável, ainda que num campeonato muito abaixo da crítica, como é a segunda divisão holandesa. Só por isso, o clube de Nijmegen já volta com animação para a Eredivisie. Mudanças aconteceram, é verdade. Técnico daquela que foi a melhor campanha da história da Eerste Divisie, Ruud Brood foi auxiliar Phillip Cocu no PSV – e o antigo ajudante do treinador dos Eindhovenaren, Ernest Faber, foi justamente o escolhido para substituí-lo. No elenco de jogadores, o lateral esquerdo Conboy deixou o clube. E também deverá sair o atacante iraniano Alireza Jahanbakhsh – só não se sabe para onde (AZ ou Norwich City).

Ainda assim, o elenco foi fortalecido. Para o gol, chegou Halldórsson, titular da seleção islandesa que faz boa campanha nas eliminatórias da Euro; o belga Buysse amplia a experiência de uma defesa que já tem jogadores vividos em Van Eijden e Leiwakabessy; o volante Bikel é uma aposta válida; e Mohamed Rayhi é titular da seleção holandesa sub-21. Não bastasse isso, vários protagonistas do título da segunda divisão seguirão no clube: Navarone Foor, Christian Santos, Anthony Limbombe, o goleador Sjoerd Ars… enfim, os Nijmegenaren estão motivados para não só evitarem o “bate-e-volta”, mas para sonharem até com coisa maior do que afastar o perigo da queda.